Palmeiras se destacou pela regularidade ao longo do torneio e levantou o caneco com justiça. Foi o 9º título do Brasileiro do Palestra

A análise — bem atrasada — do desempenho dos times do Brasileirão 2016

Antes tarde do que nunca. Depois de ter prometido aos simpáticos leitores desta coluna que voltaria aqui ao fim do Campeonato Brasileiro para tecer meus comentários a respeito de como me saí nas previsões para os times que disputariam o torneio lá em maio, acabei deixando a tarefa para este início de 2017.

Tenho meus motivos. O desastre ocorrido com o time da Chapecoense no dia 29 de novembro passado me tirou qualquer vontade ou ânimo de escrever sobre futebol neste fim de ano. Até mesmo as conquistas de Palmeiras (Campeão do Brasileirão) e Grêmio (vencedor da Copa do Brasil) pareceram indignas de nota diante do tamanho da tragédia sofrida pelos catarinenses.

Mas é hora de recuperar o fôlego e recomeçar. Sendo assim, nada melhor do que falar sobre o retrospecto dos 20 times que protagonizaram o mais importante campeonato do país, e analisar como me saí na tarefa de futurólogo/palpiteiro lá em maio em minha analise prévia.

Como me saí? Digamos que mantive uma média de acertos compatíveis com a dos principais comentaristas esportivos deste pais. Ou seja: errei para c@#$%¨&* (mas tive alguns bons acertos, também).

No mais ficam aqui meus votos de que 2017 seja inspirador e cativante para todos nós, doentes por este esporte.

América Mineiro — 20ª posição

Primeiro acerto. Comentei que mesmo com o título estadual conquistado em 2016, o Coelho não demonstrava ter forcas para brigar por nada além da permanência na Primeira Divisão. Dito e feito. Com exceção da primeira rodada, os mineiros permaneceram o tempo todo dentro da Zona do Rebaixamento, terminando como lanternas isolados da competição com apenas 28 pontos. O time que já não era dos mais qualificados no papel perdeu peças importantes logo no início do torneio e aí não se achou mais. O festival de troca de treinadores também em nada ajudou o Coelho a sair do buraco — ou “sair da toca”, para aproveitar o trocadilho acidental. Uma pena. O simpático time mineiro merecia ter tido uma melhor sorte em 2016.

Atlético Mineiro — 4ª posição

Primeira bola fora. Eu apostava muito no ano do Galo. Olhando no papel, não era exagero classificar o elenco do clube como o melhor do país. E depois de tanto bater na trave nos últimos anos, parecia que agora não tinha como não dar certo… E não é que não deu, de novo? A equipe teve um péssimo começo de competição, onde chegou a figurar na Zona do Rebaixamento. Aos poucos, porém, os mineiros foram se encontrando e começaram uma apoteótica escalada que culminou com a vice-liderança. Quando tudo levava a crer que finalmente os comandados do técnico Marcelo Oliveira estavam prontos para mostrar todo o seu potencial e entrar de vez na briga pelo título com o Palmeiras, a velha instabilidade técnica voltou à tona e a equipe oscilou até terminar o torneio num anticlimático quarto lugar, uma posição que mesmo garantindo vaga direta na fase de grupos da Libertadores soou como uma conquista muito pequena para as pretensões do Galo na temporada. Some a isto o fato de que este elenco milionário perdeu a final da Copa do Brasil para o Grêmio e você provavelmente entenderá porque o torcedor do Atlético andou tão mal humorado neste fim de 2016.

Atlético Paranaense — 6ª posição

Mais um acerto. O time bem montado que ainda não tinha convencido até aquela altura do ano me cheirava à metade alta da tabela com direito a vaga na Libertadores. É bem verdade que os paranaenses só alcançaram a competição internacional graças a uma bem vinda mudança das regras que aumentou a lista de classificados, mas isso não muda o fato que o time fez por merecer os carimbos nos passaportes que estão por vir. Inclusive, não é exagero afirmar que com um pouco menos de oscilação daria para ter sonhado com coisa melhor no campeonato. O elenco perdeu peças importantes ao longo do torneio, mas fez da Arena da Baixada sua fortaleza — quase — instransponível. O Rubro Negro terminou o ano com uma das melhores campanhas como mandante da história dos pontos corridos. O problema é que o time que passeou em seus domínios fez um péssima campanha como visitante, só comparável a dos rebaixados, o que por pouco não custou a vaga na Libertadores. No fim das contas quem mais sofreu com esta bipolaridade técnica foram os torcedores que roeram as unhas até a última rodada, mas se viram recompensados com a classificação. A expectativa agora é a de que o Furacão mantenha a boa base e se reforce para tentar repetir a grande temporada de 2016.

Botafogo — 5ª posição

Provavelmente esta foi minha maior surpresa do campeonato ao lado da queda do Internacional. Mesmo que tivesse usado alguns eufemismos na analise anterior para tentar amenizar o tom pessimista de minhas expectativas em respeito ao Fogão, no fundo eu enxergava o time de General Severiano como virtual “favorito ao rebaixamento”. Pois, olhaí, calaram minha boca grande. O Alvinegro começou mal e ficou várias rodas na ZR, mas com a mudança no comando técnico assumido pela revelação Jair Ventura o time ganhou consistência técnica e começou sua escalada rumo à parte de cima da tabela. Em pouco tempo o elenco menosprezado por boa parte da imprensa mostrou seu valor e se tornou umas das pedreiras mais indesejadas da competição. A vaga para a Libertadores conquistada com o 5º lugar é um prêmio mais do que merecido para este grupo jovem que mostrou ter um imenso valor. Se mantiverem a base e confirmarem os bons reforços que parecem estar à caminho, 2017 promete ser ainda melhor. Parabéns, Fogão!

Chapecoense — 11ª posição

Como dói lembrar do ano da Chape. Antes do torneio começar, disse aqui que era incapaz de não acreditar em uma equipe que mesmo modesta em termos de elenco já tinha feito grandes campanhas por dois anos seguidos. Apostei que terminariam numa posição segura, sem sustos, e de fato foi o que aconteceu. Aliás, sejamos justos: mesmo tendo terminado na 11ª posição o time chegou a flertar nas rodadas finais com uma briga pelas últimas vagas na Libertadores. Mesmo com o elenco reduzido e dividido entre Brasileirão e Copa Sul-Americana, a Chape seguia firme e forte sem tirar o pé do acelerador. A brutal tragédia interrompeu a história de um time que certamente ficaria marcado na história do futebol brasileiro pela vaga na final da Sul-Americana, e que já servia de exemplo de administração para boa parte dos clubes do país. Um fim triste para um plantel que fazia por merecer nada mais nada menos do que a glória. O título simbólico da “Sula” dado pela Conmebol garantiu ao Furacão do Oeste vaga para a próxima Libertadores. A expectativa de todos agora é a de ver qual será o novo elenco da Chape, e se eles serão dignos do grande legado deixado pelo time que conquistou a América. Pelo menos no que depender de apoio e carinho de torcida, o novo segundo time do coração de todo brasileiro não terá do que reclamar.

Corinthians — 7ª posição

Mais uma bola fora, embora esta tenha acontecido muito mais em função das inesperadas circunstâncias pós análise do que necessariamente por um erro deliberado da minha parte. Disse que achava difícil ver o Timão longe das primeiras posições da tabela mesmo com o elenco bastante alterado que ainda não tinha se encontrado no ano. Grande parte desta minha confiança no Timão residia nos ombros do técnico Tite, nome que durou poucas rodadas no comando da equipe depois de ter sido convidado para treinar a Seleção Brasileira. Bom para o Brasil, ruim para o Corinthians: o time que se mantinha nas primeiras posições da tabela mesmo sem encantar seu torcedor começou a cair vertiginosamente depois da saída de seu então treinador. Nem a força da Fiel foi suficiente para motivar os jogadores dentro de campo, que acabaram deixando o Todo Poderoso de fora até mesmo da Libertadores mesmo com o aumento no número de vagas. Um vexame e tanto para um time que tinha conquistado o título do ano anterior com uma facilidade invejável, e que só deu algum trabalho ao longo do torneio enquanto teve no banco a segurança e inteligência de Tite. Se os comentários de vacas magras financeiras que circulam pela imprensa se confirmarem, o Corinthians terá que caprichar demais na busca por reforços bons e baratos se quiser sonhar com um 2017 digno de sua grandeza.

Coritiba — 15ª posição

Não cheguei a prever nada mais específico, mas comentei que se o Coxa quisesse sofrer menos este ano precisava se reforçar. Os reforços não vieram — pelo menos não na quantidade e qualidade esperados pela sua torcida — e o resultado foi o imaginado: foi mais um ano cardíaco para o Alviverde, que só conseguiu se safar de vez da luta contra a degola nas últimas rodadas. O lado bom da história é que a partir do segundo turno os paranaenses conseguiram encontrar um melhor padrão de jogo — méritos ao veterano técnico Paulo César Carpegiani que pegou o bonde andando e arrumou a casa Coxa-branca — e não frequentaram mais a temida ZR, embora sempre estivesse ali, nas proximidades. A expectativa de todos agora é que finalmente o Verdão consiga acertar na montagem do elenco e almeje metas mais ousadas em 2017.

Cruzeiro — 12ª posição

Eu estava pessimista com o ano do Cruzeiro, e acabei apostando que o time oscilaria entre altos e baixos e terminaria perto do meio da tabela. Apesar de ter acertado a posição final, a magnitude do sufoco enfrentado pela Raposa ao longo do Brasileirão não estava na minha previsão. O time que já não vinha se encontrando nas competições do primeiro semestre de 2016 teve um péssimo começo de campeonato, frequentando a zona de rebaixamento durante um longo período e chegando a carregar a lanterna do torneio ao fim da 8ª rodada. A má fase custou o emprego da aposta portuguesa Paulo Bento no comando técnico do time, e foi só a partir da saída dele que a equipe reagiu e passou a subir na tabela. Ainda assim, pasmem, o time que venceu dois dos até então três últimos Campeonatos Brasileiros em momento algum do torneio frequentou a metade superior da tabela. Um desempenho para lá de decepcionante e que surpreendeu muita gente. Que dias melhores surjam no horizonte da Toca da Raposa em 2017.

Figueirense — 18ª posição

Mais um acerto para a conta deste cronista. Antes da bola rolar pelo Brasileirão não era difícil prever que seria um ano bem complicado para o Furacão Catarinense, que não ostentava um elenco dos mais abastados e não tinha feito um campeonato estadual tão memorável assim. É bem verdade que vez por outra o “óbvio” não passa nem perto de se concretizar, mas não foi o caso aqui. O Figueira até conseguiu se manter fora da ZR por uma parcela significativa de tempo, principalmente até a metade do primeiro turno. No entanto o time foi minguando tecnicamente e as visitas às posições inferiores da tabela se tornaram cada vez mais frequentes. Quando ainda mantinha uma certa esperança de sobreviver a direção do clube foi à imprensa para divulgar uma carta assinada por todos os jogadores prometendo nominalmente que a equipe não seria rebaixada. Resultado? O time despencou ainda mais até se estabilizar na 18ª posição, lugar de onde não saiu até o fim do Brasileiro. Resta ao Figueira juntar os cacos e dar a volta por cima neste ano.

Flamengo — 3ª posição

Outro acerto, e dessa vez com requintes de Mãe Dináh. Disse que apesar de serem poucos os que apostavam no Rubro Negro em função do longo histórico de fracassos recentes, mesmo com o time repleto de estrelas e com o primeiro semestre bem abaixo do esperado, eu sentia que neste ano o Mengão ia incomodar. Dito e feito. É bem verdade que não tem nada de muito inusitado em se apostar em um time com o elenco gabaritado como o do Flamengo, mas ainda assim o tal “cheirinho de título” que se apossou das narinas de torcedores e imprensa no segundo turno do campeonato não parecia tão óbvio de se prever assim lá em maio. Perdendo o técnico Muricy Ramalho logo no início do torneio em função de um problema de saúde, o time acabou apostando em uma solução caseira para o problema, o técnico Zé Ricardo. O novato botou o Flamengo nos eixos e fez o time ascender até as primeiras posições do Campeonato onde rivalizou com o Palmeiras pelo caneco até perto do fim. Nas últimas rodadas alguns tropeços inesperados afastaram-no da briga pelo título, o que mesmo frustrante para a torcida não tirou o impacto da belíssima campanha Rubro Negra. Se mantiver a base do elenco que finalmente parece ter se encaixado e acertar com mais alguns reforços, 2017 promete ser um ano que terá um inconfundível “fedor de títulos” para o Mengo.

Fluminense — 13ª posição

Taí mais um acerto digno de ser classificado como “na mosca”. Mesmo tendo conquistado um título no primeiro semestre e prometendo dar trabalho no Campeonato antes da bola rolar, eu sentia que o Tricolor não teria fôlego suficiente para ir muito longe no Brasileirão. Levir Culpi comandou um time oscilante, que mesmo se mantendo na metade de cima da tabela em praticamente toda a competição nunca parecia convencer de fato seu torcedor. O time das Laranjeiras foi seguindo aos trancos e barrancos até ver no aumento do número de vagas para a Libertadores de 2017 a oportunidade perfeita para salvar o semestre, bastava terminar entre os seis primeiros, o que naquela altura não parecia um desafio dos mais difíceis. No entanto, eis que a tal instabilidade profetizada por mim veio à tona e o time fez um péssimo final de segundo turno, sepultando qualquer chance de vaga no torneio internacional e levando o clube até uma melancólica “zona do agrião”. Resta agora ao torcedor Tricolor manter a paciência e esperar que o Flu reencontre o bom futebol em 2017.

Grêmio — 9ª posição

O Tricolor Gaúcho foi outro time que oscilou bastante e não terminou o campeonato com uma posição das mais interessantes, o que está longe de ser um problema levando-se em conta que parte do declínio técnico dos Gaúchos no final da competição se deu em função do foco voltado para a Copa do Brasil, competição vencida por eles. Ainda assim, no fim da contas, fica a impressão que se não tivesse se perdido mais ou menos na metade do torneio, fase em que colecionou resultados ruins que custaram o emprego do excelente técnico Roger, o Tricolor teria bala na agulha para lutar pelo Caneco. Depois do declínio e da chegada do folclórico treinador Renato Gaúcho, o time até reagiu no campeonato, mas já estava longe demais da ponta para ambicionar algo que não fosse uma vaga na Libertadores. No fim das contas a boa campanha na Copa do Brasil também serviu para tornar o Brasileirão coadjuvante nos planos gremistas, onde ainda assim terminou num honroso 9º lugar. Como tinha previsto que não confiava num ano de bons resultados gremistas posso dizer que, mesmo tendo terminado relativamente longe da ponta da tabela, as circunstâncias de tal posição justificam a “falta de tesão” que gerou a colocação ruim. Assumo o erro na previsão.

Internacional — 17ª posição

Eis possivelmente minha queimada de língua mais homérica. Queimada, aliás, compartilhada por grande parte dos futurólogos futebolistas desse país. Se havia quem não botasse tanta fé no Inter quanto eu — que disse que o time faria um campeonato brigando pelas primeiras posições — ninguém em sã consciência apostava que este elenco terminaria o campeonato rebaixado. O Brasileirão do Colorado foi um pesadelo digno dos mais fantasiosos sonhos gremistas: o time encheu o coração de seu torcedor de esperanças logo no início do torneio quando ficou sempre nas primeiras posições chegando assumir a liderança na 4ª e 7ª rodadas. Enquanto os colorados mais empolgados já se perguntavam se este seria o ano do fim do jejum, uma inacreditável sequência de resultados negativos a partir da 9ª rodada fez o clube despencar até a ZR. Quando todos imaginavam que a má fase tinha passado e o time voltaria a pelo menos recuperar um pouco da dignidade arranhada ao longo da competição, uma nova fase ruim tomou conta do time que voltou à zona de rebaixamento e não teve mais tempo — nem forças — para se recuperar. Um rebaixamento absolutamente inesperado que só serviu para comprovar um dos clichês mais batidos do esporte: o futebol é, sim, uma caixinha de surpresas. A torcida agora é para que o Inter tenha aprendido sua lição, faça um grande ano, e volte ainda mais forte em 2018.

Palmeiras — Campeão

Outra queimada de língua daquelas dignas de humilhação em praça pública. Descrente dos anos seguidos de numerosas contratações sem resultados técnicos significativos por parte do Palmeiras, apostei que o time não teria forças para brigar pelo título. Baita vacilo. O Palestra foi, de longe, o time mais regular deste campeonato. Se dentro de campo muitos alegavam não ver um futebol vistoso e digno de encher os olhos, ninguém ousava dizer que a eficiência da equipe de Cuca não impressionava. Comandados pelo talento e juventude do craque Gabriel Jesus o time oscilou muito pouco ao longo das 38 rodadas, e praticamente não se viu mais ameaçado na dianteira durante todo o segundo turno. Flamengo e Santos, os únicos que flertaram em tentar derrubar o Verdão do topo até tentaram arrancar para a ponta, mas sucumbiram à assustadora regularidade palmeirense. Um título mais do que merecido, e que deixa o torcedor confiante de um ano novo com ainda mais alegrias pela frente. No que depender dos reforços anunciados e nas especulações de contratações, tem tudo para ser mais um ano de intensas alegrias lá no Allianz Parque.

Ponte Preta — 8ª posição

Outro erro deste que vos fala. A Macaca tinha começado mal o ano, e passado um sufoco daqueles. Logo, presumia-se que a salvação no Brasileirão dependia diretamente do sucesso nas contratações do meio da temporada, que geralmente são sempre uma incógnita. Mas, para felicidade geral do torcedor campineiro, o elenco do excelente técnico Eduardo Baptista encontrou a consistência e a estabilidade necessárias para fazer a Ponte manter uma larga margem de distância das últimas posições da tabela durante praticamente todo o campeonato. No terço final de competição o time chegou a flertar com uma briga por vaga na Libertadores. Mesmo sem carimbar o passaporte para as Américas não é exagero dizer que o honroso 8º lugar foi uma conquista e tanto para a Macaca, principalmente se levarmos em conta que as expectativas com relação ao seu desempenho não eram das mais positivas.

Santa Cruz — 19ª posição

Eu bem que torci contra meu próprio palpite, mas não teve jeito: o Santinha sucumbiu às dificuldades da Série A e acabou rebaixado. Se aproveitando da boa fase que tinha lhe garantido o título estadual e da Copa do Nordeste, o Tricolor de Pernambuco fez um começo de campeonato para lá de animador, quando conseguiu alcançar a liderança na segunda rodada. Quando os torcedores mais otimistas já ensaiavam um discurso de “Leicester City Brasileiro”, a dura realidade do elenco limitado bateu à porta do clube que passou a despencar na tabela. Passando o segundo turno inteiro na zona do rebaixamento, a única ambição do time no quarto final do torneio foi fugir da lanterna e manter alguma dignidade nas rodadas finais. Uma pena que os simpáticos pernambucanos não tenham tido melhor sorte neste ano.

Santos — Vice Campeão

Disse lá em minhas previsões para o Brasileirão que se o Peixe quisesse repetir o feito da boa campanha do ano anterior teria que obrigatoriamente resistir às investidas de times estrangeiros aos seus principais astros. No fim das contas, mesmo tendo perdido algumas peças importantes como o badalado “Gabigol” a equipe surpreendeu novamente e fez grande campanha, terminando o certame atrás apenas do Campeão, Palmeiras. O time de Dorival Jr teve um início de campeonato irregular, mas não demorou até ganhar sequência de resultados e se tornar um dos esquadrões mais temidos do país. Passo a passo o Alvinegro Praiano foi subindo a ponto de ofuscar o Flamengo, time que até perto das rodadas finais se consolidava como a única real ameaça ao título palmeirense. O vice campeonato, mesmo com sua inerente carga de frustração, soou como uma conquista digna de comemoração para o torcedor santista e reforça a teoria de que ao contrário do que alguns poderiam pensar — eu incluso — o elenco do Peixe é muito mais forte do que a ausência de um ou dois jogadores poderia fazer crer que era. Se caprichar nos reforços, o Santos promete fazer estrago em 2017.

São Paulo — 10ª posição

Contra todos os indicadores lógicos, eu apostei no São Paulo. Mesmo em meio a avalanche de problema internos que teve em 2015, o time paulista tinha surpreendido a todos e arrancado uma improvável vaga na Libertadores. É bem verdade que o início de 2016 não tinha sido lá muito melhor dentro e fora de campo do que a temporada anterior, mas se mesmo diante de todo aquele caos o Tricolor conseguiu ter alguma dignidade dentro de campo não seria agora que valeria a pena apostar contra. Pois ao contrário do que poderia ter pensado, sim, o São Paulo sentiu a pressão dentro de campo e proporcionou pouquíssimos momentos de alegria para o torcedor. Se em praticamente nenhum momento a equipe correu riscos maiores nas posições mais baixas da tabela como nos casos de outros gigantes como Internacional e Cruzeiro, em nenhum momento o time flertou com algo maior que não fosse a famigerada “zona do agrião”. As trocas no comando técnico podem até ajudar a justificar em parte o fracasso são paulino dentro de campo, mas definitivamente esse parece não ter sido o ano dos sonhos do Tricolor. A esperança do torcedor reside agora na aura mitológica do ídolo Rogério Ceni que irá assumir o comando técnico. Será que o “Mito” terá forças suficientes para montar um time realmente competitivo e à altura das ambições são paulinas em 2017? Aguardemos os próximos capítulos.

Sport — 14ª posição

Taí um erro de previsão que é difícil de engolir. Eu apostava demais no Sport. Depois de ter feito um excelente campeonato em 2015 e ter mantido grande parte do elenco que quase levou o Leão à Libertadores com o reforço de bons nomes, parecia barbada apostar que no mínimo o Rubro Negro pernambucano repetiria a boa campanha. Pois o time não só passou longe de qualquer pretensão por Libertadores, como só conseguiu de fato se salvar da degola para a Série B na última rodada. Os comandados de Oswaldo de oliveira — técnico que abandonou o time na 30ª rodada do torneio para assumir o Corinthians — não frequentaram a metade de cima da tabela em nenhum momento do campeonato. Nem a troca de treinadores quando o “prata da casa” Daniel Paulista assumiu o time foi suficiente para melhorar o retrospecto dos pernambucanos. Se não fosse pelo talento individual de alguns de seus principais jogadores, o Leão correria sério risco de visitar a segundona neste ano. Que 2017 traga ventos melhores para o Sport.

Vitória — 16ª posição

O Leão se salvou, mas foi por pouco. Mesmo tendo sido a “previsão” mais às cegas que fiz antes do início do campeonato por ter visto pouquíssimos jogos dos baianos até então, parecia óbvio que o elenco montado pela diretoria do Vitória não era gabaritado suficiente para sonhar em nada além de uma manutenção na Série A. E, no fim das contas, foi mais ou menos o que aconteceu. Mesmo começado relativamente bem o campeonato quando conseguiu se manter na intermediária da tabela durante praticamente todo o primeiro turno, o Rubro Negro baiano foi perdendo o fôlego e se aproximando perigosamente da ZR. Foi nessa hora que brilhou a estrela do grande craque do time no campeonato (para mim, um dos melhores jogadores de todo o Brasileiro), o atacante Marinho. O jovem jogador fez gols decisivos que ajudaram o Leão a escapar da forca. Sem ele, a sorte do Vitória poderia ter sido outra. Aguardemos os próximos passos da diretoria neste ano, mas é bastante claro que se quiser brilhar de verdade em 2017 o time precisará de reforços.

Por fim, recomendo aqui este especial cheio de infográficos da equipe do Globoesporte.com que faz um balanço super preciso e interessante de como foi o Brasileirão de 2016. Vale o clique.