ROLEZIM: enfrentando a repressão do Estado

No Rolezim da Praça do Santa Cecília, uma jovem foi atropelada por umas das 8 viaturas policiais que se acercaram da Praça. Os jovens correram de um lado para outro. Quando perceberam o atropelamento, alguns voltaram e jogaram pedras nas viaturas. Os policiais atiraram gerando novamente corre-corre.

Já em ruas ao redor da Praça, houve vários disparos, cercos com viaturas nas ruas João Correia, Virgílio Nogueira, Bom Jesus e Três Corações. Não se sabe ao certo o balanço dessas operações. Muita gente sujeita a balas perdidas, como nós Rogério, Adriano, Edivãnia, Dudu, Wilbert, que tínhamos acompanhado Vita Sampaio e Adriana Batista, do Ceará Pacífico, a uma ‘visita ao rolezim’.

Depois disso, escrevi:
Há tempos que essa realidade me inquieta. Se fosse um fenômeno meteorológico todos os conhecimentos seriam postos a disposição. Se fosse um vírus não identificado quantos biólogos e especialistas em endemias seriam mobilizados? O rolezim é um fenômeno social das juventudes no contexto atual. Grande Bom Jardim mais uma vez está na pauta. Quantos cientistas, lideranças e militantes da infância e da juventude estão envolvidos no assunto? Vamos deixá-lo reduzido a caso de polícia? Que anseios dos jovens são atendidos aos se encontrarem na principal praça do Bom Jardim para se encontrar, dançar, andar em turma de bike, fumar, exibir acrobacias em bikes e motos, namorar?…

Quais anseios são atendidos aos correrem da polícia de um lado para outro?
Ao arriscarem suas vidas, novamente toda quarta, como um brinquedo perigoso, enfrentando a repressão, a tentativa de demarcar poder num território, que anseios são atendidos?
Por que as igrejas se incomodam? Por que LGBTs se exibem ali? Por que viajam para outras áreas da cidade para fazer o mesmo? Que anseios estão envolvidos?

Por que se dá também em São Paulo?

Um território com as escolas estaduais paradas, com Vila Olímpica parada, com Centro Cultural parado…

Que opções ofertamos às juventudes de fato?

______________________________________________________________________Texto: Rogério Costa, militante de direitos humanos do Centro de Defesa da Vida Herbert de Souza e da Rede DLIS do Grande Bom Jardim, morador do Grande Bom Jardim,