O comércio de alimentos cresce dentro das universidades

As despesas dos alunos são altas e muitos utilizam a venda de alimentos para ajudar a fechar a conta no fim do mês

(Especial Tá no Foco)

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Ter um curso superior é considerado um dos requisitos mínimos para as vagas ofertadas atualmente e, além disso, o estudo traz aprimoramentos e bagagem pessoais para qualquer pessoa. Mas, ingressar em uma faculdade não é tão fácil como parece, pois os gastos com mensalidade, transporte, alimentação e trabalhos são altos. Dessa forma, os alunos precisam achar uma saída para dar conta das despesas e não desistir de estudar. Muitos encontram na venda de alimentos a solução de seus problemas.

No Ceunsp, o aluno de jornalismo Demetrius Junior encontrou na venda de brigadeiros a renda extra para ajudar nos gastos. “Quem me deu a ideia de vender brigadeiros foi a minha avó, pois ela sempre gostou de fazer doces e disse que me ajudaria”, conta o estudante que utiliza o dinheiro para pagar a van. “Meu transporte até a faculdade custa R$ 380,00, geralmente não consigo pagar tudo, mas o dinheiro que entra já é de grande ajuda”, explica.

Os gastos com trabalhos da faculdade também não ficam para traz e o campeão em despesas é o TCC. Para conseguir deixar o projeto do jeito que os alunos imaginaram, é preciso investir em vários materiais e serviços. Um grupo do curso de Rádio e TV está produzindo uma série de humor, e terão que desembolsar mais de R$ 2.000,00 para custear o trabalho. “Nós começamos vendendo Kinder Ovo, mas não tivemos muito retorno financeiro, então optamos por vender bolo”, relata a aluna Laudicéia Pereira, integrante do grupo. Laudicéia, porém, revela que depois essa opção também não deu certo. “Ficou muito corrido para as pessoas que faziam os bolos e nós acabávamos não conseguindo vender todos os dias”, explica. O estudante Lucas Barbosa também faz parte do grupo e explica que agora o que está trazendo lucro é a venda de trufas. “Nós encontramos um fornecedor em Sorocaba que também é chefe de cozinha formado na Irlanda, ele está fazendo trufas gourmet para nós e as vendas estão sendo um sucesso”, destaca.

Embora as vendas contribuam muito para o auxílio dos alunos, na faculdade também existe o comércio próprio de alimentos e essa concorrência pode gerar uma diminuição no lucro do estabelecimento, como explica Jean Salviano, responsável pela cantina da faculdade que tem a venda de alimentos como profissão. “Essa prática dos alunos atrapalha bastante as nossas vendas, pois se alguém vende um alimento dentro da faculdade, nós deixamos de vender aqui”, declara e explica que não conseguem estabelecer um preço dos produtos igualado ao dos alunos, visto que possuem maiores gastos. “Nós pagamos aluguel, energia, impostos e funcionário, portanto não conseguimos vender os produtos por preços mais baixos, caso contrário nós teremos prejuízos.”

Nessa concorrência quem ganha é o bolso do consumidor, que acaba economizando. “Os valores dos alimentos vendidos pelos alunos são mais acessíveis do que na cantina, então além de ajudá-los a levantar dinheiro, também consigo economizar”, explica a estudante de jornalismo, Juliana Guimarães que também percebe que dessa forma os alunos têm maior opção de escolha para se alimentar. Para o estudante de cinema Julio Mascarenha, que tem um estilo de vida vegano, as opções acabam sendo repetitivas e geralmente ele precisa trazer algo de casa para se alimentar. “É legal a iniciativa dos alunos de conseguir dinheiro para ajudar nos custos, mas eu acabo não consumindo, pois não tenho opção para meu estilo de alimentação.”