
Alexandre Sequeira à 150 quilômetros de Belém
Lá em Nazaré de Mocajuba
Quando você pensa que a vida acadêmica só é feita de ciência, Alexandre Sequeira aparece para mostrar como se faz. Arquiteto por formação e especialista em artes visuais e semióticas, desenvolve trabalhos tremendamente impactantes com a fotografia.
Sequeira, praticamente um antropólogo, destrincha, descortina, humaniza desde comunidades inteiras à si mesmo, expondo de maneira afetiva e cheia de significação as relações humanas que são tão particulares quanto universais. São efêmeras como papel de arroz mas tão significativas que mudam a realidade de uma povoado.
Um de seus mais relevantes trabalhos é a série Nazaré de Mocajuba, que tenho como referência primordial. Sua pesquisa o levou à comunidade homônima, localizada à 150 km de Belém, a qual se tornou crucial, inclusive, para que seu trabalho se consolidasse ao redor do mundo. O resultado foi muito mais extraordinário que o imaginado.
Passou várias semanas em convivência com as pessoas da comunidade e, em pouco tempo, se tornou o retratista oficial do local. Enfim, a fascinação por elas foi inevitável. Em troca pelo trabalho, pedia-lhes uma peça de tecido, um lençol, uma cortina, uma toalha de mesa. Nelas, imprimiu os retratos de seus donos e as devolveu. Sequeira, ao registrar os tecidos estendidos nas casas das pessoas, revelando a presença intrínseca e essencial de seus proprietários, tanto nos tecidos quanto na sala, no quintal, na cozinha…



É difícil descrever o que esse trabalho transmite. Ele revelou, em tecido, a alma da comunidade. Tornou o que é simples e efêmero em presença definidora e tangível e o levou para o mundo.
O Alexandre Sequeira tem uma palestra pelo TEDx Amazônia onde conta a história dessa experiência: