
Corrupção é crime hediondo
Político corrupto é o extremo do inaceitável, é o ladrão rico roubando do cidadão pobre.
Imagine um disco bem grande de massa de pizza. Você vai cobrir a pizza com ingredientes diferentes, segundo uma determinada proporção.
Metade da pizza você vai cobrir com molho caseiro de tomates, queijo tipo muzzarella em fatias, azeitonas miúdas, um fio de óleo de cozinha.
A outra metade você vai dividir em dois. Sobre um desses quartos você vai colocar um delicado molho de tomates importados da Itália e temperado com especiarias de Istambul, finas fatias de queijo francês de leite de cabra, folhas largas de basilicão, aparas de lagosta e toques de trufas brancas frescas. Regue com azeite grego extra-virgem.
No último quarto restante, espalhe uma colher de café de massa de tomate de latinha, salpique um pouco de queijo ralado em pó eum punhado de orégano. Encerre com óleo de soja.
Agora é só botar no forno à lenha e está pronta sua pizza social chamada Brasil.
Sim, porque um pouco mais da metade dos brasileiros, 54%, pertence à classe C, a chamada classe média. Um pouco menos de um quarto da nossa sociedade, 22%, são das classes A e B.E o quarto restante, os outros 24% pertencem às classes D e E.
A vida das pessoas pobres, às quais costumamos nos referir com o eufemismo ‘menos favorecidas’ devido à culpa que sentimos por pertencermos ao lado mais bem coberto da pizza, é muito difícil. Os serviços que o Brasil oferece à elas, como rede de água e esgoto, luz, transporte, hospital, educação, é indigno. Morar mal, comer mal, não ter atendimento médico, muito menos dentário, ser esmagado no transporte público, ver um mundo de maravilhas nas vitrine e não ter acesso a nada e ainda assistir na TV os políticos corruptos roubando o nosso dinheiro é DEMAIS pra aguentar. Porque isso não acontece só num dia, acontece todos os dias, por anos e, em alguns casos, gerações.
Nossa postura diante disso tudo está resumido numa frase que li no caderno Aliás do dia 23 de junho de 2013 do Estadão, sobre as manifestações:
“A classe média apreende com repugnância o horror das balas de borracha, mas não reconhece a violência sistemática que marca a experiência social dos pobres.” (Pedro Rocha de Oliveira, professor da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro)
A gente vai convivendo com a pobreza, a injustiça, a corrupção e acaba se acostumando com isso como se fosse NORMAL. Não é normal, não é correto e nós PODEMOS mudar tudo isso.
Porque estamos olhando certo, mas vendo errado. O sofrimento dos pobres é diário, contínuo, absurdo. Mas não vemos mais o que é crônico, só o que é agudo, como as balas, os tiros, os crimes, a destruição. Só vemos o episódico, não vemos mais o endêmico.
E a corrupção é endêmica, abominável e deveria ser classificada como crime hediondo. Porque o extremo do absurdo. É rico roubando de pobre. É eleito roubando de eleitor. É funcionário que a gente paga pra trabalhar pra nós roubando pra ele. É como polícia que está lá pra proteger cidadão e protege o tráfico. Isso tudo tem que acabar. Tem que acabar.
Tem que ser do jeito que é previsto para ser. Funcionário público funciona para o público. Policia protege cidadão contra o bandido. Bandido vai pra cadeia. A cadeia recupera o infrator para devolvê-lo para sociedade. Cidadãos pagam impostos e os impostos são investidos na sociedade para o bem dos cidadãos. É primário? É, mas nem no primário nós conseguimos chegar.
Políticos que praticam crime de corrupção deveriam ser enquadrados em crimes hediondos contra a sociedade. Porque roubar do cidadão de bem que paga seu salário é pior do que morder a mão que o alimenta, é atirar pelas costas em quem o elege.
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