A força da mulher na agricultura familiar
Num quadro dominado pelos homens, mulheres se destacam em diversas atividades no cenário agrário.

Por Larissa Mascolo, Gabriela Soares e Rafael Costa
“O homem no campo.” Antes, essa frase seria a legenda da imagem que temos sobre agricultura. Aos poucos, os ventos de mudança levam para longe o machismo campestre e um novo cenário é pintado. Como flores na primavera ocupando nossos olhos, as mulheres ganham terreno dentro da agricultura familiar.
A pesquisa publicada pela Associação Brasileira de Marketing Rural e Agronegócio (ABMRA) do ano passado revelou que as mulheres participam 30% em cargos de liderança na agricultura, perto dos 10% que ocupavam em 2013, sejam nas pequenas, médias e grandes propriedades rurais.
A Expointer de 2018 trouxe uma novidade à agricultura familiar, que foi a expansão do local em 3,5 mil metros quadrados, equivalente a 41%, possibilitando que mais produtores pudessem vender seus produtos, 285 expositores em 280 estandes, para ser mais exato. Dentre as várias bancas de exposição, era extremamente clara a presença das mulheres no atendimento. Silvania Kauer, 54 anos e expondo pela primeira vez na Expointer, destacou o papel feminino na produção dos doces da Agroindústria Familiar Doces Vapor Velho que comercializava. “Acho importante porque a gente faz a frente, claro que os homens ajudam, os filhos e o marido, mas eu tenho que estar sempre junto”.

Já em outra banca, expondo queijos e salames pela Granja Cichelero, localizada no interior do município de Carlos Barbosa, Terezinha Natalina Chichelero, 73 anos, foi firme na resposta. “A mulher é a cabeça de tudo. Se faltar a mulher, não funciona”, destacou dona Terezinha.
Tomando frente à agroindústria da família que produz chips de banana, batata-doce e aipim, as irmãs Luciana, Juliana, Cristiana e Mariana Loewenstein Justin administram o “Cantinho da Natureza”, em Itati região noroeste do Rio Grande do Sul. Depois de um hiato de 16 anos na Expointer, elas voltaram à expor na feira. Quando questionada sobre a importância da mulher no campo, ela espelhou-se na própria história. “Meu pai ficou pra trás, ele só cuida da roça. Quem cuida da agroindústria somos só nós, as mulheres. Meu pai faz o produto, ele produz na roça o aipim, a batata e a banana, e a gente que faz os produtos lá na agroindústria”.

A responsabilidade de trazer agricultores familiares à feira fica a cargo da Federação dos Trabalhadores na Agricultura no Rio Grande do Sul (FETAG-RS). O grande nome por trás do incentivo aos pequenos produtores de participarem da Expointer e coordenação dos estandes no espaço é Jocimar Rabaioli, assessor de política agrícola e agroindústria da Fetag. Rabaioli esclareceu o processo de como os produtores chegam até a Expointer, partindo da inscrição até chegar ao estande. No meio do processo, é realizado um curso de capacitação de vendas onde, segundo ele, mulheres têm se feito mais presente.

“Dentro da FETAG existe um departamento que trabalha só a questão da organização das mulheres rurais. E cada vez mais a gente tem fomentado, e tem visto nas agriculturas familiares, a mulher e os jovens. Mas a mulher, praticamente em quase todos os estabelecimentos, ela que puxa a frente, principalmente, da agroindústria familiar e do artesanato”, contou.

