Ligo para dizer que não volto mais

Por ALEXANDRE C. MOTA, DANIEL DE CERQUEIRA, NATÁLIA MARTINO e PEDRO GONTIJO

Bailarino, músico, atleta, lá qualquer um pode ser o que quiser.

Queria ser músico, me faltou talento.

Gostava das sapatilhas, dos movimentos e de competir com mi hermano. Herdei a profissão.

Ballet Nacional de Cuba. Salário, 7 dólares por mês. Turnê na Argentina e no Uruguai. Meia-noite, fugi.

Argentina não dava. Não gosto deles. Uruguai nem sabia o que era. Tinha que ser Brasil. Patrocinadores, o ex-professor de dança e a dona de uma academia.

Alô, mãe? Ligo para dizer que nao volto mais.

Vitória, Espírito Santo. Dois anos dançando de graça para pagar a passagem.

Depois, livre. Grupo Corpo, o melhor do Brasil.

Agora sou brasileiro. Daqui nao saio, daqui ninguém me tira.

Sou cubano também. Não seria bailarino se não tivesse nascido em Cuba.

Sinto falta do Malecón, de nadar no Malecón.

Guardo essa luva de beisebol, me cheira infância.

O charuto cheira Cuba e dinheiro. Comprava por 17, vendia por 200.

Rum com charuto e rede me cheira saudade.

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