Eu morro

Detalhe de “Sem título”, de Zdzisław Beksiński

Porque me espraio
e meus braços esticados
são pregados nos cravos,
meu ventre se desnuda
eu deslizo as pernas duras
até tocar o chão, o inferno.

Minha caixa torta de respiros
resfolega arfeja e minhas
aréolas castanhas
pares envoltas nos pelos
de meu peito suspiram.

Ergo a cabeça sobre fim
do pescoço, acuso uma
melodia de anjos, os céus
em trabalho de parto,
minha barba é rala sobre
os dentes tortos, podres.

Danço, canso e o ranço
de meu suor agridoce
se solta à delícia dos
outros; quase à morte
eu crio sorrisos sandios,
eu morro.