O que é o Movimento Empresa Livre

Obs. Esse não é um post. É um material que estará em constante evolução.

Gustavo Tanaka
Jan 6, 2016 · 8 min read

Um pouco da história…

No segundo semestre de 2015, eu e alguns amigos começamos a trabalhar juntos numa ideia.

A ideia era criarmos uma empresa horizontal. O negócio seria um portal de conteúdo sobre nutrição.

Numa empresa horizontal, ninguém teria o salário maior que do outro e ninguém teria participação maior. Todos seriam iguais.

Com esse discurso começamos a montar um time. Logo foi possível ver que mais pessoas gostavam da ideia. Aquilo que era o sonho pequeno de umas poucas pessoas, virou o sonho compartilhado de 20 pessoas.

Assim nasceu a Baobba. Clique aqui e veja nosso site

Em menos de 3 meses juntamos 20 pessoas com diferentes habilidades. Administradores, designers, desenvolvedores, videomakers, nutricionistas, chef de cozinha, redator.

Eu compartilhei o nascimento dessa ideia nesse texto: Como comecei uma empresa horizontal.

Em algumas semanas, foi possível ver que nosso time era bom demais pra trabalhar numa ideia só e que poderíamos atuar em diferentes projetos.

Surgiram então 3 outros projetos: 101Chefs, Academia da Natureza e Personal Brasil. Todos com o mesmo objetivo: empoderar as pessoas e abrir possibilidades de ganhar dinheiro e empreender (em gastronomia, permacultura e fitness, respectivamente)

Com o passar dos meses, a gente foi aprendendo. Fomos enfrentando desafios que não estavam previstos e vimos centenas de pessoas se interessando em fazer parte do nosso time.

Quando as coisas crescem muito rápido, a gente se assusta um pouco. Então fizemos um movimento de proteger o nosso grupo.

"Se com 20 pessoas já temos muitos desafios, imagina se tivermos 150?" Foi isso que começamos a pensar.

Então a gente resolver focar nos nossos projetos e fechar o time nessas 20 pessoas.

Mas aí começamos a sentir um conflito. Ao mesmo tempo em que vinham cada vez mais pessoas mandando mensagens, pedindo informações e se oferecendo pra trabalhar, a gente perdia força internamente. Aquela velocidade que tínhamos no começo se transformou em ociosidade.

Projetos levam tempo para ser desenvolvidos. Não se cria uma empresa de um dia pro outro. O negócio foi mudando e a gente foi se adaptando.

Enquanto exercitávamos nossa paciência, fomos vendo pessoas do time se desmotivando e querendo fazer mais coisa.

Chegamos ao final de 2015 com a sensação de que a movimentação que fizemos estava indo contra o fluxo.

Uma coisa que aprendi em 2015 é observar. E observando, você percebe o fluxo. O fluxo era expandir o nosso trabalho. Trazer mais pessoas. Incorporar novos projetos.

Então terminamos o ano tentando nos relacionar melhor com as pessoas. Criamos um grupo no facebook e em menos de 2 meses, foram quase mil pessoas participando, sem a gente divulgar.

Entre no grupo clicando aqui.

O termo que a gente criou Empresa Livre, começou a ser usado por diferentes pessoas e a Baobba passou a ser citada como referência.

Por obra do universo, alguns textos meus começaram a circular em outra línguas e eu passei a receber mensagem de gente do mundo inteiro querendo acompanhar o nosso trabalho.

Sem muita pretensão, nos demos conta de que havíamos começado um movimento.

E agora queremos começar 2016 fazendo esse movimento crescer.

Então aqui vão algumas informações iniciais

O que é uma Empresa Livre?

Uma empresa livre é uma empresa sem donos. Sem acionistas. Sem chefes. Sem gerentes nem diretores.

Todos são iguais. Niguém tem a hora mais valiosa que o outro. Ninguém tem percentual maior.

E ninguém tem propriedade sobre a empresa.

Eu não posso sair e levar a empresa comigo.

As pessoas podem entrar e sair. Mas a empresa continua.

Isso é interessante porque é um soco no estômago do ego. Ninguém é o CEO, fundador, VP ou qualquer um desses títulos que te fazem se sentir importante.

E é preciso muito desapego para aceitar ser igual a todos os outros. Independente da idade, do tempo de casa, ou da formação.

Como se estrutura legalmente uma Empresa Livre?

O grande barato de começar um modelo novo é que a gente não tem referências para seguir e tem que criar tudo do zero. Isso se aplica ao modelo jurídico.

A legislação atual não previu a existência de Empresas Livres. Eles querem que a gente seja uma empresa com quadro societário, mas não temos sócios. Eles querem saber quem é o dono, mas não temos dono. Eles querem que a gente seja então uma cooperativa, mas não somos uma cooperativa. Quando conversamos com advogados, eles querem nos proteger de processos trabalhistas, mas não temos funcionários. Eles querem evitar disputas sobre a participação na empresa, mas se ninguém é dono, você vai disputar com quem?

Ou seja, não é tão simples assim.

Mas nem por isso, a gente deixa de seguir nosso movimento.

Eu acredito que não haverá uma única forma e cada Empresa Livre vai criar seu próprio modelo. Vão ter Empresas Livres pequenas, com poucas pessoas e Empresas Livres com centenas de cocriadores. Algumas vão ser mais estáveis e outras vão ter um constante entra e sai de pessoas.

Consultorias funcionam de uma forma. Fábricas de outra. Startups também.

Por isso fica difícil de criar um modelo jurídico padrão. Acho que cada uma vai buscar seu caminho.

Onde eu acho que isso pode chegar?

Talvez a gente influencie a legislação e tenham que criar novas leis. Talvez mudem todas as leis. Talvez não no Brasil. Talvez lá fora. E aí talvez isso influencie o Brasil também. Sei lá.

Eu não tenho a resposta e não tenho vergonha nenhuma de dizer que não sei.

Como se divide o dinheiro?

Essa é outra questão que também não tem uma resposta correta. Cada grupo pode criar o modelo que quiser.

A gente na Baobba definiu um critério inicial que nos deixou confortáveis, mas que sabemos que pode mudar. Criamos 3 escalas de faixa de tempo de trabalho.

Mais que 30 horas por semana = Teto,
Entre 15 e 30 horas por semana = 50% do teto
Menos que 15 horas por semana = 25% do teto

A ideia inicial é dividir o dinheiro de todos os projetos entre todas as pessoas. Cada um diz em qual faixa se enquadra no mês e a gente divide. Sem questionar. Confiança é a base da relaçao numa Empresa Livre.

Talvez esse modelo seja justo e suficiente. Talvez a gente tenha que adaptar e separar por projeto. Não sabemos ainda. E a gente vai aprendendo experimentando.

Qual a vantagem de se criar uma Empresa Livre?

A gente montou um time bom sem precisar de um real de investidor.

Como todo mundo tem participação igual nos resultados, fica mais fácil de atrair talentos.

Se a sua ideia por boa, tiver propósito ou for legal, vai ser ainda mais fácil.

Existem milhões de pessoas trabalhando em empregos sem propósito e que estão loucas para fazer parte de projetos que tenham algum tipo de contribuição.

Outra vantagem é que não perdemos tempo fazendo entrevistas, selecionando currículo, fazendo proposta de emprego.

Gostou, vem trabalhar e a gente divide tudo igualmente.

A maior dificuldade de ser um empreendedor é que pra tocar um negócio você tem que fazer muita coisa. São muitas atividades. Se você tem dinheiro, pode contratar funcionários e dividir as atividades. Mas se é pequeno, tem que fazer sozinho.

Uma Empresa Livre usa o conceito de empreender em grupo. Fica muito mais fácil.

Tenho uma ideia e quero montar uma Empresa Livre. Por onde começo?

Um dos principais pilares de uma Empresa Livre é a complementaridade. Acreditamos na força de você fazer aquilo que gosta e sabe e deixar o que não sabe para quem gosta.

Quando você se une pela complementaridade, você aumenta suas possibilidades, porque vocês conseguem fazer mais coisa.

Então, se você quer montar um negócio de terapias, por exemplo. Se você se juntar a outros 5 terapeutas, não vai sair muita coisa. Mas se você unir terapeutas, designers, desenvolvedores e marketeiros suas possibildades se elevam.

Assim, comece listando quais as competências que você gostaria de ter no seu time e busque essas pessoas.

O começo é sempre mais difícil, mas quando você já tem gente no time, fica mais fácil outras pessoas se interessarem.

Tenho um negócio e quero que ele seja uma Empresa Livre. O que devo fazer?

Divulgue o seu projeto. Não pode ter medo de roubarem sua ideia e manter em sigilo. Manter ideias em segredo faz com que ninguém consiga se conectar a você.

Chame as pessoas que você gostaria que estivessem no seu time. Designers, redatores, desenvolvedores. Selecione a primeira leva pensando nas necessidades.

Depois se abra para aumentar o campo de possibilidades. Pessoas novas que você nem esperava que entrassem para o seu time podem aparecer, se oferecer e fazer você sonhar mais alto.

De repente, você percebe que consegue fazer mais coisa. Foi assim que a gente passou de 1 para 4 startups.

Não tenho nenhum projeto ou ideia, mas tenho tempo para me dedicar. O que devo fazer?

Se ofereça. Diga o que sabe fazer, onde já trabalhou, o que gosta de fazer ou qual é o seu sonho.

Conecte-se com os projetos que te interessam.

O que esperamos que aconteça é que as pessoas que têm ideias e projetos abram as portas para quem quiser participar. Sem filtros. Sem entrevistas.

Quero participar, mas tenho um emprego que não quero abrir mão.

Numa Empresa Livre cada um é livre para escolher como quer se envolver. Você pode dizer quando vai trabalhar, no que vai trabalhar e quantas horas por semana. Não existe pré-requisito.

Assim, você pode continuar no seu emprego, tocando sua própria empresa, ou fazendo seus freelas normalmente.

Você pode dedicar somente seu tempo livre e tá tudo bem. Pode trabalhar somente de final de semana e vai agregar muito.

A Baobba é a única Empresa Livre?

A gente criou esse termo, mas já existem outros grupos atuando de forma parecida. A beleza é não ter um único modelo.

Se você tem um projeto de Empresa Livre ou conhece algum, comenta aqui pra gente atualizar essa lista.

Onde vai chegar esse movimento?

Sinceramente? Não sei.

Acho que essa é a graça da coisa. Quando você vai assistir um filme, você não quer saber o final antes. O legal é ir acompanhando o andamento.

Acho que é a mesma coisa aqui.

Eu acredito que vamos criar um sistema novo que vai continuar existindo com os modelos antigos. Teremos pequenas e médias empresas, startups com investidores e fundos de private equity, empresas de capital aberto, ONGs, negócios sociais e Empresas Livres.

O mundo é muito grande e tem lugar para todos.

Quer saber a minha opinião? Eu acho que isso vai crescer e mudar a economia.

Acompanhe meu raciocínio. Um jovem de 19 anos quer começar a trabalhar e tem duas opções.

1- Trabalhar numa empresa livre, fazer o que gosta e ganhar o mesmo que todos

2- Trabalhar na IBM ou Ambev, ter hora pra entrar e sair e ganhar um salário.

Parece óbvia a escolha, não?

Mas para essa escolha poder existir, temos apenas que fazer o nosso sistema prosperar para surgirem cada vez mais oportunidades. Mas quando pessoas de bom coração se unem em trabalhos com propósito, acho difícil não sair coisa boa.

E aí talvez a IBM e a Ambev tenham que se adaptar para não ficar para trás e perder os novos talentos que vem por aí.

Talvez isso fique grande e mude a economia. Talvez seja apenas temporário até que apareça um sistema melhor. Talvez a gente veja que não tem continuidade e evolui pra outro sistema. Enquanto isso a gente vai se divertindo experimentando e aprendendo.

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Onde posso saber mais?

Entre no grupo do Facebook: Empresa Livre

Assista o hangout descontraído que eu e a Carol Fuga fizemos. Link do hangout.

Leia esse texto onde compartilho como começou. Link do texto.

Mande suas dúvidas aqui.

A ideia é que esse material seja dinâmico e esteja em constante evolução.

Baobba Blog

Insights sobre uma Empresa Livre

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