Atacante Colorado Ariel lamenta oportunidade perdida pelo Internacional no empate com o Sport em Recife por 1x1. Já são 14 jogos sem vitória (Foto — Reprodução SporTv)

Reage, Colorado

Quando o Campeonato começou, as coisas pareciam promissoras para o Internacional. Depois de conquistar o hexa no Campeonato Gaúcho, o time comandado por Argel Fucks entrou no Brasileirão com a promessa de apresentar um time jovem e competitivo para brigar pelas posições mais altas da tabela. Parecia promissor. Se houve quem já levantasse suspeitas com relação às chances de sucesso do elenco colorado em função dos poucos nomes badalados, eu fui um dos que apostou que tinha tudo para dar samba. Previsões furadas à parte, o Internacional chegou nesta 22ª rodada ao 14º jogo consecutivo sem vencer depois do empate com o Sport em 1x1. De quebra, o time gaúcho entrou na temida Zona de Rebaixamento.

Sim, as coisas andam bem feias lá para as bandas do Beira Rio.

Digam o que disserem, minha aposta numa boa campanha do Inter era até coerente antes do campeonato começar. Tendo mantido praticamente intacta a base de jovens jogadores que conquistaram um honroso 5º lugar no Brasileirão de 2015 e somando a isso o estilo de jogo pragmático mas eficiente de Argel Fucks, a perspectiva era de um time que tinha no mínimo a possibilidade de se manter na parte alta da tabela. E o começo do Campeonato fez justiça a esta expectativa: até a oitava rodada, data da última vitória do Colorado antes da atual sequência de resultados ruins (2x0 contra o Atlético Mineiro, no Beira Rio), o time tinha conquistado seis vitórias, um empate e apenas uma derrota, o suficiente para coloca-lo como líder isolado da competição com 19 pontos. Mesmo sem grandes estrelas, os gaúchos se mantinham firmes e fortes no topo, e não havia nenhum mínimo indício do pesadelo que iria se apossar dos sonhos de seu apaixonado torcedor dali em diante.

Técnico Celso Roth é a atual aposta da diretoria no duelo contra o rebaixamento. Equipe está com apenas 24 pontos (Foto — Reprodução Facebook)

A partir daí o Inter foi se perdendo, acumulando resultados desfavoráveis a ponto de conseguir apenas cinco empates em 14 partidas disputadas. A má fase custou o emprego do técnico Argel Fucks que foi substituído por Paulo Roberto Falcão. Não adiantou. Quando se imaginava que a figura do grande ídolo Colorado como treinador seria suficiente para trazer calma ao elenco, depois de apenas cinco jogos e nenhuma vitória a direção do clube decidiu demiti-lo e apostar na quase folclórica figura do técnico Celso Roth para tentar tirar o time da crise. Mesmo assim, pasmem, o Internacional ainda não conseguiu vencer.

O time que chegou a manter cinco jogos de invencibilidade no início do torneio e liderou a tabela por três rodadas, hoje amarga um improvável 17º lugar enquanto vive uma das piores crises técnicas de sua história. A perspectiva de uma luta contra o rebaixamento, teoria que chegava a soar ofensiva para alguns torcedores Colorados até poucas rodadas atrás, hoje já é admitida até mesmo pela direção de clube, que terá 16 jogos para somar os 45 pontos que teoricamente impediriam o time de cair de divisão e viver aquele que seria provavelmente o maior vexame de sua história.

Particularmente eu não acho que o Inter será rebaixado. Historicamente, os clubes que geralmente terminam o campeonato na ZR são aqueles que ficam patinando abaixo do 10º lugar e caem de rendimento na reta final do returno. Isso, é claro, não se aplica aos casos daqueles times que estão muito, muito atrás dos concorrentes como no caso do América MG neste ano, equipe que mesmo crescendo de rendimento precisará de um verdadeiro milagre para se ver livre da degola.

O time do Internacional está longe de ser ruim, em minha modesta opinião. Sinto que um dos principais problemas do elenco Colorado é a falta de maior experiência para lidar com uma situação tão adversa. Os vários jogadores jovens tem uma tendência natural a se abalar mais com as críticas e com a pressão vinda das arquibancadas. Uma pressão que, aliás, chegou a ser violenta, como na ocasião em que torcedores do Inter depredaram o estádio Beira Rio depois da derrota para o Palmeiras por 1x0. Tal comportamento não apenas ajuda a tornar o clima mais pesado, como afeta justamente o rendimento dos atletas mais inexperientes.

Mesmo que a escolha de Celso Roth esteja longe de ser a ideal no meu ponto de vista, o fato é que o Colorado tem tempo e elenco para sair dessa situação sem maiores sustos desde que consiga uma breve sequência de bons resultados que devolvam a confiança aos jogadores. Mesmo com o mercado de contratações limitado em função do baixo volume de atletas de bom nível disponíveis, a diretoria já trouxe nomes mais tarimbados que podem ajudar a dar a estabilidade técnica necessária neste momento difícil. O que não pode mais acontecer são trapalhadas como as que envolveram a contratação do lateral Ceará junto ao Coritiba: o jogador que foi trazido às pressas para reforçar a posição foi rejeitado nos exames médicos e devolvido ao Coxa, que não o aceitou por alegar que o negócio já estava fechado. No fim das contas o lateral acabou mesmo ficando no Rio Grande do Sul, mas a confusão acabou “queimando o filme” do atleta e enfureceu ainda mais os torcedores em um momento absolutamente inapropriado, onde o clube deveria passar longe de qualquer polêmica.

Mesmo com estes problemas, eu sou do time que aposta que o peso da camisa Colorada poderá fazer a diferença neste momento tão difícil desde que diretoria, elenco e torcida se unam para superar tal crise. O que não dá mais é para continuar tropeçando e deixando a reação para mais tarde. O Inter joga também contra o relógio.

Tá na hora de acordar, Colorado.

Firulas

  • Se a crise no Internacional chegou a seu ápice, as coisas não ficam muito atrás no São Paulo. O time que também vem caindo de rendimento ao longo da competição e que tem perdido vários atletas importantes para times do exterior sofreu com um ataque de torcedores ao CT do clube no último sábado (27). Centenas de invasores cobraram agressivamente os jogadores, e alguns chegaram a ser agredidos fisicamente. A diretoria prometeu identificar e punir os autores dos atos de violência. Mas, cá entre nós… Quem aqui acredita que as coisas vão mudar, mesmo? Infelizmente estes atos de violência se tornaram rotina em nossas páginas de esporte a um ponto em que nem nos chocam mais. Virou rotina. Sem punição efetiva e adequada a estes elementos que frequentemente cometem tais crimes, nada vai mudar.
Hudson e Juninho duelam pela bola no Morumbi. Empate em 0x0 manteve os dois times próximos da ZR (Foto — Reprodução Gazeta Esportiva)
  • Tentando se aproveitar do momento conturbado do São Paulo, o Coxa foi até o Morumbi no domingo (28) almejando subir na tabela e se afastar de vez da ZR. Não rolou. O Verdão não conseguiu sair do 0x0 em um jogo pouco movimentado, que contou com o goleiro Wilson como principal figura da partida. O Alviverde terminou em 16º, dois pontos à frente do Internacional, último time na ZR.
  • Na última quinta-feira (25), o Coxa foi até Salvador enfrentar o Vitória pela Copa Sulamericana. O primeiro tempo do verdão foi excelente, com um gol marcado e várias chances desperdiçadas. Quando o torcedor já encarava o triunfo como certo, os donos da casa cresceram no jogo e se aproveitaram de falhas defensivas para virar o placar e vencer o jogo por 2x1. Ainda assim o resultado não foi tão ruim para o Coritiba, que com uma simples vitória por 1x0 no jogo de volta já se classifica. Só não pode tomar gol.
Hernani comemora o único gol da vitória do Atlético sobre o Botafogo na Arena. Resultado afastou o risco de crise (Foto — Reprodução Placar)
  • O Atlético também não foi bem no meio de semana sendo derrotado pelo Grêmio, em casa, por 1x0 no jogo de ida das oitavas de final da Copa do Brasil. O Furacão fez um primeiro tempo dos mais sonolentos e saiu perdendo. Na segunda etapa, quando tentou reagir, parou no excelente trabalho do sistema defensivo gaúcho. Ao Furacão resta agora sonhar com uma vitória cheia de gols no jogo da volta em Porto Alegre. Parece mais fácil na teoria do que deverá ser na prática, mas ainda dá pra sonhar.
  • Pelo Brasileirão, o Rubro Negro recebeu o Botafogo na Arena da Baixada na segunda-feira (29). Vindo de quatro derrotas consecutivas, um novo revés bastaria para transformar em calamidade o ambiente atleticano que já estava bem desgastado em função dos desentendimentos entre torcida e diretoria. Felizmente um gol marcado logo no início da partida foi suficiente para garantir a vitória ao Furacão, que teve que se virar no restante da peleja para suportar a pressão carioca a sair de casa com os três pontos. Mesmo sem encher os olhos da galera o triunfo foi importante para devolver a confiança ao Atlético que sonha em voltar à briga pelo G4. No momento, é o 8º.
Gabigol se emociona em sua despedida do Santos. Jovem craque irá defender a Inter de Milão. Vai com deus, guri! (Foto — Reprodução Facebook)
  • Quem está partindo do futebol Brasileiro é o atacante Gabriel, vulgo Gabigol, que se despediu do Santos no último domingo para jogar na Internazionale de Milão. Antes da bola rolar no Brasileirão eu apostei que o Santos só faria uma boa campanha este ano se mantivesse no elenco suas principais estrelas, o que eu achava meio difícil. No fim das contas Gabriel — pelo menos por enquanto — foi o único dos grandes craques do atual elenco santista a abandonar o barco. Além disso, em função de ter servido a seleção brasileira na Copa América, jogos das Eliminatórias e Olimpíadas, o atacante se ausentou bastante e não atuou várias vezes no ataque santista neste campeonato. Ainda assim, para surpresa deste que vos fala, o Alvinegro Praiano vinha muito bem. Ou seja: há, sim, vida sem Gabigol e o Santos pode continuar sonhando com G4. Sorte ao jogador e ao Peixe.