“Eu sou um autodidata”, diz Fausto Nilo sobre carreira e pós-formação acadêmica

Arquiteto, músico e professor, ele repercute trajetória profissional e sua relação com a UFC

Em evento sobre Mobilidade Urbana, Fausto Nilo foi a principal atração. (Foto: Lucas Albano)

Em exclusiva, o cearense, autor de mais de 400 composições de sucesso, afirma que se considera um aprendiz de si mesmo. Com curto tempo na academia e sem pós-formação, ele diz que a dificuldade foi presente. “Sou uma pessoa que tive uma carreira universitária de professor que durou 6, 7 anos e, depois, saí da Universidade e não fiz pós-formação. Então, eu sou um autodidata. É uma coisa que você faz com muito esforço”, explica.

O Painel Interdisciplinar, solenidade em que Fausto Nilo palestrou sobre os “Desafios da Cidade — Mobilidade Urbana e Redes Complexas”, ocorreu no Auditório da Reitoria da Universidade Federal do Ceará (UFC), no mês de agosto. Durante o encontro, o arquiteto fez questão de ressaltar que, atualmente, as oportunidades dos meios para a formação são maiores que antes. “Hoje, privilégio é maior, por causa da disponibilidade de acesso à literatura em qualquer lugar do mundo. Tudo isso são meios que facilitam”, constata.

Ainda assim, o arquiteto permanece destacando que a busca por conhecimento para além da universidade deve ser contínua: “A faculdade te dá os instrumentos básicos, mas isso é uma pequena parcela daquilo que você tem que ir acumulando”, declara.

Entre professores e alunos, mais de 100 pessoas estiveram presentes. (Foto: Lucas Albano)

Na perspectiva de mercado, Fausto Nilo declara que, pelo menos para os estudantes, a dissociação entre estudos acadêmicos e atividades fora da universidade não deve ocorrer; elas são complementares. “Acho que deve até ser evitado se criar a ideia pro estudante que quem está aqui dentro (da UFC), está fora do mercado, e quem está lá fora, está dentro do mercado. Isso, provavelmente, teria aspectos negativos de menor independência e de menor autonomia”, conclui.

A necessidade de encarar os problemas complexos dispostos na cidade é traduzida pelos “muitos paradoxos e pelos privilégios demais”; para isso, de acordo com o também urbanista, o profissional não pode se colocar em uma redoma e precisa enfrentar essas dificuldades “com autonomia e com uma ética poderosa”, sendo esse o modelo pare ele.

O momento de interação entre universitários e professores de diferentes áreas, que é proporcionado pelo Colégio de Estudos Avançados (CEA), da UFC, é definido, para ele, como: “situações marcantes de abertura de novos pontos de vista, de apresentação de novos conceitos, revelação de aspectos da técnica que você pode absorver da vida prática de um profissional”. Segundo ele, isso é estimulante para os estudantes.