Dos jogos às segundas-feiras, Cruzeiro 0x3 Atlético-Pr no Mineirão foi o de melhor público: 32.042 pagantes. Novo horário tem atraído o público (Foto — Reprodução YouTube)

Segunda de sucesso

Dias antes do início do Campeonato Brasileiro de 2016 a CBF anunciou com certa pompa aquela que era segundo eles “uma das principais novidades do torneio deste ano”: os jogos às segundas-feiras. O anúncio dividiu opiniões. Houve quem tivesse simpatizado com a ideia já tradicional em campeonatos estrangeiros como o Inglês, enquanto outros criticaram a Confederação por considerar que haviam coisas mais relevantes a se mudar no futebol brasileiro do que o horário do último jogo da rodada. Gostando ou não da novidade, o fato é que na prática os jogos às segundas tem sido um inegável sucesso de público. A questão a se esclarecer agora é se tais números são um fenômeno passageiro, ou se esse nosso gosto por futebol no dia mais odiado da semana veio mesmo para ficar.

Uma reportagem feita pelo GloboEsporte.com na última semana deu números aos bois com relação às médias de público no Brasileirão deste ano em relação aos dias e aos horários da semana. Levando-se em conta apenas os jogos ocorridos até a 15ª rodada, o horário de maior sucesso de público é, disparado, a segunda-feira 20h: média de pouco mais de 25 mil torcedores por partida. Mesmo somando o público do jogo de ontem entre Flamengo e América MG de 16,523 a média ainda seria a melhor do torneio, com cerca de 23 mil pessoas por jogo. Os outros horários de sucesso são quinta-feira 21h (média de 16,9 mil), e o clássico domingo 16h (16,8 mil de média). Do outro lado da balança, os horários com as menores médias de espectadores são quarta-feira 19h30 (média de 9 mil), quarta-feira 21h (8 mil de média) e o “grande campeão de desinteresse” é sábado 18h30 (apenas 7 mil espectadores de média).

A reportagem também aponta certas curiosidades interessantes: o horário queridinho do ano passado, o domingo às 11h, tem aos poucos deixado de ser uma atração das mais cativantes para o público. No ranking atual ele ocupa apenas o 6º lugar entre a preferência dos espectadores com média de 14 mil torcedores por partida. Outro dado interessante é observar como sábados e quartas-feiras parecem estar perdendo força quando o assunto é público nos jogos: dos seis horários com pior média do Brasileiro, três deles são no sábado e dois na quarta-feira.

Primeiro jogo com novo horário, Sport 1x3 Palmeiras teve público de 26.719 pessoas (Foto — Reprodução Facebook)

É óbvio que há uma série de fatores que podem nos ajudar a entender porque certos horários tem cativado mais público que outros, mas no geral é difícil apontar um padrão claro de preferência. No entanto, se faltam razões óbvias para justificar as médias de público em boa parte dos casos, ao analisarmos com cuidado os dados brutos podemos perceber que a quantidade de horários alternativos ajuda a explicar porque o torcedor brasileiro está cada vez mais distante dos estádios. Ao todo, o Brasileirão já apresentou 25 escalas de jogos diferentes, 15 dos quais já se repetiram mais de uma vez. Uma verdadeira salada de datas que dificulta o planejamento do público na hora de se organizar para acompanhar os jogos. Mesmo os torcedores de sofá sofrem: se por um lado esta profusão de horários alternativos é justificada para favorecer o assinante do pay per view, por outro chega a ser difícil para o espectador da TV notar um padrão que torne a consulta a algum guia de programação desnecessário. As escalas dos jogos no Brasil tem sido cada vez menos intuitivas, e isso atrapalha o futebol como um produto comercial num todo.

Outro fator a se pensar é o horário dos jogos em si. Partidas que começam depois das 21h30 são temerárias para boa parte dos torcedores. Como velho frequentador de estádios, posso afirmar com segurança empírica que são poucos os cidadãos que se arriscam a voltar para casa com transporte público em confrontos que terminam perto da meia-noite. Mesmo quem fica assistindo de casa sofre por ter que acordar cedo no dia seguinte. Já partidas que começam entre às 19h e 19h30 atrapalham o público de outras maneiras: embora não terminem tão tarde, o fato de que boa parte dos frequentadores de estádios trabalha e sai do emprego direto para o estádio em pleno pico de trânsito favorece a baixa ocupação de assentos nestes horários. Nem quem fica em casa acompanhado pelo rádio tem sucesso, já que durante a semana as emissoras são obrigadas a transmitir o programa estatal “A Voz do Brasil”. Neste sentido, por mais exótico que nos soe num primeiro momento partidas às segundas-feiras, o início dos jogos às 20h é de um acerto inegável. Penso que este é o melhor horário possível para quem deseja acompanhar um jogo no período da noite, seja em casa ou no estádio.

O fato é que independentemente de qualquer horário e do eventual sucesso dele o futebol brasileiro PRECISA ser mais organizado até neste aspecto. O Brasileirão, gostem os torcedores mais conservadores ou não, é um produto de entretenimento como outro qualquer e precisa de público seja em casa ou in loco para crescer e ser mais rentável. Se queremos um espetáculo atrativo, pensar em horários mais fixos e intuitivos é um bom começo para se alcançar este objetivo. Basta observarmos outras grandes ligas de futebol do mundo ou mesmo outros esportes para vermos que cobrar mais eficácia neste aspecto não é um mero capricho: é uma necessidade.

Paranaenses — Alívio de um lado, empolgação de outro

Foi uma jornada feliz para os paranaenses no Brasileirão. A 16ª rodada do torneio trouxe vitórias para Atlético e Coritiba, que mesmo em situações bem diferentes na classificação comemoraram com empolgação semelhante. E a alegria é mais do que justificável: depois de uma sequência de resultados ruins e de ter voltado a frequentar a ZR, o Coxa encarava o duelo contra o Santa Cruz como uma partida de vida ou morte para clube. Já o Furacão, depois de ter decepcionado em duas partidas em casa no Brasileiro e na Copa do Brasil, entrou em campo contra o Fluminense desfalcado e pressionando, precisando vencer para manter vivas as esperanças de briga por G4 e para espantar uma incômoda nuvem de crise que já pairava pelo Caju.

Ex-atacante do Coritiba, Arthur não foi páreo para a marcação alviverde. Coxa reencontrou a estabilidade defensiva no Brasileiro (Foto — Reprodução Facebook)

O Coritiba foi o primeiro a entrar em campo no sábado (23), em Recife. Ainda sem vencer fora de casa na competição, os paranaenses sabiam que qualquer resultado que não fosse uma vitória seria desastroso para as pretensões do time que ainda sonha com um segundo turno menos sofrido. Mesmo sem um dos seus principais jogadores, o meia Juan, suspenso temporariamente depois da discussão com o treinador Pachequinho na partida anterior, o Coxa fez bonito. O Santa Cruz foi praticamente anulado pelo Coritiba em todo o primeiro tempo, e mesmo com mais posse de bola não conseguia levar perigo ao goleiro Wilson. O Verdão foi paciente e abriu o placar com gol de Kleber aos 32 minutos, aproveitando um bom passe de seu parceiro gringo de ataque, o atacante Kazim. No segundo tempo o Coxa voltou ainda melhor e se aproveitando de uma visível desorganização dos donos da casa continuou criando chances e tentando ampliar o marcador. Nem mesmo o pênalti perdido por Kleber aos 10 minutos e a bola na trave de Felipe Amorim aos 48 atrapalharam a jornada Alviverde, que voltou para Curitiba ostentando um importante 0x1 e comemorando os primeiros três pontos trazidos fora de casa no Brasileirão.

Hernani comemora o único gol da vitória do Atlético sobre o Fluminense. Time se manteve em 5º, e continua sonhando com Libertadores (Foto — Reprodução YouTube)

O Atlético foi a campo no domingo (24) tendo que lidar com a desconfiança dos analistas e torcedores. Depois do inesperado — mas justo — empate contra o Vitória, o Furacão encarou o confronto contra o elenco reserva da Chapecoense no meio da semana como a chance perfeita para devolver a confiança ao time no difícil jogo contra o Fluminense. No entanto a atuação pífia e o empate sem gols contra os catarinenses só serviram para tornar o ambiente do jogo de domingo ainda mais pesado. Some-se a isso o fato de que após o confronto contra a Chape dois dos principais jogadores do elenco Rubro negro — Nikão e André Lima — se contundiram, e você tinha uma perspectiva não muito animadora para o jogo contra o Tricolor Carioca. Mas a desconfiança virou fumaça assim que a bola rolou na Arena: o Atlético começou a se impor logo no início, e dominou o Fluminense com naturalidade. Até o atacante da base Yago, em sua primeira apresentação como titular, parecia não sentir a pressão e levava perigo constante à defesa do Flu. A pressão deu resultado aos 33 da primeira etapa, quando Hernani aproveitou passe do inspirado Walter para abrir o placar. No segundo tempo o Fluminense até tentou, mas foi o Atlético que continuou levando mais perigo ao gol de Diego Cavalieri. Placar final de 1x0 para os donos da casa, que depois da terceira partida seguida na Baixada finalmente saíram de campo sob aplausos.

As vitórias da dupla Atletiba prometem dar um novo ânimo para as equipes dentro do torneio, principalmente para o Coxa: o time que vinha de uma sequência de péssimos resultados precisa usar a motivação e o bom futebol apresentando na última rodada para seguir fazendo pontos tanto dentro quanto fora de casa. Outro ponto a se destacar é que mesmo com a recente fase ruim, o Coritiba definitivamente parece ter corrigido um dos problemas que mais o atormentaram no início do torneio: a fragilidade defensiva. Se continuar mantendo a baixa média de gols sofridos e melhorar a pontaria do ataque que ainda está devendo mais eficiência, fatalmente o Alviverde seguirá subindo na tabela e se afastando das infernais quatro últimas posições da tabela.

Já na Baixada, a perspectiva é otimista mas cautelosa: a vitória contra o Fluminense traz ânimo, mas escancara uma certa síndrome de Robin Wood dos paranaenses. O time que se mostra tão eficiente contra equipes mais tradicionais e que frequentam a parte de cima da tabela, parece entrar em campo menos ligado e encontra dificuldades contra adversários mais frágeis tecnicamente ou que estão próximos da ZR. Se conseguir manter o bom retrospecto contra seus rivais diretos pelo G4 e não perder mais pontos para as equipes menores, o Furacão pode sim sonhar em se manter lutando pela Libertadores. No entanto é preciso frisar que para isso a boa administração das peças do time será preponderante. Com elenco reduzido e com os poucos reforços que chegaram na última janela de contratações, Paulo Autuori terá que se virar e recorrer à base atleticana para sobreviver na área vip do Brasileirão.

O Atlético é primeiro a voltar a campo já na quarta-feira (27) contra a Chapecoense na Arena Condá em jogo decisivo da terceira fase da Copa do Brasil. No sábado (30) o Furacão viaja para Recife para enfrentar o Sport na Ilha do Retiro. O Coritiba só joga no domingo (31) quando enfrenta o Flamengo no Couto Pereira.