Brasileirão 2017 — Os Times

O mês de maio chegou e com ele vem a menina dos olhos do torcedor no cenário futebolístico local, o Campeonato Brasileiro de 2017. Em campo, os 20 melhores times do país se enfrentarão em busca do principal título nacional, das cobiçadas vagas para a Libertadores da América, e dos nem tão cobiçados assim acessos para a Copa Sul-Americana. Como não poderia deixar de ser, trarei aqui as minhas já tradicionais — este é apenas o segundo ano que tenho feito isso, mas este é apenas um detalhe — análises sobre as chances dos clubes envolvidos na competição.

Este é um ano que promete algumas novidades interessantes em termos de disputa. Com a mudança nos calendários das competições da Conmebol — Libertadores e Sul-Americana — que agora serão disputadas até novembro e dezembro, há uma tendência que os times que avancem nos torneios continentais passem a dividir seu foco com o Brasileirão. A própria Copa do Brasil que também só terá seus últimos jogos disputados perto do fim da temporada pode contribuir para “atrapalhar” as pretensões dos clubes que disputarem simultaneamente mais de uma competição. Os grandes favoritos do Brasileiro, por exemplo, tem boas chances de avançar de fase na Libertadores e na Copa do Brasil, o que certamente irá aumentar o número de jogos dos clubes da temporada ampliando o cansaço dos jogadores e chances de lesão. Sinto que este é um fator que irá acrescentar um tempero diferente ao torneio deste ano.

Dentro de campo minhas expectativas são de um campeonato bastante equilibrado. Sinto que há muitos times em um nível técnico parecido, o que certamente irá gerar resultados imprevisíveis. Escolher quem brigará por Libertadores, por exemplo, é um exercício dos mais difíceis tamanha a quantidade de times que, ao menos dentro do ponto de vista desse humilde cronista, tem condições de brigar por uma das seis vagas para a competição no ano que vem.

Vale sempre lembrar também que as analises e previsões feitas aqui foram formuladas a partir do atual cenário das equipes, de seus elencos e comissões técnicas nesta semana que antecede o começo da competição. Se daqui a algumas rodadas o craque do time for embora, o treinador pedir/ganhar o boné ou um artilheiro com faro de gols desembarcar no CT de algum dos clubes mudando o panorama atual, eu não me responsabilizo.

Desde já me perdoem pelas inevitáveis bolas fora, e divirtam-se com minha futurologia de araque.

Atlético Goianiense

Longe da elite do futebol brasileiro desde 2012 quando foi rebaixado pela última vez, o Dragão voltou para a Série A com autoridade ao conquistar o título da Segunda Divisão. Mas como nem tudo são flores, apesar dos esforços para manter a base campeã de 2016, muitos nomes importantes do elenco Rubro-Negro foram negociados. A eliminação nas semifinais do Estadual para o rival Goiás só não deixou o torcedor com a pulga atrás da orelha porque o time goiano ainda se mantém vivo na Copa do Brasil. Com um elenco repleto de jogadores pouco conhecidos somados a um ou outro nome mais experiente é difícil ter uma visão otimista com relação as pretensões do clube no Brasileirão. Penso que o time lutará para se manter vivo na parte baixa da tabela.

Técnico: Marcelo Cabo

Destaque: Walter — O craque gordinho que chegou ao clube depois de uma polêmica saída do Goiás é sem dúvidas o jogador mais qualificado do atual elenco e a esperança de gols na dura jornada que o Dragão terá pela frente. Só precisa se cuidar para que a forma física não o atrapalhe nesta tarefa.

Estádio:

Atlético Mineiro

O Galo foi meu grande “tiro n’água” das apostas de 2016. Com um elenco repleto de grandes nomes e foco total no Brasileirão era fácil apostar que o clube lutaria pelo caneco. No fim das contas o time nunca conseguiu jogar com a regularidade esperada e terminou num anticlimático 4º lugar, muito longe de ter tido qualquer chance real de título. Este ano o cenário é parecido: equipe forte no papel que em campo deixa a impressão de que pode render muito mais do que apresenta. O título Mineiro e a campanha segura na Libertadores deixam o torcedor otimista, mas eu ainda sinto que se quiser brigar de verdade pelo topo da tabela o Galo terá que crescer de produção. Aposto que brigará por vaga na Libertadores.

Técnico: Roger Machado

Destaque: Fred — O elenco do Galo é recheado de bons nomes, mas certamente qualquer pretensão de uma grande campanha passa pelos gols do artilheiro. Mesmo que muitos torcedores por aí critiquem o jeitão desengonçado do centroavante, não dá para negar que o cara entende do riscado e certamente é um dos candidatos à artilharia da competição. O pedalador Robinho é outro nome forte em busca do protagonismo no Galão da Massa.

Estádio:

Atlético Paranaense

Tal como tinha previsto, o Furacão fez bonito no Brasileirão de 2016. Mesmo com uma campanha horrorosa fora de casa, o “fator Arena” foi relevante a ponto de fazer o time ter tido o melhor retrospecto como mandante da história dos pontos corridos, surpreendendo muitos analistas. Com vaga na Libertadores garantida, a diretoria buscou reforços e trouxe jogadores qualificados e experientes para 2017, apostando numa mescla com o jovem elenco remanescente. Depois de sobreviver a duas duras eliminatórias antes da fase de grupos do torneio continental, e ainda estar vivo naquele que é considerado o grupo mais difícil do campeonato, parece óbvio apostar que o Rubro-Negro vem forte para o Brasileiro. Mas francamente não sei se é o caso. O problema é que mesmo que venha conseguindo sobreviver aos duros embates que teve até aqui, dentro de campo o time tem dificuldades para apresentar um futebol que sustente previsões mais otimistas. A baixa eficiência do ataque e o alto número de lesões colocam em dúvida as pretensões de um elenco que tem tudo para brilhar mas que ainda não se encaixou. Se conseguir achar o caminho da estabilidade técnica briga por vaga na Libertadores, caso contrário terá que se contentar com a parte central da tabela.

Técnico: Paulo Autuori

Destaque: Thiago Heleno — Em um time que sofre tanto para marcar gols, não é estranho entender que o principal destaque do clube jogue na defesa. O 44 do Rubro-Negro alcançou o status de ídolo da torcida depois das apresentações seguras e do jeitão de “zagueiro que não leva desaforo para casa”. Seu prestígio atual é tão grande que ofusca até o do goleiro de Seleção Weverton, outra grande referência técnica e ídolo da torcida.

Estádio:

Avaí

De todos os times que subiram para a Série A de 2017, talvez o Leão da Ressacada seja o que mais tenha gerado surpresa. Sem grandes nomes em seu elenco, o time foi se mantendo sempre em uma zona intermediária da tabela até arrancar no terço final e garantir o vice-campeonato da Série B. Este ano a aposta parece ser a mesma, privilegiando um time sem grandes estrelas que se sustenta na base do bom encaixe coletivo. O vice-campeonato do Catarinense parece apontar que a fórmula pode continuar dando certo, mas não fará milagres em um torneio com um nível de exigência técnica maior. Sinto que falta “casca” ao elenco do time alviceleste para sonhar com pretensões maiores no certame. Sem novas contratações, manter-se na elite será uma conquista e tanto ao Avaí.

Técnico: Claudinei Oliveira

Destaque: Marquinhos — O veterano meia de 35 anos é sem dúvidas um dos grandes ídolos da história do clube, e a principal referência técnica do atual elenco. Se conseguir inspirar seus companheiros de time e manter a boa forma até o fim da temporada há boas chances do Avaí terminar o ano com motivos para sorrir.

Estádio:

Bahia

O Tricolor de Aço investiu pesado em 2016 para voltar a elite, mas por pouco não ficou de fora garantindo a vaga a Série A com um sofrido 4º lugar. Ainda assim a missão foi cumprida e o bom time montado para o acesso teve a base mantida para a temporada de 2017. Mas o ano até aqui foi de altos e baixos: se por um lado a eliminação precoce na Copa do Brasil e o vice-campeonato do Estadual frustraram suas expectativas, a vaga para a final da Copa do Nordeste mostra que o “Bahêa” tem potencial para bater de frente com equipes mais fortes. O elenco tem alguns nomes interessantes com uma sempre bem vinda mescla de juventude e experiência. Acho difícil imaginar o Tricolor brigando na parte alta da tabela, mas provavelmente também não irão flertar com o descenso. Parecem destinados à tradicional “zona do agrião”.

Técnico: Guto Ferreira

Destaque: Hernane — Depois de explodir no Flamengo e rodar por vários clubes, muitos apostavam que a carreira do “Brocador” já tinha chegado no auge. Mas o atacante reencontrou o bom futebol no Tricolor e tem se tornado uma das principais referências e artilheiro do elenco. Foi fundamental para o acesso do Bahia à Série A, e tem tudo para fazer bonito na elite.

Estádio:

Botafogo

O Fogão foi outro grande flop de minhas previsões para o Brasileirão do ano passado. Apostei em briga contra o rebaixamento e o que vi foi o time de General Severiano ganhando corpo e garantindo vaga na Libertadores com um segundo turno de competição digno de time campeão. Ciente de que teria um ano cheio de grandes desafios pela frente, a diretoria alvinegra se reforçou com bons nomes que parecem estar fazendo a diferença até aqui. O clube passou forte pela Pré-Libertadores e tem boas chances de classificação em um dos grupos mais duros do torneio. No entanto, além dos resultados, o bom futebol apresentando em campo é o que mais impressiona até aqui. Se manter o bom ritmo que vem mostrando nesta temporada, o Fogo certamente é candidato a repetir o feito e voltar para a Libertadores em 2018.

Técnico: Jair Ventura

Destaque: Camilo — O cabeludo meio-campo botafoguense foi uma das surpresas do Brasileirão do ano passado com a camisa do Glorioso, e tem jogado o bastante para ofuscar até mesmo nomes mais experientes como o do badalado meia argentino Montillo, contratado no início de ano. Se manter a boa fase o “Camito” tem boas chances de ser novamente o grande destaque do Fogão em 2017.

Estádio:

Chapecoense

Não dá para começar qualquer analise sobre o ano e as possibilidades da Chape em 2017 sem tocar no dolorido assunto da tragédia aérea no final de 2016 que vitimou praticamente todo o elenco do clube. Com terra arrasada os membros da nova diretoria tiveram que montar um elenco do zero em pouco mais de um mês. Mesmo com pouco tempo de treinamento e com vários campeonatos a disputar, o que se viu em campo até aqui é um time que mesmo com suas óbvias deficiências de entrosamento tem feito justiça ao legado deixado pelos heróis falecidos. Mesmo com dificuldades para avançar na fase de grupo da Libertadores e tendo perdido a final da Recopa, o time conseguiu conquistar o Campeonato Catarinense, numa clara demonstração de que esses jogadores podem dar esperanças ao seu torcedor. Ainda assim é difícil imaginar uma equipe tão “verde” conseguindo se manter estável ao longo das duríssimas 38 rodadas do Brasileiro. Acredito que permanecer na Primeira Divisão já será uma conquista e tanto para o Verdão do Oeste.

Técnico: Vágner Mancini

Destaque: Túlio de Melo — Em um time montado às pressas, o atacante grandalhão é um dos nomes de maior destaque. Já tendo jogado na Chape em 2015 — a exemplo de outros nomes importantes como Apodi e Douglas Grolli –, o jogador voltou ao clube com a missão de ajudar no recomeço do Verdão. Sem dúvidas qualquer pretensão de um grande ano do clube passa obrigatoriamente por uma temporada de destaque do centroavante.

Estádio:

Corinthians

A temporada até aqui tem sido uma gangorra de emoções para o torcedor do Timão. Depois de uma campanha pífia em 2016 onde ficou muito longe do que se esperava da equipe que era a atual Campeã Brasileira, o clube começou o ano juntando os cacos e apostando em reforços pontuais na tentativa de crescer em 2017. O começo da jornada no entanto foi digna de ser esquecida: o time apresentava muitas dificuldades em campo, acumulou resultados ruins no Estadual e foi eliminado da Copa do Brasil. Quando a pressão sobre o elenco e comissão técnica parecia chegar em um ponto insustentável, finalmente as coisas começaram a se encaixar e o clube ganhou corpo para conquistar o Paulista e avançar de fase na Sul-Americana. Ainda assim é difícil apostar em qual será a cara do Corinthians no Brasileiro, se a do time burocrático e desorganizado que enfureceu a Fiel, ou a da equipe vibrante e calculista que deu as caras nos jogos finais do Estadual. Fato é que no papel este é um time não muito diferente que o do ano anterior, o que francamente não é uma perspectiva das mais animadoras. Aposto em região central da tabela para o Timão.

Técnico: Fábio Carille

Destaque: Jadson — Em uma temporada de tão poucas e modestas contratações foi justamente a volta do cerebral “Magic Jadson” que apaziguou os ânimos da torcida e colocou alguma esperança em seus corações. O meia até aqui está longe de jogar tudo o que sabe, mas sem dúvidas será a principal referência técnica do elenco se encontrar o caminho do bom futebol, o que parece previsível diante do tempo que terá pela frente para se readaptar ao futebol brasileiro. Se não se encontrar, os outros candidatos a assumir o protagonismo são os improváveis Rodriguinho e Jô, que vem fazendo uma boa temporada.

Estádio:

Coritiba

Se não tivesse conquistado o título do Paranaense com direito a uma atuação de gala sobre o rival Atlético, provavelmente não seria exagero afirmar que o ano de 2017 foi negro para o Coritiba até aqui. A equipe acumulou resultados ruins inesperados contra times pequenos no Estadual, e foi eliminado precocemente da Copa do Brasil. No entanto, o tempo extra para treinar e se condicionar fisicamente parece estar fazendo o time subir de patamar técnico nos últimos jogos, o que tranquiliza a torcida e gera algumas previsões mais otimistas. A perspectiva de novas contrações para setores mais carentes do elenco, se confirmadas, também poderão dar mais sustância ao time que precisa fugir da triste sina de lutar contra o rebaixamento no Brasileiro, algo bastante comum nas últimas temporadas. Ainda desconfiado do que este time pode render, darei um voto de confiança: aposto que o Verdão se manterá no meio da tabela e não sofrerá (tanto) para se afastar da degola.

Técnico: Pachequinho

Destaque: Kléber — novamente as esperanças do Verdão de um ano de alegrias residem nos pés salvadores do “Gladiador”. O craque alviverde tem carregado a responsabilidade de ser o nome do time há duas temporadas, e repetirá a dose neste Brasileirão. Porém, este ano ele terá mais gente para dividir o protagonismo, como o veterano meia Anderson, outro jogador que poderá trazer a pitada de qualidade necessária para fazer o Coxa subir de patamar.

Estádio:

Cruzeiro

Depois das campanhas recentes no Brasileirão onde acumulou um bicampeonato em 2013 e 2014, a campanha de 2016 soou pífia aos olhos do torcedor da Raposa. O time não se encontrou em praticamente nenhum momento do ano passado, e passou a se concentrar na esperança de mudar o cenário nesta temporada. Por hora, parece que a estratégia está funcionando: o Zeiro vem fazendo uma campanha convincente na Copa do Brasil, está nas semifinais da Primeira Liga, e mesmo perdendo a decisão do Mineiro para o rival Atlético e sendo eliminado na Sul-Americana tem deixando esperançoso o torcedor celeste. Grande parte do elenco montado no ano passado parece ter finalmente encontrado o entrosamento e a estabilidade técnica que credenciam o clube a sonhar com voos mais altos neste Brasileiro. Ainda assim, tenho lá minhas dúvidas. Aposto em metade de cima da tabela, com eventual briga por Libertadores.

Técnico: Mano Menezes

Destaque: Thiago Neves — O experiente meia foi contratado no início da temporada com a responsabilidade de ser o craque do time, mas ainda não rendeu o esperado. O que se imagina é que com mais ritmo de jogo e mais entrosamento, naturalmente a condição de jogador diferenciado irá aflorar e ele se tornará um dos grandes nomes do time no Brasileirão. Se não conseguir, Rafael Sóbis e De Arrascaeta são os candidatos a assumir o protagonismo na Raposa.

Estádio:

Flamengo

Que fique claro desde já que, para mim, o Mengão é o grande favorito ao caneco do Brasileirão deste ano. Não é de hoje que a diretoria do Rubro-Negro vem trabalhando na montagem de um elenco altamente qualificado, mas aparentemente só a partir do segundo semestre do ano passado a mistura deu a liga necessária para os resultados aparecerem. O Mengo foi o grande antagonista do Campeão Palmeiras em 2016, e começou 2017 sem tirar o pé do acelerador com grandes atuações na Libertadores, Primeira Liga e Carioca, onde se sagrou campeão. Sem dúvidas o elenco flamenguista está entre os melhores do Brasil, e na minha opinião é hoje o mais entrosado. Se conseguirem manter o forte ritmo que impeliram até aqui, fatalmente serão candidatos ao caneco no final do ano. A dúvida que fica é se as competições paralelas que tem pela frente não irão interferir nas chances do clube. Bem ou mal, provavelmente teremos o tal “cheirinho” impregnado nos odores flamenguistas por aí.

Técnico: Zé Ricardo

Destaque: Diego — O meia de 32 anos desembarcou no Flamengo no meio do Brasileirão do ano passado e em pouquíssimo tempo já era apontando como o principal responsável pela mudança de patamar do time na competição. Este ano o craque vem repetindo o sucesso, dividindo o protagonismo com o atacante Guerrero. No entanto, fica a impressão que mesmo diante do grande ano do peruano é Diego a principal esperança do Mengão na busca pelo caneco. Se jogar tudo o que pode e não se machucar, o homem pode fazer estragos em diversas defesas pelo país.

Estádio:

Fluminense

O Brasileirão de 2016 do Flu foi pífio. O clube que vinha empolgado depois do título da primeira Liga e apostava em briga por Libertadores ou título, acabou em um frustrante 13º lugar. A temporada atual começou com faxina no elenco e comissão técnica, e os resultados até aqui parecem ser animadores. O time tem feito boas atuações que lhe garantiram vaga nas oitavas da Copa do Brasil e título da Taça Guanabara. Mesmo derrotado pelo rival Flamengo na final do Carioca não dá para negar que o ano do Tricolor parece mais promissor que o anterior, o que certamente será suficiente para credenciá-lo a disputar uma vaga na Libertadores. No entanto, a falta de nomes com mais experiência no elenco pode ser, em teoria, um fator que atrapalhará a equipe nos momentos mais decisivos. Se souber lidar com esta pressão e jogar tudo o que pode, 2017 podee ser um ano muito positivo para a turma das Laranjeiras.

Técnico: Abel Braga

Destaque: Gustavo Scarpa — Em um time tão cheio de garotos vindos da base, é justamente o jovem meia que detém o protagonismo. Destaque há pelo menos duas temporadas, o jogador já é apontado como nome certo para a Seleção nos próximos anos e uma das grandes promessas de nosso futebol. Inteligente e técnico, seu grande problema será o de recuperar ritmo de jogo depois de uma contusão que o afastou dos gramados durante a maior parte do ano até aqui.

Estádio:

Grêmio

Houve um momento lá pelo fim do primeiro turno do Brasileiro de 2016 que eu cheguei a considerar que o Tricolor Gaúcho era favorito para conquistar o título. Não demorou e o time caiu de rendimento, se afastou da ponta da tabela, e deixou de sonhar com a conquista. Ainda assim a equipe teve forças para reencontrar o bom futebol na Copa do Brasil onde conseguiu se sagrar campeão, enquanto levava o Brasileirão com a barriga. Este ano o clube apostou na manutenção da base campeã do ano anterior com reforços pontuais, uma estratégia aparentemente acertada. No entanto parece que dentro das quatro linhas a coisa não está rendendo como o esperado. Mesmo praticamente já classificado para a próxima fase da Libertadores, o time não tem enchido os olhos do seu torcedor que ficou com a pulga atrás da orelha depois da eliminação na semifinal do Gaúcho para o Novo Hamburgo. No papel, não há dúvidas: o Imortal é forte, e pode sim fazer uma boa campanha, mas penso que antes terão que reencontrar seu melhor futebol. Acredito que flutuarão pelo meio da tabela.

Técnico: Renato Portaluppi

Destaque: Luan — Grande esperança das categorias de base gremistas, o jovem atacante é especulado em vários clubes europeus e tem boas chances de ser negociado nas próximas janelas de transferência. Ainda assim, se permanecer, facilmente tem tudo para ser novamente o grande nome do time ao lado de nomes como Pedro Geromel e Douglas (que se recupera de contusão).

Estádio:

Palmeiras

O Palestra tem colecionado caminhões de contratações todo o início de temporada nos últimos anos, sempre visando construir um elenco completo em todos os setores. Depois de muito dinheiro gasto e poucos resultados, a redenção aconteceu em 2016 onde finalmente o timaço que só brilhava no papel decolou e fez um Brasileirão irretocável, conquistando o título e sendo pouquíssimo ameaçado. A temporada atual começou com o óbvio objetivo de consolidar o Verdão como o grande clube do país na atualidade, e para isso, olhaí a surpresa, a diretoria investiu uma pequena fortuna para reforçar um elenco que já era o mais completo do Brasil. No entanto 2017 não tem sido tão glorioso assim para a Academia até aqui. O grande time de 2016 colecionou alguns tropeços, como a eliminação para a Ponte Preta na semifinal do Paulistão, e tem sofrido em vários jogos da Libertadores. A esperança do torcedor é que a jornada palestrina seja semelhante a do ano passado, onde o time patinou no primeiro semestre até deslanchar e vencer o Brasileiro de braçada. Elenco e qualidade para isso certamente o Palmeiras tem, e sinto que só uma instabilidade muito grande fará o time não brigar pelo bicampeonato em 2017.

Técnico: Cuca

Destaque: Dudu — Em um elenco que sempre se aprimora em cada janela de transferências é justamente o velho “motorzinho” do time Campeão de 2016 que carrega a responsabilidade de ser o craque palestrino deste campeonato. A fase de Dudu anda tão boa que o atacante chegou a ser convocado para a Seleção durante os últimos jogos das eliminatórias. No entanto o que não falta no atual Palmeiras são nomes capazes de “roubar” seu protagonismo como nos casos dos gringos Guerra e Borja, e do veterano Fernando Prass.

Estádio:

Ponte Preta

A Macaca foi uma das grandes surpresas de 2016. Depois de uma campanha fraca no Paulistão daquele ano, o time era virtual candidato ao rebaixamento na boca de muitos analistas da bola (eu incluso). No entanto o time fez contratações pontuais e se achou em campo, chegando a brigar por vaga na Libertadores durante grande parte do torneio, só ficando de fora por uma perda de fôlego já na reta final da competição. Nesta temporada, sem muitas contratações mas mantendo a base da boa campanha no segundo semestre, o time acabou surpreendido por uma eliminação precoce na Copa do Brasil, e chegou a assustar seus torcedores. A redenção veio depois de uma brilhante campanha no Paulistão onde o time eliminou Santos e Palmeiras nas fases eliminatórias, só caindo diante do Corinthians na final. Ainda que tenha chegado longe e apresentado um bom futebol contra seus vizinhos paulistas, sinto que a Alvinegra terá que se provar de fato no Brasileirão. O que eu penso? Francamente, tenho minhas dúvidas se conseguirão repetir a campanha do ano passado. Imagino que ficarão na metade baixa da tabela.

Técnico: Gilson Kleina

Destaque: Emerson Sheik — O veterano e polêmico atacante ainda nem estreou pela Macaca, mas já é — ao menos no papel — a principal referência técnica do time. Sem jogar desde 2016, há boas chances que o jogador demore a estrear ou a adquirir um ritmo de jogo ideal, o que não diminui a expectativa da torcida de que o craque se torne a referência da Ponte na competição. Outros nomes que podem roubar o protagonismo da Alvinegra durante o ano são Fernando Bob e o velho ídolo da torcida Renato Cajá.

Estádio:

Santos

Eu não levava muita fé que o Peixe repetiria uma boa campanha no Brasileiro do ano passado, principalmente diante da perspectiva da perda de peças importantes para o exterior. No entanto, mesmo tendo vendido alguns jovens craques, a equipe litorânea manteve-se jogando um futebol de qualidade a ponto de garantir o vice-campeonato de 2016. Sempre pródigo em revelar jogadores jovens e qualificados, o Alvinegro Praiano apostou na mesma fórmula para esta temporada contratando poucos jogadores e focando na base forte que já possuía. A eliminação nas quartas do Paulistão foi um tropeço inesperado, mas que não assusta o torcedor que vê o Peixe fazer uma campanha tranquila até aqui na Libertadores mesmo não estando em um grupo dos mais fortes. No entanto, a impressão que fica é a de que o time ainda não teve todo o seu potencial testado na temporada, e só será possível observar a real força deste elenco ao longo das sempre esclarecedoras 38 rodadas do Brasileiro. Fico inseguro de dar um palpite mais taxativo, mas acho difícil enxergar o Santos longe da metade alta da tabela. Brigará por título? Acho que não.

Técnico: Dorival Junior

Destaque: Lucas Lima — O jovem meia perdeu espaço na Seleção comandada por Tite, mas nem por isso deixa de ser a principal referência do elenco santista, sempre bem servido da mescla de juventude e experiência. Em busca novamente de seu melhor futebol, o camisa 10 do Peixe sabe que precisa arrebentar na competição para voltar a sonhar com uma vaga no elenco do Brasil. Ou seja: há motivos de sobra para o jogador arrebentar e assumir o manto de protagonista mesmo estando em um elenco onde sempre existem boas chances de um novo e surpreendente destaque surgir a qualquer momento.

Estádio:

São Paulo

O Tricolor do Morumbi patinou do início ao fim de 2016. Foi um ano medíocre, que passou longe de oferecer ao torcedor um vislumbre das reais possibilidades que aquele elenco poderia conquistar em campo. A insossa 10ª posição fez a diretoria se mexer para tentar reverter a situação contratando alguns nomes experientes e qualificados, e apostando no comando técnico do ídolo Rogério Ceni à beira do gramado. O que se viu em campo até agora não tem sido muito animador. O time foi eliminado nas semifinais do Paulistão pelo Corinthians, caiu na Copa do Brasil pelos pés do Cruzeiro, e saiu da Sul-Americana ao ser eliminado pelo Defensa y Justicia. A impressão que fica é a de que o time pode render mais do que vem jogando, e só com a consolidação do trabalho do técnico/ídolo e entrosamento dos bons jogadores recém chegados é que teremos a chance de observar o Soberano brigando por um algo a mais até o fim da temporada. Meu palpite é que este atual time do Tricolor só terá forças para brilhar lá pela segunda metade da competição, quando adquirir mais conjunto. Até lá acredito que ficarão pelo meio da tabela com alguma chance remota de briga por Libertadores.

Técnico: Rogério Ceni

Destaque: Lucas Pratto — O atacante de Seleção Argentina chegou ao Morumbi com status de grande contratação do ano e tem feito jus à fama até aqui, marcando gols e dividindo o protagonismo do elenco aos olhos da torcida com o peruano Cueva. Fato é que, em um time que sofreu tanto com atacantes nos últimos anos, Pratto é um nome forte e qualificado que tem tudo para colocar o Soberano novamente no caminho das grandes conquistas.

Estádio:

Sport

Eu botava muita fé no Sport em 2016, e por pouco não vi o Leão da Ilha rebaixado. A equipe que tinha um bom time no papel simplesmente não se achou em campo e só fugiu da degola nas rodadas finais. Esta temporada começou com o time se remontando dentro e fora de campo, e se o futebol até aqui não foi dos mais convincentes, ao menos o Rubro Negro tem jogado o bastante para ter garantido o título do Pernambucano, a final da Copa do Nordeste, e uma suada vaga à próxima fase na Copa Sul-Americana. A impressão que fica é que se reencontrar o bom futebol o Sport poderá se candidatar este ano a ser aquele time que ninguém acredita mas que surpreende e vai longe. Eu boto fé que o Leão vai brigar na intermediária da tabela com chances de flertar com a parte de cima da tábua de classificação.

Técnico: Ney Franco

Destaque: Diego Souza — Não é fácil um jogador conseguir rivalizar em termos de simpatia da torcida dentro do Leão com um dos principais ídolos do torcida, o goleiro Magrão, feito protagonizado pelo atual camisa 87 do time. Além de ter se tornado a principal referência técnica do time, Diego Souza tem jogado bem a ponto de ter sido lembrado para a Seleção Brasileira. Qualquer pretensão do Sport ter um grande ano passa pelos seus pés.

Estádio:

Vasco

O Gigante da Colina experimentou em 2016 o amargo gosto da série B, e conseguiu subir à elite sofrendo mais do que gostaria. O time que era tecnicamente superior à grande maioria dos rivais da Segundona foi instável a ponto de fazer o clube só garantir o acesso no finzinho da competição. A temporada atual começou com o torcedor apostando que o Vascão iria atrás de vários reforços para ampliar seu leque de opções e melhorar o nível técnico do time, o que na prática não aconteceu. O elenco atual é praticamente o mesmo do ano passado com a adição de peças pontuais que até aqui não corresponderam a ponto de fazer o time subir de patamar como se esperava. A eliminação na Copa do Brasil é uma demonstração disso. Mesmo tendo conquistado a Taça Rio, não dá para esconder que o time está longe de apresentar um futebol brilhante e que terá que fazer das tripas coração para surpreender e fazer uma grande campanha no Brasileiro. Aposto em metade de baixo da tabela, com briga contra a degola.

Técnico: Milton Mendes

Destaque: Nenê — já fazem três temporadas que o meia-atacante é o grande protagonista do elenco vascaíno sem encontrar qualquer rival que ameace destrona-lo do posto. O craque é sem dúvidas a grande referência do time e precisa que seus companheiros, principalmente os mais experientes como o meia Wagner e o atacante Luis Fabiano, cresçam de rendimento para auxiliá-lo na tarefa de fazer o Gigante da Colina triunfar em 2017.

Estádio:

Vitória

O Leão da Barra só conseguiu respirar aliviado no Brasileirão de 2016 após o apito final de sua última partida na competição. Terminando o ano na 16ª colocação, a última antes da ZR, a única certeza que o Rubro-Negro dava era de que precisaria mexer em muita coisa se quisesse ter uma temporada menos cardíaca em 2017. E as mudanças, de fato, aconteceram: a equipe contratou vários jogadores e fez uma preparação forte para o ano que viria. Em campo o time alternou bons e maus momentos, mas deixa a impressão de que inspira previsões mais otimistas para o Brasileirão. Mesmo eliminado nas semifinais da Copa do Nordeste pelo rival Bahia, e da Copa do Brasil pelo Paraná Clube, o time teve bola suficiente para garantir o Campeonato Baiano. Penso que o Vitória tem tudo para fazer uma campanha melhor que a do ano passado, principalmente se tiver um bom começo. Ainda assim não consigo ver o Leão sonhando com nada muito além do que uma posição intermediária na tabela.

Técnico: Dejan Petković

Destaque: André Lima — O veterano atacante chegou ao Leão sem muito alarde e longe de ser o nome em que a torcida depositava as maiores esperanças em 2017, mas vem fazendo bonito até aqui. Sendo decisivo e marcando vários gols, provavelmente terá um papel importante na missão do Rubro-Negro no Brasileirão. Olho também no veterano e qualificado Cleiton Xavier, outro nome que pode fazer a diferença no elenco do time da Barra.

Estádio:

Com colaboração de Gabriel Matheus Galvão