Acervo Patrimonial da UFC: o que se sabe sobre a sua produção e preservação

Responsáveis pelo armazenamento de diversas obras, Mauc e Memorial da Universidade estão sob a luz da queima do Museu Nacional no Rio de Janeiro

Incêndio na cidade carioca provoca desconfiança em outros estados. (Foto: Agência Brasil/ Tânia Rego)

Após quase um mês do incêndio do Museu Nacional no Rio de Janeiro, os debates sobre a preservação dos bens patrimoniais, dentro do ambiente da Universidade Federal do Ceará (UFC), vêm aumentando o interesse do público em conhecer o Museu de Arte e o Memorial e cobrar ações governamentais para melhor destaque desses equipamentos culturais.

Marcela Gonçalves, coordenadora do Memorial da UFC, afirma que o impacto desse significativo crescimento foi positivo para repercussões sobre o assunto dentro e fora da universidade.

Ainda segundo ela, a ausência de um maior investimento prejudica o engajamento do público no conhecimento de outras atividades desse espaço. “Não temos até hoje um local específico para uma exposição permanente, apenas locais administrativos”, disse a funcionária.

Com o Museu de Arte e Cultura da Universidade (Mauc), os relatos são diferentes. Para Letícia Costa, 20, estudante de Design, sobram elogios ao prédio e às obras. “A estrutura é bem ampla. Ele tem uma capacidade grande se comparado a outros museus de Fortaleza. Acho que a infraestrutura é boa”, diz a universitária.

MAUC conta com acervo de 7 mil obras. (Foto: Reprodução/Google)

Depois de cerca de um mês do incêndio do Museu Nacional, cresceram as preocupações e cobranças do público sobre o estado de preservação desses espaços que abrigam a memória coletiva de uma região.

De acordo com a diretora do Mauc, Graciele Siqueira, a rotina de trabalho não sofreu alterações por conta disso. “Os profissionais da área continuam com as mesmas preocupações em relação à segurança do acervo, no entanto, com a tragédia do Museu Nacional, a mídia e a população tomaram consciência desta área no universo museológico”, declarou a museóloga.

Além disso, no que diz respeito à associação com o Memorial, a dirigente afirma existir atividades de resguardo das estruturas materiais do espaço. “Em parceria com o Memorial, que possui em seu corpo funcional um técnico de conservação-restauração de bens móveis, são realizadas ações preventivas que contribuem para garantir a longevidade do acervo sob guarda desta casa”, expôs a servidora.

O ponto em que convergem as críticas dos estudantes é a pouca divulgação das exposições e da restrição do público frequentador. “Estudei quase um ano na História e não sabia que o Mauc existia. Não sabia que podia atravessar uma rua e entrar nele”, salientou Raul Cavalcante, 21, aluno de Design.

Segundo a universitária Letícia Costa, o investimento em divulgação poderia ser maior, para atrair mais público ao contato com arte e cultura. “A acessibilidade do Mauc se restringe um pouco para a Universidade. Antes de estudar na faculdade, não sabia da existência do Museu e das exposições. Sinto que poderia ter mais propaganda, pela abrangência do espaço”, respondeu a jovem.

Em contrapartida, Graciele Siqueira, diretora do recinto, garantiu que as ações de propaganda ocorrem com frequência. “Desde 2014, contamos com uma página no Facebook. Neste ano de 2018, reativamos o site do museu, produzimos junto à UFCTV um vídeo institucional e criamos um perfil no Instagram, além de utilizarmos toda a estrutura comunicacional da instituição”, ressaltou a profissional.