Astrakhan 2015 — Dia 3

A equipa acordou motivada e bem disposta. O resultado do dia anterior foi bastante moralizador e serviu de tomada de consciência do nosso valor. A evolução de que falava ontem também foi percecionada pelos atletas.

Temos um tipo de pólo mais pragmático e no jogo de ontem o foco foi sermos competentes na execução das coisas básicas e simples. Nada de jogadas complexas, fintas, passes artísticos. Apenas executar bem o que treinámos ao longo dos estágios de preparação. De forma coletiva, potenciando o talento individual de uns e a inteligência tática e garra de outros. Com esta estratégia surgiu o ótimo resultado de ontem.

Grito da Seleção Portuguesa

Mas temos que manter a concentração. Porque apesar do jogo de hoje com a Letónia aparentemente ser o mais fácil, é nestas ocasiões que as coisas não saem bem, devido a um excesso de confiança que leva a um maior relaxe e menor intensidade a jogar. E não podemos relaxar.

O treino matinal decorreu de forma tranquila, afinou-se a pontaria, trabalharam-se os blocos defensivos, e fez-se algum trabalho físico.

Concentração antes do jogo frente à Letónia

Depois do almoço, mais uma oportunidade para os atletas descansarem ou darem um passeio. Até eu e o Jorge Mota, após uma visita ao Kremlin de Astrakhan, fomos repousar um pouco antes do jogo. Estar no banco a dirigir, apoiar e motivar os atletas também cansa. Vivemos as coisas com igual ou maior intensidade do que os rapazes.

17h Letónia-Portugal

Ontem várias vezes sorri na bancada ao ver os russos falharem imensos golos feitos no jogo deles com a Letónia. Hoje tive que ser humilde e aceitar que nos primeiros minutos nos estava a acontecer exatamente o mesmo.
Começámos o jogo com um pouco daquele relaxe e falta de intensidade de que falei. Alguma desconcentração imperou no nosso jogo ofensivo.

Mas rapidamente recuperámos o nosso foco, defendendo bem e com pressão no campo todo e jogando na antecipação, rapidamente transformamos contra ataques em golos. O resto do jogo foi sempre assim: pressão a defender, jogadores muito solidários, ataques rápidos e concretização eficaz.

Goleada histórica de Portugal

Foi esta a escolha que o treinador e equipa fizeram, após os ajustes iniciais. Dar o máximo, jogar intenso e trabalhar para o melhor resultado. O jogo terminou com 30–0 a favor de Portugal. Informaram-me após o jogo que foi a maior goleada imposta por uma equipa nacional de polo aquático em competições internacionais.

Golear dá orgulho e sabe bem, mas pessoalmente o que valorizo mais do jogo e resultado de hoje foi a atitude, a concentração e o respeito que tivemos pelo adversário, ao dar sempre o nosso máximo. De salientar que todos os jogadores marcaram golos, exceto os guarda-redes.

Amanhã iremos jogar contra a Rússia. Embora já tenha “pendurado a touca”, ainda tenho mentalidade e sonhos de jogador. Amanhã será certamente um daqueles momentos com que todos os atletas sonham. Jogar com os craques, defrontar equipas de top. Superar dificuldades. Testar os limites. E será fantástico se conseguirmos terminar este torneio da forma como começámos — fazendo o nosso melhor em cada jogada para marcar golos; dificultar ao máximo o jogo dos adversários; ter capacidade de sofrimento e resiliência e reagir para continuarmos a dar o nosso máximo.

Amanhã vai ser um jogo muito duro e mais do que as táticas ou jogadas, será esta mentalidade e forma de estar que vai definir a nossa prestação no encontro.

Do lado de fora, eu e o Jorge Mota vamos disfrutar o jogo, a experiência, a envolvente de jogar contra os “tubarões”. Apenas desejo que os nossos jogadores também o façam de forma ainda mais intensa. Pois merecem, pelo trabalho feito e pelos resultados obtidos.

Abraço,

Hugo Gonçalves (Team Manager da Seleção Nacional), 26/09/2015

P.S. Acabo de saber que as meninas derrotaram a Croácia na fase de apuramento para o Europeu que decorre em Rio Maior. Mais outro grande resultado para o polo aquático português no dia de hoje.

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