Campanha eleitoral sem dinheiro público: Custo Zero

Professor de administração, ciências contábeis e direito por 35 anos na FAPA e UniRitter. Se formou em direito na puc em 1983, e por conta de um amigo que lecionava na FAPA. Acabou substituindo o professor e amigo em algumas noites, para que o amigo pudesse fazer um concurso em Brasília, que acabou sendo aprovado e o professor Arthur Cauduro substituiu em 1983/2. E mesmo após a compra da Laureate International Universities que comprou a UniRitter e teve a fusão entre as universidades. São aproximadamente 18 mil alunos formados. Após 35 anos e todos esses alunos formados, o professor Arthur Cauduro decidiu dar o pontapé inicial na carreira política e apostou na campanha custo ZERO.

Banner da campanha eleitoral do candidato Professor Cauduro. Créditos: Rede Social

Você observa uma diferença de dedicação entre um aluno que paga sua faculdade do que um que tem a faculdade paga pelos pais?

Com certeza. É uma questão de perfil de cada aluno, mas na média e na maioria, até por causa da localização, tem muitos alunos da região metropolitana que trabalham e que pagam a faculdade do seu próprio bolso, então esses alunos não têm muito tempo para repetir as cadeiras. Eu lecionei na PUC-RS algum tempo, no turno da manhã, e era um público diferente, principalmente no início do curso onde é mais difícil conseguir estágio ou quando consegue, acaba pagando pouco. O Brasil é um país estranho, não te dão trabalho porque tu não tem experiência, e depois quando tu tem experiência, depois de uma certa idade, não te pagam o que você quer por causa da idade. Aqui no Brasil temos o período de 30 anos para fazer o pé de meia, dos 20 aos 50 anos, no início se recebe pouco e depois se exige uma renovação e acaba pagando abaixo do merecido. Isso é observado quando todo o ano temos uma limpa, como ocorreu na UniRitter, a linha de corte para demissão é o salário, os mais altos acabam sendo dispensados.

Como o senhor vê essa limpa de professores na faculdade? Era sonho do senhor ser professor?

Não, nunca foi um sonho ser professor, acabou acontecendo por conta do concurso que meu amigo que era professor fez, ele passou e eu acabei substituindo ele, e eu tinha facilidade para chegar até a FAPA e fui pegando gosto e continuei esses anos todos. E sobre a “limpa”, não tenho nada contra, eu comecei a lecionar com 22 anos, recém formado, mas as faculdades acabam fazendo quase que um rodízio entre os professores nas instituições privadas, e isso ocorre em todos os semestres.

O senhor deixou de lecionar para tentar carreira na política ou foi apenas uma pausa?

Não deixei de lecionar, foi mais uma pausa. Principalmente no período final de setembro a outubro por quê nós fizemos uma atividade bem atípica nessa campanha eleitoral. Unimos um grupo de pessoas que a muito tempo já vem conversando, e nós queríamos experimentar esse fenômeno eleitoral de um jeito bem diferente. Ainda mais que as pessoas acabam se deixando levar nesse período, e que acabam surgindo escândalos e os “ídolos políticos” tem escândalos divulgados e essas pessoas se sentem parte disso. Nossa forma de campanha foi sem usar nenhuma fundo partidário, sem todas as gastança, e até mesmo não aceitamos doações. Fizemos nossa campanha digital, sem usar os panfletos que vão parar no lixo depois. Também fizemos isso até para saber o que isso iria representar e até onde podemos ir.

E foi por conta de todo o cenário político financeiro que nós vivemos, foi por isso que o senhor apostou na campanha custo zero? Pretende ser candidato em 2020?

Convicção! Sinceramente antes de me tornar agente político, eu partir já para gastança, eu estaria gastando dinheiro público por um interesse particular, isso nós não faríamos, mas foi pensado em fazer uma vaquinha eletrônica, para dar algum suporte para gente, mas optamos por ser radicais totais, a campanha custo zero, não iríamos ter dinheiro, e nós ficamos de fora até mesmo do horário político, que não tem nada de gratuito, que as emissoras têm benefícios da isenção tributária do imposto de renda, proporcional ao tempo dado para o horário político, que som um milhão de reais. Para o meu caso iria dar 6 inserções de 15 segundos, iria ser “oi e tchau”, mas avaliando hoje talvez eu tivesse tido maior visibilidade. Meu grande problema, até por conta da idade é a tecnologia, que eu não tinha as redes sociais, que acabei fazendo para a campanha. Nós tivemos uma repercussão boa, no final de setembro foi divulgado um material com receita e despesa e a minha apareceu zerada e as pessoas estranharam. E o não uso da verba partidária foi mais por experiência. Hoje em dia ser eleito com custo zero é praticamente um sonho possível, os grandes políticos e partidos passam por cima. Meus votos se concentraram na região metropolitana, isso muito por conta do público da FAPA, talvez se eu tivesse participado do horário político, eu tivesse mais votos sem ser na região metropolitana. Nós tínhamos a ideia de entrar e ter uma força maior da nossa causa, que é a educação, para fortalecer, esse ano foi para alguém ter a experiência e em 2020 posso ser candidato para vereador. Talvez não seja possível ser eleito com custo zero, mas é possível sim fazer campanha.

Como está o retrato político na sua visão?

Ficou muito extremado, a característica de quem foi eleito e da sociedade, qualquer coisa as pessoas estão batendo boca. A impressão que dá, é de que se estivessem juntas estariam brigando, foi uma surpresa negativa. Desaforos que levados ao pé da letra que daria processo. Sobre o presidente eleito, torço que ele acerte tudo, nós dependemos dele. Para a união do país, acho que será demorado, mas para governar um país como o Brasil, precisa dos dois lado. Eu vejo que as pessoas que escolheram ele, se decepcionem muito rápido, pode se ter um sentimento muito rápido de frustração, não tem dinheiro para nada. E se tu reparar, o discurso do Bolsonaro mudou, antes ele queria “metralhar” e agora ele pretende governar para todos, até porque ele não é mais candidato, ele é presidente do Brasil.

Falando das eleições estaduais, por que você acha que não teve nenhum governador reeleito?

Gaúcho é ruim de jogo. Isso é uma coisa cultural de nós gaúchos, desde o princípio da eleição, o número de votos que o ainda atual governador do estado, José Ivo Sartori, acabou me surpreendendo, no segundo turno, para mim a eleição do Eduardo seria mais tranquila, por conta do histórico de que nunca tivemos um governador reeleito. O Eduardo Leite, até por conta do ponto de vista ideológico, propostas, é muito aproximada essa questão do PSDB, MDB até por quê fizeram parte de governo federal e estadual, sempre foram mais aliados do que antagonistas. Mas eu vejo no Eduardo a possibilidade de enxergar de uma outra forma a realidade do estado, pela formação. Ele vem pedindo a colaboração e ajuda de todos, e se ele conseguir esses apoios, poderá ser visto nos primeiros seis meses de mandato. Acredito que será mais fácil para Eduardo Leite governar, do que para o Jair Bolsonaro presidir a união.

Memorial:

Durante a entrevista eu pude trabalhar bem minha postura, tentei fazer meu entrevistado se sentir a vontade e levar a entrevista em um tom de conversa, porém sem perder o foco. Levei um bloco para anotações e soube trabalhar para que não ficasse em evidência que eu estava anotando algo ou tirando alguma dúvida enquanto meu entrevistado falava.