ENEM 2017, mudanças para a inclusão?

Por Camila Moreira

Na reta final das inscrições para as provas, mudanças nas regras podem afetar a vida de muitos dos que irão participar dos exames.

O Exame Nacional do Ensino Médio, ENEM, de 2017 apresenta grandes mudanças em relação a suas edições anteriores, quando as provas eram feitas em um único final de semana e os estudantes poderiam utilizar a prova para conseguir o certificado de conclusão do ensino médio.

Neste ano, as aplicações irão ocorrer em dois domingos, 05 e 12 de novembro, visando redução de gastos e o bem estar dos estudantes sabatistas, que por questão religiosa não podem fazer atividades ate o por do sol de sábado. De acordo com o INEP, devido às despesas extras com os estudantes que fizeram a prova noturna, o governo gastava R$16,39 a mais com cada estudante deste horário. Em 2016, 76 mil sabatistas fizeram o ENEM e o gasto com a aplicação foi de aproximadamente R$646 mil.

Felipe Bera Barros, 20 anos, prestou ENEM nas edições de 2014 e 2016, na primeira optou por não fazer como sabatista. Já no ultimo ano teve de esperar o por do sol para começar a prova, que se estendeu das 19h00min ate às 22h20min.“foi uma experiência nova, apesar das regras,foi permitida a conversa entre os alunos da mesma sala e tivemos ate um momento de diversão, onde os alunos das 3 salas começaram a cantar. Pouco antes das 19 horas um dos alunos de cada sala se levantou para poder fazer um culto”.

Certificação do ensino médio

Além de ser um processo seletivo para o ingresso à faculdade, até 2016, o ENEM servia tambem para se conquistar o diploma do ensino médio, nos últimos 3 anos a media de pessoas que se inscreveram com esta intenção foi de 994 mil por edição. No ano passado das 8,6 milhões de inscrições, das quais 1, 076,092 declararam que queriam adquirir o diploma, mas, somente 7,7% obtiveram êxito.

Para se obter o diploma via ENEM, o estudante tinha que ter 18 anos completos até o dia da prova, tirar 450 pontos nas provas objetiva e 500 pontos na redação. Entretanto, o MEC permitia que o candidato utilizasse a nota de duas edições diferentes para atingir a média, por exemplo, se ele conseguisse alcançar a pontuação mínima em metade da prova, no outro ano seria necessária fazer somente a outra metade.

Mariana Etinger, 20 anos, se candidatou a prova nos anos de 2014 e 2015, mas não conseguiu o diploma. “Acho que o ENEM deveria ser mais adequado a esta necessidade dos estudantes, por isso, acho que a mudança que esta sendo feita vai ser ótima”.

Uma das mudanças do ENEM 2017, é que ele não terá mais essa função, para conseguir o documento será necessário fazer o Exame Nacional de Certificação de Competências de Jovens e Adultos ( ENCCEJA). No ano de 2016 o ENCCEJA não foi realizado, em nota, o INEP informou que a nova gestão assumiu o controle da pasta e não encontrou previsão para a realização da prova. Para este ano a prova já esta prevista, mas ainda não foram divulgadas as datas.

Inclusão

Em Sorocaba, a Associação Transgênero de Sorocaba — ATS trabalha como facilitadora na inclusão de transgêneros no mercado de trabalho, para Thara Wells, coordenadora geral da associação “O foco do curso capacitação, inclusão, integração, sociabilização daqueles que não puderem concluir estudos por bulling e preconceito e exclusão”.

O curso já existe em outros estados e foi readequado à demanda da cidade, o projeto é realizado através de simpatizantes e professores voluntários. De inicio foram 27 inscrições, mas há a frequência de 15trans, a coordenadora explica, “ Recebemos doações de material escolar, o local também é cedido. Temos a professora Edimeia Pereira nossa coordenadora pedagógica, dividiu o curso em dois módulos: Revisão ensino fundamental, Ensino Médio.”