Entre duas montanhas

Por MANUELA RODRIGUES e MAX PERDIGÃO

O Chile não faz fronteira com o Brasil, mas posso criar pontes.

A primeira foi a paixão. Aprender português para falar com meu amor. Mas o sotaque nunca perderei.

A segunda foi a liberdade. Deixar as máscaras do conservadorismo pra trás. Mas a liberdade de escolha também pesa.

A terceira, foi o trabalho. Oportunidade de conhecer cidades, pessoas. Mas isso cria vínculos, aumenta o sofrimento de ir e de voltar.

A quarta, a paisagem. Belo Horizonte lembra Santiago, as montanhas e a “tradicional família chilena”. Mas se o clima não é seco, o vinho barato não é tão bom.

A quinta, a convivência. No bar, no Mercado Central, na Feira Hippie, de bermuda e chinelo todo mundo é igual. Mas eu não sei sambar.

Foram muitas idas e vindas, muitas pontes, muitas angústias, para um só coração partido. Mas se isso trouxe depressão, decidi aceitar a dupla condição.

Se passar uma última vez por essa ponte e não voltar, não vou sentir saudade. Mas se não for no Chile, só posso morrer no Brasil.

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