Feira do Artesanato na 41º Expointer
O tempo colaborou com a 41º Expointer. Amanheceu frio mas logo o sol apareceu, iluminando o céu dos gaúchos. Enquanto a população chegava no parque de exposições a carne era preparada, os animais tinham seus espaços limpos e os vários olhares curiosos, indo pela primeira vez no evento, tomavam conta do espaço que aos poucos se mostrava aconchegante, apesar da feira ocupar TANTOS metros quadrados de Esteio.
A reportagem caminhou pelo parque em busca da área do artesanato. A medida que se aproximava dos estandes o dia ficava mais quente e mais pessoas chegavam no local.

Arte em madeira, esculturas, pinturas e muitos sorrisos, foram avistados logo na entrada da Exposição do Artesanato Gaúcho. Entre muitos, essa é a única fonte de renda para sobrevivência, tiram seu sustento do trabalho autônomo e dependem da prosperidade das vendas, assim, a feira se torna uma excelente vitrine do seu trabalho.

O senhor Jair dos Santos (foto acima), aposentado, participa da feira a 5 anos, com a esposa, que faz trabalho em sisal, ou seja, desmancha longas cordas para modelar corujas e ajudar o marido nas vendas. Jair conta que sua especialidade é trabalhar com reciclagem, porongo e madeira. “Participamos de outras feiras também, como em Dois Irmãos e algumas que acontecem na serra”, conta a respeito feliz com o trabalho.

Continuando a caminhada pelo pavilhão, encontramos a artesã Maria de Bem Pereira. Sentada em um banco com a almofada confeccionada por ela mesma, ponto a ponto, onde demonstra um pouco de sua atenção e ímpeto pelo trabalho.
Maria de Bem Pereira (foto acima), tem 68 anos, mora em Porto Alegre e na cidade de Gravataí, dependendo de onde irá trabalhar se posiciona em uma ou outra residência. Trabalha com artesanato a cerca de 15 anos e participa da Expointer a 6. Conta, que apesar de trabalhar com tecido, pintura, e confeccionar seus próprios bonecos para venda, não vive somente disso, “sou aposentada e vendo como complemento da renda, confecciono tudo com cuidado e carinho, as peças levam uns dois dias para ficarem prontas e pelo custo de comprar molde e tinta mais a mão de obra não conseguiria viver somente da confecção”, conta. Participa de feiras somente pelo Rio Grande do Sul, pois sua produção é limitada. Aos domingos monta sua tenda no Brique da Redenção, em Porto Alegre.

A reportagem seguiu caminhada pelo espaço farto de cores, formas e esculturas que representavam, em maioria, a cultura gaúcha. Em busca de histórias, nos deparamos com o senhor Miltom Santana (foto acima), 75 anos, jornalista aposentado, fez questão de contribuir com a matéria. Contou com orgulho sobre o trabalho exposto produzido pela esposa.
“Somos de Cachoeirinha, minha esposa, Lídia Oliveira, quem confecciona as artes em biscuit, eu trabalho com madeira, em minha loja, mas não trago para a Expointer. Sou jornalista aposentado, hoje ainda trabalho com fotografia e principalmente com artesanato em madeira, principalmente mesas e cadeiras. Moramos em Cachoeirinha e participamos da Expointer e da Loja Solidária, no Centro de Porto Alegre, para expormos nosso trabalho. Fornecemos nosso trabalho para lojistas em Santa Catarina, Paraná e quase todo o Rio Grande do Sul.

A tradição gaúcha em futebol também apareceu na feira. Presente em artes esculpidas em cuias e panos de prato, foi avistada associada a outra grande e indispensável tradição gaúcha, o churrasco. O aposentado Paulo Ricardo de Oliveira, 55 anos, morador de Alvorada, que trabalha com artesanato a 42 anos e expõe na feira a 35 anos, também tira seu sustento do trabalho com manutenção predial, levou vários exemplares de sua arte prontas para a exposição, mas, para demonstrar o talento em tempo real durante sua estadia no estande ia esculpindo o trabalho.

Em 30 a 40 minutos, está pronta a confecção de uma placa com o nome do cliente ou o dizer de sua preferência. Suas placas custam de R$20,00 a R$50,00 reais e tem grande clientela com o público de times, por deixar pronta várias placas com dizeres como “o canto do churrasco”.

A medida que se caminhava e ouvia as histórias se tornava uma experiência mais emocionante e enriquecedora. Como ao conversar com a artesã Nara Rejane da Silva (foto acima), ficou evidente o amor dos expositores por sua arte. Artesã a 50 anos, explica que se trata de um trabalho de família. Atualmente trabalha junto com o marido, mas os filhos sempre ajudaram também. Sua especialidade é a madeira. “Fazer o artesanato na madeira é uma mágica, porque tu pega aquele pedacinho de madeira e de repente se transforma em uma obra de arte, é maravilho. Gosto do que eu faço, gosto de estar aqui, expomos na feira a 18 anos interruptamente”, conta satisfeita e orgulhosa do seu trabalho que faz junto a família.
Depois de andar a manhã toda e conversar com vários artesãos de trabalhos incríveis, muitos, preparados exclusivamente para a exposição, encontramos com o Marco Antônio Cardona, de 55 anos, que trabalha somente com artesanato (foto abaixo).

Suas artes chamavam de longe a atenção do público. Estava localizado bem na entrada do pavilhão de artesanato, era impossível não notar as miniaturas de cavalinhos e esculturas de gaúchos.
“Trabalho somente com artesanato, a 35 anos, minha esposa trabalha junto mas tem outra renda, ela é funcionária pública, o que ajuda em nossa renda. Participo a 9 anos da Expointer”, conta o artesão, sua especialidade é cerâmica fria, resina e madeira.
A manhã que iniciou nebulosa terminou neblinada pela fumaça da carne assando. Próximo do meio dia, toda a feira estava lotada, chega a ser difícil o deslocamento. A 41º Expointer entrará para a história, por ser um dia em que o tempo ajudou e o sol contemplou um espaço que costuma ver muita terra molhada.

Reportagem e fotografia por: Niége Moreira
