A experiência que estou tendo em minha vida poderia escrever um livro e com esta ideia pensei em criar um blog. Eu nunca gostei de escrever por mais que admirasse a ideia de mudar meus hábitos e este diário, contará um pouco o que estou passando e como tomei essa decisão que irá mudar a minha vida.
As pessoas me perguntam por que quero casar? Falam que eu sou muito novo e que eu tenho muito para aproveitar da vida, mas de fato você realmente começa a ter certeza que tomou a decisão certa quando nada do que os outros falam a respeito da sua decisão te incomoda. Alguns aspectos ao longo de um relacionamento começam a pesar e ganhar sentido.
Eu e a Luana nos conhecemos muitos anos antes de namorar. Eu cresci visitando minha vó quando pequeno e consequentemente olhava para a Luana, 13 anos e eu mais velho tinha uns 17. A diferença de idade fez com que eu nunca desse bola para ela, por ser um garoto mais velho ela ficava me admirando na janela do prédio. Eu não assumia mas gostava disso, afinal nunca fui uma pessoa popular na escola e de muitos relacionamentos.
A vida passou e eu comecei a trabalhar. E depois de alguns anos quando tinha uns 21 anos de idade, comecei a conversar com a Luana. Aquela garota de 13 anos que conheci já tinha 17 e com mais maturidade.
Tomei a coragem e chamei ela para ir ao cinema comigo para assistir Marley & Eu. Pedi o carro da minha mãe emprestado e fomos fazer nosso primeiro encontro. Largamos aquela admiração de lado, o contato pela internet e literalmente saímos para nos conhecer. Peguei na mão dela e ali eu percebi que tudo começou.
A Luana era diferente, mesmo com as frescuras dela eu gostava. Eu não admirava a Luana e nem a achava bonita mas me deixei envolver.
Acho que aceitar uma situação e dar chance para uma pessoa te mostrar algo diferente foi determinante para eu ter hoje o que tenho conquistado com ela. A Luana com o tempo foi mostrando a beleza dela, a Luana aos poucos foi mostrando a personalidade dela. Eu falo para todos: — Não foi um amor a primeira vista. — Mas eu deixei meu coração acreditar. A Luana nunca me decepcionou, ela sempre esteve ao meu lado nos momentos mais difíceis da vida, sempre tinha ótimos conselhos, chorava comigo e me abraçava. A Luana hoje tem uma beleza um brilho que nenhuma mulher (nem a miss-mundo) consegue apagar.
Namoramos: e como todo namoro tínhamos o ‘choque-de-realidade’. Eramos muito diferentes, ela gostava de Músicas diferentes, gostos diferentes, comida diferente. A Luana não gostava de comer quase nada e eu comia de tudo em qualquer lugar. Enquanto a Luana ia para a direita eu estava na esquerda. Eu dormia tarde e ela dormia cedo. Hoje somos tão parecidos que somos totalmente diferentes de quando nos conhecemos. Amadurecemos!
Mas tudo que nos tornamos hoje foi natural. Ninguém obrigou nem forçou nada. Crescemos sem perceber. Viramos gigantes sem perceber. Acredito, que mudamos pois queríamos ser melhores uns para os outros.
Eu com 22 anos de idade um pouco revoltado de ficar gastando dinheiro atoa comecei a me perguntar o que eu poderia fazer de forma inteligente com o meu dinheiro. Já estava na faculdade e trabalhando na área e isso me dava perspectivas de coisas ambiciosas.
Quando trabalhei na C&A tive um chefe chamado Cleber e ele me disse que a pior burrada que ele fez quando era jovem foi ter comprado um carro, levei isso para o resto da minha vida, enquanto meus amigos e colegas da minha idade queriam carros ou status eu me acostumava com a ideia de que isso não era pensar no futuro. O tempo passou e um dia no meu antigo trabalho onde fazia estágio na Berrine colegas comentavam que o melhor negócio era comprar apartamento e que o Governo estava ajudando as pessoas com subsídios para quem não ganha muito. Nunca fui fã de carro, afinal morar em São Paulo é caótico. E a ideia de um apartamento começou a ganhar forma.
Um dia acordei cedo em um domingo e falei para a minha mãe “quero comprar um apartamento” e ela falou que eu era “um garoto revoltado querendo sair de casa”. Mas na verdade eu não queria sair de casa eu só queria gastar meu dinheiro de forma correta. Largar festas, amigos, oba-oba e pensar no futuro. Detalhe: Eu nunca pensei em comprar um apartamento pensando na Luana ou em casamento. Na época tínhamos 1 ano de namoro e tinha muita coisa para acontecer.
Passou exatamente 1 semana e minha mãe chegou com um panfleto de um apartamento que seria construído na região. Eu curioso fui para lá e quando voltei tinha um contrato e minha assinatura.
Quando as pessoas me perguntam o que eu tinha na cabeça nem eu sei dizer. Eu nem li o contrato direito, não entendi 40% do que foi dito na hora da venda. A corretora só falou quanto eu ganhava e se dava para eu pagar e foi assim que tudo começou. Eu era estagiário, não tinha crédito no banco, não ganhava bem e ainda pagava minha faculdade. Só um louco faria algo igual: Então eu fiz.
Meu pai sempre me falou: Nada na vida vem fácil, tudo tem que ser com luta e humildade. E foi exatamente com essas palavras que tudo aconteceu. Deu quase tudo errado, quando não tinha dinheiro surgia dinheiro, quando não tinha trabalho aparecia trabalho e quando eu pensava em desistir do nada chegavam soluções. Perdi cabelo, chorei muito e fiquei estressado mas no fim, deu tudo certo. A Luana e minha mãe foram fundamentais para eu que conseguisse.
Existem consequências que eu nem preciso detalhar, mas se eu era estagiário? Não tinha dinheiro? Pagava faculdade? E ainda um apartamento? Como fica um relacionamento? A Luana queria sair e eu não podia porque não tinha dinheiro, queríamos comer alguma coisa diferente e não podia. Presente de aniversário, presente de natal? Nem pensar! Ficamos longos meses no nimbo, em frente a TV, assistindo filme, sem poder sair com os amigos. Um vivendo com o outro e foi bom, nos conhecemos muito ao longo deste período. Provávamos que nosso namoro não tinha dinheiro e nem rotina que o quebrasse. Mas não foi fácil.
A Chave do sucesso é a humildade, Deus e um pouco de ambição (no bom sentido). Não se acomodar com a vida que tem é fundamental para levar a vida para frente. Com isso eu trabalhava e trabalhava muito, tomava decisões erradas mas tinha que tomar decisões, aproveitar que ainda estava com minha mãe e meu pai atrás para me segurar caso alguma coisa desse errado e foi assim que eu fui pulando de emprego em emprego. Eu poderia estar bem hoje se ficasse em um único emprego mas escolhi passar por vários lugares, ter várias experiências, trabalhar com projetos, pessoas e ferramentas diferentes e isto foi bom.
Me formei na faculdade em Design de Mídia Digital e a Luana estava no segundo ano de Nutrição. Mais uma conquista. O Apartamento ficou pronto e me tornei Diretor de Arte de uma Agência de pequeno porte. Quitei os empréstimos que tinha por conta do apartamento e tudo foi se arrumando. Consegui viajar com a Luana e acabamos amadurecendo ideias e sonhos.
Quanto mais eu me aproximava da Luana mais eu comecei a perceber as manias e defeitos dela e isso foi gerando um certo desconforto e insegurança. Eu sabia que eu nunca poderia mudar a Luana, ninguém muda ninguém, as pessoas mudam por si só, então se eu quisesse que a Luana mudasse eu teria que ‘me’ mudar antes.
Com o apartamento pronto, sem dívidas, formado eu comecei a perceber qual era o próximo passo! A convivência restrita a poucos dias da semana, o fato de ambos se encontrarem sempre em clima de passeio e diversão e a ausência de rotina criam a impressão de que estar nos braços da pessoa amada é o mundo dos sonhos. Mas comigo era diferente, eu estava perto cada dia mais e eu sentia saudade em poucas horas, eu queria dormir com a Luana todos os dias, acordar com ela e comecei a pensar que o próximo passo era maior do que o Apartamento, maior que a faculdade e muito maior que ter quitado as dívidas. Eu queria casar com a Luana.
A ideia no começou era loucura, eu pensava e logo tirava isso da minha cabeça. Afinal, eu também me achava jovem demais para isso. Mas para que esperar mais viver o resto da vida com a pessoa que você ama?
Alguns pontos que fizeram eu ter certeza que era a Luana com quem eu queria passar o resto da minha vida:
Até certa altura do relacionamento, o fato de morar em casas separadas era até conveniente. A ideia de ter um quarto, uma cama, só minha era perfeita. Mas, de uns tempos pra cá, fiquei mais na casa dela do que na minha, sentia mais à vontade na casa dela do que na minha. Dormir um sem o outro não é mais uma opção para nenhum dos dois. Assistir a sua série favorita, sem ela, também não tem a mesma graça. Ler o livro antes de dormir fica mais gostoso quando ela está por perto.
Quando os projetos de vida se fundem, parece um bom sinal de que é a hora de dar esse passo. Queríamos construir coisas juntos: um lar, uma família, ter filhos. Essa vontade começa a crescer, muito naturalmente, dentro de cada um.
No tempo dos nossos avós, não era fácil imaginar como seria a vida a dois com o seu par. O namoro de portão não dava bagagem suficiente para que ambos pudessem imaginar como seria o comportamento do outro. Hoje, ainda se leva algumas rasteiras: você imagina uma coisa e, no meio do caminho, descobre que é outra. Mas temos outras ferramentas e precisamos usá-las, racionalmente, para tomar essa decisão tão importante. A proximidade e a intimidade entre duas pessoas, durante o namoro dos dias de hoje, abrem portas para conhecer melhor o outro. Vale avaliar com a razão se o dia-a-dia, o dormir e acordar, ao lado dele, era o que eu queria. A maneira que ela reagia diante de determinadas situações, a compatibilidade de gostos, a forma com que enxergam o mundo. Tudo isso precisava ser colocado na balança.
Essa é uma conta importante. O casamento implica em perdas e ganhos e é preciso colocar na balança e descobrir o que pesa mais. Perde-se liberdade, por exemplo. As programações devem ser compartilhadas e decididas em dupla. Os encontros com a família dela e com a sua estão no ‘contrato’ e serão intensificados, sem dúvida. Você casa com a sua noiva e com os seus familiares, não tem jeito. E vice-versa. O casamento requer tolerância de ambas as partes. Quando você faz as contas e entende que a sua rotina ficará muito mais gostosa ao lado dela, que os pontos positivos dessa união são maiores do que os negativos pensando assim comecei a adotar que seria uma boa hora.
Não há porque não tentarmos uma vida a dois. Porque casar significa assumir novas contas a pagar e, para que isso não vire motivo de discussão entre o casal, é essencial que possamos fazer isso com segurança e responsabilidade. Uma das minhas maiores preocupações era de tirar a Luana do conforto da casa dos pais para viver uma vida comigo sem nada, eu queria dar muito mais para ela. Comecei a perceber que o fato de começar com nada e ter esse novo objetivo de construir nosso castelo deveria ser apenas mais uma motivação, e não a condutora de receio.
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