Um leão por dia

Por ALEXANDRE C. MOTA e MANUELA RODRIGUES

No ringue é Leão Branco. Leão, rei da selva, topo da cadeia alimentar. Mas o Brasil com sua rica gastronomia não é capaz de saciá-lo, porque apesar de toda variedade,

“arroz e feijão todo dia não dá”.

Assim como na selva, mesmo sendo lutador, onde vale-tudo, não consegue filé todo dia. A saída foi aprender a fazer a própria comida. Virou faixa preta na cozinha. “Não quero ter academia como outros lutadores, quero ter um restaurante”.

Nocautear no sabor, mas não em nove segundos como já fez no ringue, porque comida é pra ser apreciada bem devagar.

Foram 16 dias de ônibus do Peru para o Brasil, sem nenhum dinheiro no bolso. Passou fome e frio. Foi expulso das rodoviárias. Numa delas, teve sua primeira experiência com o café brasileiro. Depois de dois dias de viagem, viu a placa “50 centavos o café”, foi só o que entendeu, deu as moedas e em troca um copinho de café. Como assim? “No Peru, a caneca é grande”.

Sente saudade da comida do vovô e da vovó. São nove anos sem voltar ao Peru. “Não volto para morar. Vou pra mostrar para os meus filhos: olha, foi aqui que o papai nasceu”

Em época de competição tem que perder até oito quilos em dois meses. Dieta restrita, salada, frango e peixe. “Gosto mesmo é de salmão, mas peixe é muito caro no Brasil”.

Agora Gelis “Leão Branco” Rivas entendeu porque é arroz e feijão todo dia.

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