
Deitada na mesa, eu penso;
A cabeça deitada na mesa e eu pensando em todos os particípios do subjuntivo ou o que quer que seja essa angústia que me corrói até os ossos e não me deixa respirar até tudo estar no papel
Deitada na mesa, eu respiro;
A testa encostada no tampo da mesa e a minha mente voando enquanto a raiva se dissipa e se expande e eu continuo falhando na mísera tentativa de tentar falhar menos até a ansiedade me fazer querer tanto querer tanto arrancar cada pedaço de pele até
Deitada na mesa, eu mordo minha boca cheia de palavras não ditas;
As unhas arranhando a madeira da mesa enquanto reprimo o grito reprimo o choro reprimo a fala reprimo a vontade de dizer que nesse mundo injusto e cruel nós deveríamos ter o direito de escolher se vamos permanecer vivos ou não
Deitada na mesa, sei que sou cruel e injusta;
A cabeça martelando a mesa e as ideias martelando a cabeça enquanto eu sei que todas essas palavras não ditas podem matar alguém
pode ser eu

