Altruísmo e empatia podem fazer a diferença na sociedade

Atualmente, a mídia jornalística mostra, em sua maioria, a violência extrema. Entretanto, um público vem se destacando por ser distinto e ousado: são os altruístas. Segundo o dicionário Aurélio, o termo altruísta “é um adjetivo que define o ser humano praticante do altruísmo, ou seja, dedicado aos outros”, e é também sinônimo de solidariedade, são pessoas generosas e de bem com a vida.

(Foto: Getty Images)

Estudos constatam que fazer o bem deixa as pessoas com sentimentos melhores, com sensação de leveza e de dever cumprido. Crianças que compartilham seus brinquedos e merendas são mais felizes do que brincando ou lanchando sozinhas.

O costume de ser solidário vem ganhando espaço na mídia, exatamente por serem raridades entre adultos, a solidariedade e a ética aprendidas quando crianças.

O período pré-escolar é uma base para a educação e nesse tempo ela começa a conhecer os mecanismos de interação entre as pessoas. A pedagoga Valéria Valadares (41) explica que muitas crianças já chegam egoístas à escola e que é nesse espaço educacional que elas contatos com outras maneiras de se relacionarem com as pessoas. “Aqui, ensinamos com várias dinâmicas, mostrando que nem tudo é só ganhar”, afirmou.

Ela ainda contou como se ensina às crianças a se alegrarem com as vitórias do colega. “Quando um ganhar e o outro não, precisamos conscientizá-los para não sentir ciúmes. De uma forma lúdica, trabalhamos isso com os alunos. Percebo não só aqui na escola, mas, em outros lugares que frequento, que a criança é mais alegre quando está em grupos”, explicou.

Valéria afirma que não só a criança, mas o ser humano em geral, se sente melhor em companhia de outras pessoas. “Afinal, quem é feliz sozinho?”, indaga. “Todos nós precisamos viver em sociedade e, de preferência, fazendo o melhor”, afirma.

(Foto: Redacao_Hypeness)

Keylla Ferreira dos Santos (30) disse que as pessoas estão fazendo o bem esperando recompensa. “Tudo que se faz tem de ser feito com amor, é como se fosse feito para mim. Atitudes fazem toda a diferença para nossa sociedade e nossa realidade. Para mim, é um sentimento de gratidão”, relatou.

Ela se considera uma pessoa altruísta. Keylla contou sobre quando achou uma carteira com uma grande quantia de dinheiro. Por conhecer o dono, foi atrás dele e a devolveu. “Vejo esse ato como um aprendizado que meus pais me deram, não passou de minha obrigação. Se não é meu, tenho que devolver”, falou.

Embora tenha havido uma melhora, percebe-se a sociedade dos dias atuais muito distorcida, com valores e respeito bem diferentes das décadas passadas. Contudo, o respeito continua desaparecido de nossa sociedade. Além da expressão altruísta, a outra palavra-chave é empatia. Segundo o dicionário Aurélio, o termo empatia significa “a capacidade psicológica para sentir o que sentiria uma outra pessoa, caso estivesse na mesma situação vivenciada por ela”, ou seja, consiste em tentar compreender sentimentos e emoções, se colocar no lugar do outro.

A psicóloga Raphaella Garcia (30) disse que o altruísmo vai muito além de ajudar o próximo. “É fazer a diferença para si mesmo. O sentimento foi de satisfação e bondade ao ver a outra pessoa tão satisfeita. Entra também a empatia, porque se eu estivesse no lugar da pessoa eu gostaria de receber. Foi uma atitude automática devido as minhas crenças”. Ainda segundo ela, são as atitudes boas que fazem toda a diferença em nossa comunidade. “Exemplos bons são ótimos a serem seguidos, transformadores e mostrados na mídia, porque tornam comuns essas atitudes”, pondera.

No início de agosto deste ano, viralizou na internet o caso do jovem Matheus Inácio Souza que, após um descuido, bateu em um carro de luxo e o arranhou. Como o dono não estava no veículo, o rapaz deixou um recado no para-brisa com os seguintes dizeres:

(Foto: Matheus Souza/Arquivo Pessoal)

Em entrevista ao G1, Matheus disse não ter conseguido acompanhar as mensagens, devido ao grande número. Ele explicou ter escrito o bilhete no intuito de se desculpar e deixou seu contato.

Para Renato Santos (35), mestre de obras, ser altruísta é viver de bem com a vida. “Já fiz favores para muitas pessoas e me senti bem em praticá-los”, disse.

Ele contou sobre uma situação em que precisou da empatia e da solidariedade dos outros. “Anos atrás, eu adoeci e, sem saber direito o que tinha, algumas pessoas arrumaram para mim o médico especialista que eu precisava. Sem saber onde era o consultório, um amigo me levou e ficou o tempo todo comigo, além do apoio que recebi de vários outros”, lembrou. E continuou: “Nessa vida sei que existe a lei do plantar e colher e é bem assim que acontece mesmo. Se nós praticarmos o bem, com certeza, vamos colher em dobro”, afirmou.

Esses são exemplos capazes de fazer o ser humano pensar e repensar em atitudes transformadoras e de inspiração. Essas, geralmente, viralizam ou são pautadas por serem atos que, perdidos com o tempo, se tornam hoje raridades.

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