Não se trata de inteligência. Talvez o mais difícil seja compreender que os discursos de direita e esquerda não necessariamente se excluem: uma deveria sempre buscar aprender com a outra. Isto porque procuro ver esses dois lados para além da história, para além de suas palavras. Para além de suas posições estereotipadas.

O discurso da direita ao meu ver é muito anterior ao da iniciativa privada. Essa visão me parece muito tacanha. Assim como o discurso da esquerda não é um discurso de massa, que aniquila a liberdade individual. Vejo na esquerda uma mensagem que conduz a um indivíduo enquanto singularidade, embora em sua práxis atual demonstre visões emburrecidas, massificadas. E na direita, uma mensagem que conduz a um espírito coletivo muito grande. Embora fragmentado, não se pode ignorar o seu potencial.

Talvez o grande ponto em questão seja que a direita precisa ser mais holística, de mais generalidade singular, buscar o ponto de equilíbrio entre o universal e o particular. Sua energia pode nos ensinar tanto! Sua mentalidade produz muitos resultados valiosíssimos, mas convenhamos que tudo ainda é em alguma medida fragmentado demais. É preciso se compreender a extensão de seus produtos. É preciso compreender que há mais na essência do que é produzido — e aprender com ela.

E a esquerda, por seu turno, precisa incluir os seus opostos em suas visões de mundo. Considera que já leu o mundo e está pronta para refutar tudo o que lhe vai contra. Mas nisso perde a grande oportunidade que particularmente vejo como a finalidade da vida: mais que ler o mundo, é fundamental RE-LER o mundo, incluindo em sua singularidade uma nova diferença, a cada momento! É inconcebível e arruinante um mundo unilateral, perfeito, incontraditório. É desafiador e verdadeiramente necessário incluir todos.

É assim que vejo em seus destinos finais direita e esquerda virando basicamente a mesma coisa, como yin e yang. Sem se esquecer de que existe um centro de equilíbrio, do qual todos fazemos parte.