Mídias digitais elegem políticos na última eleição municipal

Como a força das mídias digitais modificou o cenário político brasileiro

A eleição municipal de 2016 evidenciou um fato crescente no cenário político: o uso das mídias digitais nas campanhas eleitorais. Com essa nova vertente, os candidatos tiveram que se adaptar, usando uma nova linguagem para serem eleitos. Em meio a esse quadro, os políticos que têm mais facilidade em lidar com o público nessa nova plataforma, se destacaram e conseguiram utilizar essa ferramenta de maneira positiva.

Na região centro oeste de Minas, podemos citar duas figuras até então desconhecidas no meio político que descrevem essa nova realidade, os vereadores Cleiton Gontijo de Azevedo, 34, de Divinópolis, conhecido como Cleitinho e Iago Souza Santiago, 24, de Itaúna, conhecido como Pranchana Jack.

Em um bate papo descontraído com o Portal Vertentes, o jornalista formado pela PUC Minas e professor do curso de Jornalismo da Faculdade Pitágoras, Elias Costa, contou como as mídias digitais influenciam na carreira dos políticos e sobre sua experiência como assessor de imprensa na área.

Jornalista Elias Costa. (Foto: Reprodução/Facebook)

Portal Vertentes: Elias qual é sua experiência com as mídias digitas no campo da política?

Elias Costa: “Nós vivemos numa época muito boa, para trabalhar com oportunidades nas mídias digitais e essencialmente para políticos que são pessoas que tem por obrigação prestar contas. Abriu-se um canal muito bom para relacionamentos, nós sabemos as noticias chegam e precisam ser mais comentadas, precisa tomar certos cuidados, para não ter uma linguagem errada, ou não seja bem interpretado. Hoje em dia, da mesma forma que você tem um conteúdo bom e pessoas dispostas a conversar, a debater e fazer debates positivos para sociedade tem os contras, que pode fazer um trabalho de desinformação. É um cenário muito interessante!”.

PV: Qual a relação dos políticos com as mídias sociais atualmente?

EC: “Eu posso dizer um pouco sobre minha experiência e do que eu vivenciei um pouco. Até certo momento, eu acredito que os políticos tinham medo, bastante medo, porque antes, na mídia tradicional, como rádio e tv, os políticos ocupavam esse espaço e só emitiam opinião, a relação de recebimento da opinião era quase nula. A partir do momento do advento das redes sociais, o político não tem só que emitir, ele tem que receber e interagir, ou seja, gerar um relacionamento. Muitos políticos já se adequaram a isso, já estão trabalhando isso bem. Mas ainda existem aqueles que têm certo medo. Quando você está nas redes sociais você tem que está disposto a debater e esclarecer num canal de comunicação. E tem políticos que ainda não sabem o melhor jeito de comunicar, qual linguagem usar, muitos não estão preparados para trabalhar nesse ambiente, e acaba ocorrendo erros e falhas até um gerenciamento de crise.”

PV: Você acha que as mídias sociais contribuíram para os resultados das últimas eleições?

EC: “Eu acho que sim. Desde a reeleição do Obama, que foi um presidente que conseguiu mobilizar, criar uma militância muito forte, e outros países foram copiando e o Brasil também. A eleição de 2010 foi um começo, a de 2014 uns 25%, a ultimo pode dizer que foi uns 50%, a do ano que vem vai beirar os 100%. Vivemos em uma era de obrigação da informação, as pessoas estão mais cientes dos papeis delas na sociedade, cobram mais, criticam mais, será um fator preponderante.”

PV: Em Divinópolis o vereador Cleiton Gontijo, o Cleitinho, usou muito dos recursos das mídias digitais na sua eleição, como você avalia?

EC: “O vereador Cleitinho é bem sucedido até mesmo pela postura que ele se coloca, sempre muito acessível, como uma linguagem bem popular e fácil de ser atingida. Ele levanta algumas bandeiras que as pessoas têm fácil entendimentos e conexão. A nível regional, eu posso citar alguns deputados que conseguem fazer esse trabalho, de acordo com suas bases e bandeiras também, mas ainda temos que crescer, tem muito a ser feito. No cenário nacional já temos bons exemplo, tanto pra bem quanto pra mal, sem entrar na questão política, Jair Bolsonaro, por exemplo, trabalha bem na sua linha. João Doria que trabalha bem também a sua imagem nas redes sociais. Mas ainda existe um logo caminho para esses políticos se sinta mais à vontade, porque na verdade quem não se adaptar a esse novo modelo de comunicação irá cair fora do jogo. Você precisa ter esse vínculo.”

É evidente como as mídias sociais contribuem na atualidade para a evolução da carreira de um político. Com isso, fica clara a necessidade de analisar as mídias sociais como ferramentas capazes de tornar a política uma área mais acessível a todos.