O discurso de Dilma no julgamento de seu impeachment

(Foto: Marcos Oliveira/Agência Senado)

A presidente afastada Dilma Rousseff realizou um discurso aos senadores que durou 45 minutos, durante o julgamento de seu impeachment, na manhã desta segunda-feira (29). Realizou críticas ao presidente interino Michel Temer, Eduardo Cunha e “setores da elite econômica e política” que supostamente foram contrariados por seu governo.

Seu discurso foi incisivo, reafirmando sua inocência e a arbitrariedade do processo contra ela. Falou sobre se tratar de um “golpe parlamentar” e relembrou golpes realizados na América Latina “sempre que interesses de setores da elite econômica e política foram feridos pelas urnas”.

Afirmou não ter cometido o crime que está sendo acusada

“Não cometi os crimes dos quais sou acusada injusta e arbitrariamente.”

“ Foi criado assim o desejado ambiente de instabilidade política, propício a abertura do processo de impeachment sem crime de responsabilidade.”

“Viola-se a democracia e pune-se uma inocente. Este é o pano de fundo que marca o julgamento que será realizado pela vontade dos que lançam contra mim pretextos acusatórios infundados.”

Reforçou seu discurso de se tratar de um golpe

“São pretextos para viabilizar um golpe na Constituição. Um golpe que, se consumado, resultará na eleição indireta de um governo usurpador.”

“Estamos a um passo da consumação de uma grave ruptura institucional. Estamos a um passo da concretização de um verdadeiro golpe de Estado.”

“Faço um apelo final a todos os senadores: não aceitem um golpe que, em vez de solucionar, agravará a crise brasileira.”

Afirmou que o impeachment se trata de uma chantagem de Eduardo Cunha

“Todos sabem que este processo de impeachment foi aberto por uma “chantagem explícita” do ex-Presidente da Câmara, Eduardo Cunha, como chegou a reconhecer em declarações à imprensa um dos próprios denunciantes.”

Relembrou a época do regime militar

“Este é o segundo julgamento a que sou submetida em que a democracia tem assento, junto comigo, no banco dos réus. Na primeira vez, fui condenada por um tribunal de exceção.”

“Hoje, quatro décadas depois, não há prisão ilegal, não há tortura, meus julgadores chegaram aqui pelo mesmo voto popular que me conduziu à Presidência.”

Falou sobre democracia

“Exercendo a Presidência da República tenho honrado o compromisso com o meu país, com a Democracia, com o Estado de Direito. Tenho sido intransigente na defesa da honestidade na gestão da coisa pública.”

Classificou o impeachment como uma ameaça aos direitos

“A revisão dos direitos e garantias sociais previstos na CLT e a proibição do saque do FGTS na demissão do trabalhador são ameaças que pairam sobre a população brasileira caso prospere o impeachment sem crime de responsabilidade.”

Leia a íntegra do discurso de Dilma Rousseff no Senado clicando aqui

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