Conclusão

O fim é particular e intransferível. Uma demissão, um término, uma morte. Sua engrenagem pára e todas as outras continuam; uma máquina absurda. O vizinho ainda passeia o cachorro nos fins de tarde. O jingle do carro de gás ainda te acorda. Tudo em volta flui no ritmo de sempre, só sua alma em estase, suspensa no tempo.

São os livros de Crie-Sua-Aventura que você lia quando criança e, ao chegar a um final prematuro, fugia à regra e continuava a ler a página seguinte, confundindo a narrativa. Antes você estava numa caverna, agora num rio. Agora no espaço. Os dias transcorrem com a mesma incoerência. Antes você estava no banco, agora no carro. Agora em frente à TV, de olhos vidrados. O cotidiano é um purgatório indiferente à sua dor, a qualquer que tenha sido o trauma.

Há quem encare isso como uma fonte de conforto; a segurança de que, haja o que houver, amanhã vem um novo dia. Eu não. Eu quero o mar em ressaca, o céu em fúria, as ruas correndo em lava. Pânico e caos, tragédia, o apocalipse. Tudo menos eu sem você e todo o resto intocado.

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