Aposentados se reúnem na praça Nossa Senhora Aparecida para jogar baralho

Movimentação de idosos tem chamado a atenção de quem passa pela Praça da Cotia, em Cláudio-MG

Aposentados jogando baralho. (Foto: Érica Pereira)

Há mais de 20 anos a Praça da Cotia como é conhecida popularmente em Cláudio-MG, é palco de boas histórias, grandes experiências e muita vitalidade. Quem é que não gosta de se divertir com os amigos jogando uma boa partida de truco? Ou mesmo se assentar nos bancos de uma praça e contar aquele “causo” bom? Difícil achar quem não goste.

A praça Nossa Senhora Aparecida, nome oficial, é um dos importantes pontos de encontro de idosos para o lazer na cidade. Já é tradição por lá o simples fato de muitos aposentados se reunirem ali, todos os dias, para conversarem e jogar uma boa partida de baralho.

As horas não esperam, o tempo passa muito rápido, o ritmo de trabalho fica pesado, as costas começam a doer e já não é mais possível viver na mesma correria. Após anos de trabalho as pessoas ficam ansiosas pela chegada do tão sonhado tempo livre, que chamamos de aposentadoria. Ela chega, mas e agora o que fazer com esse tempo livre?

Todos trabalham arduamente todos os dias e por um bom tempo, para que em algum momento possam gozar desse trabalho. Essa fase de aposentado é maravilhosa, embora possa apresentar grandes mudanças. Pois o trabalhador estava acostumado com o ritmo, com o movimento, com a equipe, e de repente fazer aquela pausa longa se torna uma grande mudança. Mas ainda assim, é possível se manter ocupado e se divertindo nesse tão sonhado tempo livre.

José Alves Gonçalves de 66 anos, trabalha na Secretaria da Paróquia da cidade, ele ainda não é do grupo de aposentados, no entanto conhece muito bem essa história. Segundo ele durante todos os dias da semana, quem passa por ali consegue perceber uma grande movimentação de pessoas, causada pela reunião desses aposentados.

Senhores jogando baralho na Praça da Cotia em Cláudio-MG.(Foto: Érica Pereira)

“Jogam pife, truco e contam causo. São amigos de amigos que se reúnem, é algo próprio deles mesmo. Eles combinam de encontrar aqui, vai chegando um, outro e de repente a praça está cheia”. Além dos participantes dos jogos há muitos espectadores, eles se alegram apenas em observar as partidas muito emocionantes.

De acordo com o sociólogo francês Joffre Dumazedier, o lazer é definido como sendo o tempo que cada um tem para si. Representa o conjunto de ocupações não obrigatórias às quais o indivíduo pode se entregar de bom grado, seja para repousar, para se divertir, para desenvolver sua informação ou formação desinteressada, sua participação social ou sua livre capacidade criadora, depois de liberado de suas obrigações profissionais, familiares e sociais.

Além dos aposentados e espectadores, muitos jovens também participam das partidas e aprendem muito. “Ver os idosos se reunindo ali e se divertindo é uma forma deles passar o tempo livre. Durante a semana os jovens trabalham, por isso estarão ali mais aos fins de semana. Mas muitos da minha idade também participam” nos conta Luís Antônio Damas de 18 anos.

(Foto: Érica Pereira)

O bom humor esta sempre presente e os jogos são apenas para a diversão. Tanto que Geradinho, um senhor que pediu para ser identificado assim, nos conta algo que para ele é engraçado.“Quando morre alguém aqui e que frequenta muito a praça, logo já combinamos de ir ao velório. Comigo mesmo sempre acontece algo engraçado, nossos nomes são muito parecidos e sempre acontece enganos. Batem na minha porta para consolar minha família e percebem que estou bem ali. Ainda bem” nos conta dando gargalhadas.

Com a grande movimentação nessa região a administração da cidade, nos últimos anos, tem trabalhado para revitalizar esses ambientes de lazer e proporcionar mais conforto a população. Existem outros pontos de encontro parecidos com este pela cidade, no entanto esse é o mais movimentado.

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