Editorial — Da insatisfação surge algo

André Alcântara
Sep 6, 2018 · 5 min read

Embora tenham sido de profunda importância para sua época e momentos históricos posteriores, tendo efeitos negativos e positivos reverberados até hoje, as revistas brasileiras de jogos da década de 90 e do início da década de 2000 postularam no País o que necessita ser o jornalismo de jogos eletrônicos. É verdadeira a afirmação de que não impuseram um corpo concreto que se mantém até hoje. No entanto, apesar de alguns de seus pormenores terem se transformado ou mesmo desparecido por completo, a essência aparenta continuar sendo a mesma.

Atualmente, muitos veículos de ampla, média e pequena audiência que cobrem parcial ou integralmente videogames exibem resquícios de contextos históricos passados no tocante à práticas jornalísticas da área em específico: material noticioso que apresenta forte teor publicitário, hiperbolismo (e consequentemente subjetividade exacerbada) e ausência de apuração do fato abordado.

Isso não se aplica a todos os casos, é verdade, uma vez que alguns veículos têm linhas editoriais que abraçam a informalidade e o sensacionalismo. Porém, já não bastasse o grande volume desses, muitos dos quais se esperaria um rigor jornalístico maior acabam mostrando esses mesmos elementos. Percebe-se, portanto, que não se trata de uma escolha de ângulo de visão deliberada, mas uma que quando não materializa determinadas características do legado das revistas brasileiras clássicas de jogos, as incorpora indiretamente e reproduzem, ao seu modo, práticas que empobrecem o jornalismo de jogos na medida em que inibe o surgimento de novas formas de cobertura que fujam da habitual.

Dessa forma, seríamos capazes de dizer que esses aspectos seriam um DNA irremovível, pois as revistas às quais me refiro foram — por uma série de razões — intensamente influenciadas por outras de países diversos (em especial os Estados Unidos). Assim aparentemente se traria de uma natureza presente em todo o mundo, e não apenas no Brasil. Contudo, é importante notarmos que antes de algo ser “jornalismo de x” é preciso que esse algo seja jornalismo, e sendo isso abarca uma grande gama de projetos editoriais, inclusive propostas que neguem o DNA problemático instaurado no Brasil há décadas.

(O Polícoro não condena publicações jornalísticas de videogames que, mesmo dentro de uma abordagem própria, respeitem, defendam e incorporem a ética jornalística e a aplicação dos métodos objetivos, que garantem sua credibilidade e legitimidade.)

Adiante

A partir da insatisfação com a atual perspectiva que possui a maior parte dos veículos jornalísticos brasileiros que se dedicam, completa ou parcialmente, à cobertura do meio, o Polícoro propõe não uma visão inovadora em termos de angulagem, mas de tentativa de aprimoramento do que já é feito.

Em suas publicações, o Polícoro irá se esforçar para manter-se dentro da objetividade jornalística, seguindo seus métodos a fim de construir e manter credibilidade. Ainda, terá, nas notícias veiculadas, o fato como algo a ser exposto, cabendo ao leitor, com base em suas experiências individuais, interpretá-los e criar juízo de valor sobre eles.

Além disso, apresentará como um de seus motes principais a apuração das informações transmitidas, característica fundamental de qualquer material noticioso ou informativo.

Objetividade

A objetividade, elemento indiscutivelmente essencial de qualquer veículo jornalístico, será um dos carros-chefes do Polícoro — uma vez que o site surge, também, a partir de sua insuficiência na cobertura de jogos nacional. Porém, a fim de evitar possíveis mal-entendidos, esta publicação reconhece que a objetividade plena é inatingível desde que seja um ser humano a redigir o texto. A objetividade, como explica o escritor e professor de jornalismo Felipe Pena em seu livro Teoria do Jornalismo, “surge não para negá-la, mas sim reconhecer a sua inevitabilidade”.

Seguindo a lógica do autor, a objetividade é uma forma de garantir que os fatos, sendo subjetivos, uma vez que são mediados por um indivíduo ou grupo, que possui suas próprias particularidades, sejam submetidos a um método de trabalho para que a influência de quem conta seja a menor possível. É isso que o Polícoro pretende seguir em suas edições tradicionais.

Isso não quer dizer, contudo, que de modo eventual o site não possa vir a ter conteúdo opinativo. Mas quando o tiver será especificado e tornado claro que se trata de conteúdo de opinião daquele que o produziu— que poderá incorporar os formatos de artigo, análise ou ensaio.

Estrutura e funcionamento

Com lançamento prioritário aos domingos, o Polícoro será uma publicação semanal que reunirá os principais acontecimentos relacionados a videogames da semana em questão. É necessário destacar que, a depender de eventualidades que afetem diretamente a sua produção, o seu dia de disponibilização pode variar extraordinariamente.

Devido a escolha de poucos acontecimentos a serem abordados, os critérios de noticiabilidade adotados terão papel de selecionar aquilo que tiver maior relevância para o meio dos jogos eletrônicos, partindo da perspectiva de que essa quantificação refere-se aos seguintes valores-notícia, levando em conta suas sub-categorias: polêmica, surpresa, tragédia, conflito, impacto, proeminência, curiosidade, conhecimento, raridade, governo e justiça (vale ressaltar que a ordem dos valores-notícias não indica uma hierarquização do menor para o mais importante. São, na verdade, apenas generalizações).

Sobre cobertura dos maiores eventos do meio — em termos quantitativos: durante as convenções e transmissões E3, Gamescom, PlayStation Experience, Nintendo Direct e Tokyo Game Show, bem como as feiras nacionais Brasil Game Show (BGS) e Brazil’s Independent Games Festival (BIG), haverá, como ocorre habitualmente em veículos especializados, maior privilégio à cobertura de fatos do interesse dos leitores do Polícoro acontecidos nesses eventos. No entanto, o site ainda irá noticiar o que ocorreu na semana em questão seguindo os seus critérios de noticiabilidade.

O horário de fechamento do Polícoro será às 23h59 dos sábados, com publicação aos domingos às 16h. É válido pontuar que nem sempre será possível o site manter esse cronograma devido a possibilidade de ocorrência de eventualidades que tenham impacto sobre a sua produção, tal como foi supracitado.

O Polícoro será regido inicialmente por André Alcântara, ficando esse responsável pela redação das notícias que comporão cada edição, revisão dessas e sua publicação, bem como divulgação em redes sociais. (Para os que compartilham da visão do Polícoro e desejam contribuir para com o site, envie um email para policorosite@gmail.com.)

Considerações

O Polícoro considera importante frisar claramente que não condena o fato de outros veículos que cobrem jogos possuírem linhas editoriais diferentes da sua. O site preza pelo pluralismo de cobertura, que, obviamente, deve seguir a ética e métodos jornalísticos que lhe confiram legitimação e capacidade de ser credível.

Apesar de declarar que tem a apuração intensa como um de seus motes, o Polícoro não está imune aos erros, assim como todo e qualquer veículo jornalístico. Sendo assim, portanto, qualquer detalhe incorreto, independentemente de seu lugar na hierarquização de informações no texto, será corrigido e o site pedirá perdão aos seus leitores pelo acontecido.

Polícoro

Com lançamento aos domingos, o Polícoro é uma publicação semanal que reúne os principais acontecimentos relacionados a videogames, tratados após apuração e com necessária objetividade.

André Alcântara

Written by

Estudante de jornalismo na Universidade Federal de Sergipe (UFS)

Polícoro

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Com lançamento aos domingos, o Polícoro é uma publicação semanal que reúne os principais acontecimentos relacionados a videogames, tratados após apuração e com necessária objetividade.

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