A era das criptomoedas | Ano 4–8ª edição
A tecnologia possibilita aos seus usuários serviços cada mais mais modernos. Um deles é a possibilidade de realizar transações monetárias via internet e com uma moeda própria para isso
Rene Araújo

A facilidade em transações pela internet vem atraindo novas formas de pagamentos. Se há décadas as pessoas utilizavam o dinheiro em espécie, cheques e os mais recentes cartões magnéticos, hoje é possível realizar compras no mundo inteiro através de transações simples, rápidas e descomplicadas. A utilização das criptomoedas vem ganhando muitos adeptos — 90% só nos últimos seis meses. A Bitcoin, moeda (ou ativos digitais para os economistas) mais conhecida atualmente e criada há mais de 10 anos, já movimentou mais de 150 bilhões de dólares no mundo.
Trata-se de uma moeda digital que vale como se fosse qualquer outra moeda para realizar uma compra, mas não tem ligação com o governo e nem com os bancos. Todo o processo é feito através da internet por uma rede de computadores — o chamado blockchain impede que ocorra fraudes na transmissão de dados –, mas Marcelo Baggio, professor de economia na Faculdade Anhanguera de Indaiatuba/SP, alerta que “tais condições abrem espaço para fraudes, e com as criptomoedas não será diferente. Países como China, Rússia e Coreia do Sul estão preocupadas com essas grandes movimentações, principalmente em relação a cobranças de impostos e criar uma lei regulamente melhor para esses investimentos”. Aqui no Brasil, todas as movimentações precisam ser declaradas na Receita Federal.

Mas apesar da procura, os investidores precisam ser cautelosos, pois esses ativos digitais são muito instáveis, isto é, os valores mudam muito rapidamente, tornando um mercado de risco. Para Baggio, “seria um investimento adequado para quem não precise do dinheiro com urgência — é quase impossível acertar com frequência com esses altos níveis de volatilidade”. Em abril deste ano, 1 B$ (bitcoin) valia R$ 32.292,00. Quando uma pessoa compra uma Bitcoin, na verdade ela compra um fragmento da moeda. Esse valor é intermediado por uma empresa responsável: as Exchange — ou casa de câmbio [veja no infográfico abaixo].

Fica difícil não imaginar como será o mercado financeiro nos próximos anos. Praticamente tudo está digitalizando e o sistema monetário conhecido hoje poderá passar por grandes mudanças.
“É certo que, com o aumento da procura e aceitação das criptomoedas no mercado, os governos intervirão com normas e os Bancos Centrais criarão regras definitivas de operação”.
Por outro lado, podemos ter consequências negativas se não houver um controle desse capital. Como não se trata de uma moeda produzida pela Casa da Moeda, o Banco Central não possui controle — de forma oficial — sobre suas movimentações, facilitando o uso ilícito da moeda, como lavagem de dinheiro. “O uso da moeda lida com muitos efeitos econômicos como inflação, taxa de juros, liquidez, entre outros; a falta de emissão de criptomoedas seria desastrosa à economia de qualquer país sem controle desse processo”, finaliza Marcelo.

