Força agrícola no estado gaúcho: as aves estão de volta à Expointer

Dener Menezes
Sep 4, 2018 · 6 min read

Os criadores de animais de produção e ornamentais comemoram o retorno ao Parque de Exposições.

Aves expostas no pavilhão da Expointer. (Foto: Giovana Moraes)

Por: Dener Menezes e Giovana Moraes.

O Rio Grande do Sul é o terceiro maior produtor e exportador de frango do Brasil, ficando atrás apenas de Santa Catarina e Paraná. Com isso, a avicultura tem atingido patamares que a transformam em uma das principais atividades econômicas do país.

O Estado tem, hoje, um grande número de granjas avícolas espalhadas. Segundo Ananda, Médica Veterinária da Secretaria da Agricultura, em um município o retorno que isso gera devido ao serviço aviário é muitas vezes maior do que um serviço gerado por uma propriedade leiteira, produtos suínos ou então de pequenas propriedades de milho. “A avicultura representa muito na economia do estado, por isso com qualquer risco que possa existir, deve ser tomadas medidas de prevenção como aconteceu no ano anterior.”

Gripe Aviária

Em 2017 a entrada de aves no Rio Grande do Sul foi banida em virtude de uma preocupação com a gripe aviária. O país é livre da influenza aviária, mas no ano passado tiveram vários focos na China, Estados Unidos e no Chile, em duas granjas de perus. Essas granjas são comerciais e pelo fato da feira ter uma grande circulação de pessoas e ser uma feira internacional, poderia haver muita mortalidade.

A gripe aviária é causada por uma mutação do vírus Influenza A. É uma doença que está presente no sistema respiratório. Todos os sintomas são respiratórios e nervosos, além da queda de postura e sinais digestivos.

A Influenza é um vírus de alta disseminação e pode ser carreado tanto entre as aves como por pneus de carros e, também pelas pessoas. “O nosso estado concentra-se hoje na terceira colocação de maior produtor de frango do país, então imagina se acontece um foco de influenza aqui? A repercussão e o prejuízo seriam imensos, além da mortalidade podendo ser alta”, indaga Ananda.

Para defender o plantel agrícola aconteceu esse resguardo, e somente aqui no Rio Grande do Sul, por ser muito rigorosa a questão de doenças. Ano passado todas as competições e exposições do Estado não tiveram a presença desse animal.

Já em 2018, a avicultura voltou a ser destaque de comercialização na 41ª edição da Expointer, em Esteio. A circulação vital diminuiu de uma maneira fetal e não teve mais focos no Chile e nem em outros países próximos. Isso possibilitou que se considerasse um risco muito baixo, não havendo problemas em trazer as aves.

Exposição na Expointer

Na edição desse ano, o setor de aves contou com 18 expositores que trouxeram 523 exemplares com mais de 50 raças.

Essas aves são todas primitivas e a partir delas que foram realizados cruzamentos genéticos para se extrair as linhagens que hoje são utilizadas na produção, como o frango de corte na postura comercial. “Essas aves não foram criadas em escala de produção e nem criadas para serem abatidas pelas carnes ou produção de ovos”, diz Ananda, “Elas são criadas para serem apenas exemplares de raças mantidos por colecionadores, pessoas que gostam desse tipo de serviço e criam como ornamentais.”

Todas as aves — durante a exposição — são identificadas não só pelos seus nomes e raças escritos num papelzinho branco, mas também por rosetas coloridas. Cada roseta significa o prêmio que o animal ganhou. Jairo Farias, presidente da Sociedade Agrícola do Rio Grande do Sul, expõe as aves há mais de 30 anos na Expointer e nos contou como funcionam essas classificações. “O prêmio que dizemos, na verdade, é o título que o animal recebe. Por exemplo, se o animal ganhou o primeiro prêmio significa que ele é o melhor daquela raça”, explica, “Já as rosetas com as cores do Rio Grande do Sul são denominadas para o grande campeão de classe. Uma certa quantidade de raças compõe uma classe, então quando ele é o melhor de várias raças, ele é o grande campeão.”

Rosetas usadas para identificar as aves. (Foto: Giovana Moraes)

Jairo ainda afirma que na edição desse ano os galos mais caros saíram por R$800,00. Todos os preços são avaliados e julgados pelas premiações que o animal recebe ou pelo apego do dono com o mesmo. Esse julgamento é feito por um especialista, através da morfologia e do padrão racial de cada um dos animais, exatamente como é feito com os gados e cavalos.

Regras sanitárias que temos em vigor atualmente

Existem cuidados que devem ser levados em conta para a divulgação das granjas comerciais nos dias de hoje. Todas essas granjas precisam ser registradas junto a Secretaria da Agricultura de seu estado e devem estabelecer uma série de requisitos mínimos, chamado de “biossegurança”.

Ananda explicou como são realizadas essas medidas de segurança. “Existe todo um critério de cercamento dessas granjas como: afastamento de outras atividades, tamanho das telas para que não possa passar os pássaros, arco de desinfecção, controle de entrada de veículos e de pessoas, controle de pragas, exames rotineiros e vacinas”.

Simone Pacheco, responsável pela recepção das aves na Expointer, informou que durante a exposição o cuidado é redobrado e que a transmissão do vírus pode acontecer de maneira muito simples. “Examinamos todas as aves uma por uma desde segunda-feira — 20/08 — antes mesmo do início da feira. Durante a exposição, fazemos a circulação ao reder das aves por uma questão de cuidado de ver se tem algum problema. Se houver, elas são levadas ao setor de isolamento. Nesses casos os próprios produtores nos avisam”.

A exposição das aves: lucro ou hobby?

As aves expostas na feira são comercializadas no estado do Rio Grande do Sul e vendidas para outras regiões do país. Os criadores dos animais contam entusiasmados sobre o retorno das aves durante essa edição.

“Tínhamos uma seleção genética no ano passado, mas teve a tal precaução. A procura do meio rural de quem comercializa aves para o consumo de carnes e ovos é muito grande. Hoje é de extrema importância estar aqui, faço isso por paixão, pois muitas famílias atualmente vivem dessa atividade”, disse Luís Felipe, expositor de aves da Expointer.

O setor das aves é um dos que mais encantam e despertam curiosidade nas pessoas, principalmente crianças, no pavilhão dos animais. Anderson Chaves, repositor e vendedor de aves, informou que em dias de semana há, por dia, 2 mil pessoas procurando a exposição. Já nos finais de semana, o número aumenta para 5 mil visitantes. “Divulgamos as aves atualmente por hobby, por um amor de estar aqui, pois o lucro é muito menor que a despesa. Somos gratos por ver o público em geral procurando essa exposição”.

Não há tempo ruim, distância e nem o baixo custo. Para os criadores, realizar a divulgação é o que realmente importa. Referente ao lucro com as vendas dos animais, os expositores deixam bem claro: varia de ano para ano. Num ano, se tem lucro. Em outro, não tem nada. “O valor chega a uns 30 mil reais entre todos os criadores, somos em 15 e cada um gasta entorno de 5 mil reais para trazer os bichos para cá”, finaliza Anderson.

A exportação dos animais

Os animais expostos saem de sete cidades diferentes do estado gaúcho, que são elas; Santa Vitória dos Palmares, Viamão, Chuí, Pelotas, Dois irmãos, São Sebastião do Cai e Alegrete.

O transporte desses animais é realizado devido à necessidade de cada expositor, alguns trazem os animais individualmente, outros realizam essa exportação por caminhões.

Política e Economia

Revista eletrônica dos alunos da disciplina Gestão da Informação: Política e Economia do Centro Universitário Ritter dos Reis - Campus Fapa - Porto Alegre (RS).

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