Falta de segurança na UEMG Divinópolis preocupa estudantes

Monitoramento falho e acesso à Universidade são alguns assuntos discutidos pela comunidade acadêmica

(Foto: Divulgação / Assessoria UEMG Divinópolis)

Uma das principais características das universidades públicas diz respeito a facilidade de acesso tanto para alunos, quanto para a comunidade em geral. Muitas vezes não existe monitoramento do fluxo de pessoas que entram e saem desses locais de ensino. Dessa forma, até que ponto a segurança pública é garantida aos estudantes?

A Universidade do Estado de Minas Gerais possui 19 campus por todas as regiões do estado. O registro atual de estudantes com matrícula ativa até o primeiro semestre desse ano é de 20.756. A Unidade de Passos conta com o maior número de alunos, sendo 4.720. Divinópolis fica na segunda posição (3.642), seguida ainda por Ituiutaba, com um total de 2.292 alunos. Além disso, há de se contabilizar o corpo docente e o técnico-administrativo, diretamente ligados à instituição.

Com tantas pessoas circulando nesses espaços, o monitoramento de quem frequenta a Universidade é um dos maiores desafios para a reitoria e para as direções administrativas e acadêmicas das unidades. Nessa dinâmica, com alguns episódios de violência dentro e ao redor da UEMG, discute-se a real necessidade da implantação de sistemas eficazes para resolver a situação. Contudo, por se tratar de um espaço público, o acesso deve ser livre para qualquer pessoa que queira adentrar no local.

Segundo Thamires Santos, estudante de Letras da UEMG Divinópolis, a sensação de insegurança é ainda maior no período noturno. “Não me sinto muito segura. Alguns pontos são mal iluminados, com muitas áreas abertas. Querendo ou não, isso facilita a entrada de pessoas suspeitas na universidade. Vejo a UEMG muito inerte quanto a isso”, ressaltou.

Já para o vigilante da instituição, Welbert Gaipo, contratado por meio de terceirização, apesar da dificuldade em conseguir controlar o fluxo de pessoas, nunca houve grandes problemas. Porém, ele relembra o incidente que ocorreu em 2016. “É normal que entre e saia bastante pessoas. Não temos muitos problemas, a não ser o episódio trágico no ano passado, com o arrastão no ponto de ônibus aqui perto e a morte de um adolescente”.

Insegurança

Pouco mais de um ano, em junho de 2016, um jovem de 18 anos morreu e um adolescente de 15 anos foi apreendido em frente a UEMG Divinópolis. Os dois haviam assaltado cinco pessoas em um ponto de ônibus, ao lado da instituição de ensino.

De acordo com a Polícia Militar e algumas testemunhas, o jovem não acatou a ordem, fazendo com que o militar efetuasse o disparo. A vítima foi atingida no tórax, chegou a ser socorrida pelo Corpo de Bombeiros e levada até a Unidade de Pronto-Atendimento (UPA), mas não resistiu. Uma arma e quatro celulares furtados foram recolhidos pela polícia.

Ainda segundo a PM, durante a perícia no revólver que estava com o jovem, verificou-se que a arma se encontrava com munição e engatilhada. O adolescente de 15 anos, que teria participação no roubo, foi levado à Delegacia da Polícia Civil. O oficial, por força legal, permaneceu no quartel do 23º Batalhão. Ele aguardou a manifestação da Justiça Militar, que o absolveu diante da situação.

A partir disso, foi feita uma reunião com membros da Associação Comunitária para Assuntos de Segurança Pública (Acasp), juntamente com representantes do poder público. Desde então, houve um aumento na contingência e ronda de militares pelos bairros universitários, além da colocação estratégica de viaturas nas portas das instituições de ensino da cidade. Os estudantes também se posicionaram, organizando manifestação em prol da paz.