“O dinheiro do meu pai não é capim…”

Texto de Aílton Lopes para o PODECRER

Eu quero Passe Livre Sim! Essa histórica palavra de ordem que as juventudes em todo o país entoam nos protestos contra os aumentos das passagens de ônibus traduz a realidade dura das periferias do Brasil.

R$ 6,20 é um ROUBO! Esse é o valor que o prefeito do Sindiônibus e dos Ferreira Gomes quer impor como preço da passagem de ida e volta em Fortaleza.

Mal acabou a eleição e Roberto Cláudio (PDT) já quer passar a fatura para o povo pagar.

Tem gente que não faz ideia do que representa o preço da passagem para filhos e filhas de trabalhadores. Quem anda de ônibus sabe do suor, do sacrifício.

O suor na hora que está no ônibus, mas o suor, a ralação para garantir o dinheiro da passagem. Principalmente quando seu pai tá desempregado ou a grana tá curta, ou seja, quase sempre.

A juventude “se vira” para conseguir o dinheiro da passagem para participar de diversas atividades, andam de bicicleta, fazem o que podem.

Portanto, é muito fácil quem quer explicar o aumento do preço da passagem, relativizando com os aumentos de outras cidades. Mas não é apenas fácil. É injusto.

Injusto com a juventude que rala. Rala para estudar. Rala pra trabalhar. Injusto com as famílias desses (as) jovens. Mas… porque em São Paulo…

É injusto em todo o país com os filhos e filhas da classe trabalhadora.

R$ 6,40 não é apenas um roubo. É a negação do direito de ir e vir. É a negação do direito a circular pela cidade. Do direito de frequentar espaços, vivenciar experiências, procurar trabalho, estudar, etc.

Ah… mas a passagem estudantil aumentou “apenas vinte centavos (a ida com a volta)”.

A luta, a justa luta estudantil é pelo PASSE LIVRE. Liberdade de ir e vir que deve ser garantido como direito social.

Porque nós sabemos que, além de “ir e vir” ser um direito e que este direito possibilita outros direitos, é preciso lembrar que o dinheiro de nossos pais não é capim. É conquistado com muito suor. O suor que não pinga nos escritórios de ar condicionado dos gabinetes da prefeitura e nos escritórios dos empresários de ônibus.

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