A profissão das profissões

O professor é a figura mais importante quando se fala em profissão. É a profissão que forma todas as demais. Sem o professor, dificilmente teríamos evoluído tanto em aspectos científicos e tecnológicos.

por Bruno Golfeto Timóteo

Estudantes de escola pública, de Jundiaí, durante atividade na sala de televisão (Foto: Mateus Storti)

No dia 15 de outubro, comemoramos o dia do professor. Em 1827, D. Pedro I instituiu um decreto que criou o Ensino Elementar no Brasil, culminando na criação das escolas de primeiras letras em todas as cidades e vilarejos do país, além de estabelecer a regulamentação dos conteúdos a serem ministrados e das condições de trabalho dos professores.

Passados 120 anos, em 1947, Salomão Becker, um professor paulista, junto a demais profissionais da educação, criou, nessa data, um dia de confraternização para homenagear os professores. A oficialização da data ocorreu no ano de 1963, através do Decreto Federal 52.682, no qual consta em seu Art. 3° que “para comemorar condignamente o dia do professor, os estabelecimentos de ensino farão promover solenidades, em que se enalteça a função do mestre na sociedade moderna, fazendo delas participar os alunos e as famílias”.

No Brasil, a profissão de professor está cada vez mais desvalorizada, tanto pelo governo, que muitas vezes não oferece incentivo nem estrutura aos educadores, e também por parte dos alunos, que se mostram cada vez mais desinteressados pelo conteúdo passado em sala de aula, tornando o trabalho do professor cada vez mais difícil. E toda essa situação reflete no fato de, atualmente, a demanda de alunos interessados pela docência estar diminuindo. De acordo com uma pesquisa realizada pela Universidade de São Paulo (USP), com alunos dos cursos de licenciatura em Física e Matemática da referida universidade, 50% deles não pretendem lecionar no futuro. A pesquisa mostra ainda que a maioria dos estudantes optou por cursos em licenciatura devido a menor exigência do vestibular e a gratuidade do curso.

Para Roselaine Bisso Silveira Leite (41), professora há 22 anos, formada em História Plena pela Universidade Metodista de Piracicaba (Unimep), as maiores mudanças que ocorreram desde o início de sua carreira até hoje, foram as leis da educação. “Além das constantes mudanças sociais, as leis sobre a educação também sofreram diversas alterações, sendo a mais questionada a progressão continuada, onde o aluno avança a série na escola sem necessariamente ter acompanhado o conteúdo. Entende-se que o aprendizado é uma espiral, esse conteúdo pode ser recuperado na série seguinte”, explica a professora, que considera que um dos maiores desafios no dia a dia do professor seja o desinteresse de grande parte dos alunos. Ela fala que, apesar do desinteresse existir, na sua opinião, isso está começando a mudar. “Acredito que o desinteresse, entre tantos outros motivos, está na falta de visão de futuro. Porém, programas como o Enem e o Prouni, vêm facilitando o acesso de muitos alunos às universidades e, consequentemente, o interesse nos estudos, lentamente, vem se recuperando”.

Do Ensino Médio à Faculdade

Durante todo o Ensino Médio, os alunos são preparados para o vestibular, e quando chegam no último ano, para muitos, a tensão aumenta, pois finalmente é chegada a hora de pôr em prática todo o conhecimento adquirido. Além disso, para os indecisos, ainda tem a dura decisão de qual curso superior escolher.

A aluna Ana Laura Campos de Almeida (17) se considera uma boa aluna, especialmente na área de exatas, e diz que, ao concluir o Ensino Médio, pretende ingressar no curso de Engenharia Civil, e que é muito importante que o aluno se esforce. “Aqui na escola, os professores te dão a matéria, porém, se você quiser passar em uma boa faculdade, você precisa ir além. Eu penso que, se você deseja algo maior, é necessário que você vá atrás para conseguir”.

Ela ainda ressalta que, na sua opinião, todos deveriam ter algum grau de estudo, além do Ensino Médio. “Se está difícil para quem estuda, imagina para quem não estuda. O estudo é algo muito importante, e as pessoas deveriam fazer ao menos um curso técnico, para se aprimorar”. E o apoio que vem de dentro de casa, com os pais, segundo a estudante, foi fundamental para que continuasse a se empenhar na escola. “Eu sempre gostei de estudar, não faço isso porque sou obrigada. Devido a esse meu esforço, para mim, sempre foi mais fácil tirar boas notas, e por isso, hoje meus pais confiam mais em mim”, afirma.

Sobre seus professores, Ana Laura diz que eles foram muito importantes em sua trajetória estudantil. Ela ressalta que uma das coisas que mais chamou sua atenção foi o fato dos mesmos sempre motivarem seus alunos. “Eles nos incentivaram a sempre melhorar, desde o primeiro colegial, nos motivando a estudar para o vestibular, pra que a gente possa ingressar em uma boa universidade. Tenho professores substitutos, e gosto muito deles, mas os professores fixos, que estão comigo todo dia, estes eu irei levá-los para sempre comigo”, comenta. Ela ainda fala que a característica que ela mais valoriza em seus professores é a de eles se importarem com os alunos, enxergando neles um potencial que eles próprios não conseguem enxergar. “É isso que eu mais valorizo em um professor. Além de ensinar, dizer que você pode, que você consegue, e digo com toda certeza, meus professores serão lembrados por mim pela minha vida inteira”.

Relação entre professor e aluno

Sueli Zambianco Souza (55) é professora há mais de 25 anos, e dá aulas de Língua Portuguesa para o ensino fundamental e médio, na cidade de Lavínia, interior de São Paulo. Fez magistério em Lavínia e formou-se em Letras pela UniToledo, de Araçatuba. “Mesmo com as dificuldades que enfrentamos na profissão, agradeço a Deus por dar-me a oportunidade de conviver com seres humanos tão diferentes, mas ao mesmo tempo tão iguais, pois precisam do professor para completar suas trajetórias”, afirma a professora.

Atualmente, Sueli está aposentada, mas continua exercendo o cargo de professora, e confessa que, eventualmente, encontra-se a refletir sobre o ato de ensinar. “Acredito que somos designados por Deus, pois quando criança, eu ficava encantada com meus professores, e minha brincadeira favorita era dar aulas para meus primos e amigos”, revela. Ela conta, com orgulho, que sente-se encantada quando vê um aluno aprender a ler e a escrever. “Além de professora, viro mãe, avó, tia, psicóloga, médica e o que mais for necessário para que o aluno compreenda a importância do saber”.

Sueli é enfática ao dizer que o professor, apesar de tantos problemas, não pode deixar-se abater. “Nada pode nos desencantar, mesmo que haja desilusões, falta de apoio e incentivo; o ato de ensinar é gratificante, e nos torna mais humanos, com o convívio e a possibilidade de ver os alunos direcionados em uma profissão, na família e na sociedade. Quantos já passaram por nossas vidas, e é prazeroso quando nos encontramos e recordamos tudo que juntos passamos. Amo ser professora!”.