O pedido
O simples foi realmente o que funcionou comigo!
Planejamento nem sempre funciona e o meu pedido de casamento foi exatamente a prova viva disso.
Um dos momentos mais importante na vida é quando você decide pedir alguém em casamento. Quando tomei esta decisão tinha algumas dúvidas e busquei referências: Fui buscar diversos tipos criativos para pedi-la em casamento e também de alianças. Eu queria de fato fazer o melhor pedido de casamento da história e dar a melhor aliança.
A realidade é cruel e eu percebi que não era tão criativo assim e que também não tinha tanto dinheiro para comprar a aliança dos sonhos. Então o jeito foi esperar o momento certo.
Pensei em colocar a aliança em um champanhe, leva-la para jantar em um lugar bonito, fazer um site (esta ideia eu exclui logo que pensei), jogo, em cima de um balão ou qualquer coisa que não seja o tradicional. Me ajoelhar e pedir a Luana em casamento em público era algo que eu não queria e a Luana dava pinta que não gostaria. Então comecei a juntar o pouco dinheiro que tinha e ver no que dava.
Eu tinha tanto dinheiro mas tanto dinheiro que quando fui com o meu primo Leonardo na Rua do Ouro no centro de São Paulo, o anel era tão fino, mas tão fino que parecia que ia entortar só cumprimentando meus amigos. Aí eu pensei: — Se eu não vou ter dinheiro para comprar uma aliança descente então não é hora — Porém não comprar uma aliança não significa em hipótese alguma que não deveria pedir a Luana em casamento.
Ter uma aliança é bonito e tem seus valores para as pessoas casadas, mas não é regra para pedidos de casamento. Essa ideia se tornou comum mas o tradicional mesmo é ter a aliança no dia do casamento. O valor de uma aliança não pode e nunca deverá ser mais importante que a decisão de um pedido de casamento.
Estava decidido a fazer as coisas erradas de forma certa. Sem aliança mas pedir a Luana em casamento. Oficializar logo e correr atrás do próximo passo, estava incomodado com o fato de querer casar e não tomar esta atitude.
O feriado de Setembro de 2013 era uma ótima data, mas era um prazo muito curto para planejar o que queria. Ir para a praia e pedi-la em casamento na areia seria a melhor ideia, achei que isto poderia ser algo especial, combinei com o meu primo de levar o iPad e filmar tudo. Acabou que a Luana teve que trabalhar e não consegui levar a ideia adiante.
Manter a chama do romance acesa por muito e muito tempo é trabalhoso, mas não impossível. Para tanto, precisei de uma boa dose de criatividade. Nem sempre a criatividade está relacionada ao planejamento, as vezes, o simples fato de uma oportunidade pode fazer a diferença. Eu no começo achava que para chamar a atenção da Luana tínhamos que ter tudo do bom e do melhor mas o segredo do sucesso estão nos simples gestos.
Eu não entendo muito destas coisas. Eu queria demonstrar meu amor de diferentes formas e fiquei iludido com a ideia de fazer algo chocante. O meu planejamento foi um fracasso.
Eu planejava tanto que amigos próximos zombavam de mim falando que eu nunca ia pedir ela em casamento desta forma.
Me cansei com essa pressão de fazer algo criativo e achei que no momento certo e na hora certa, tudo iria acontecer automaticamente. E foi assim, eu e a Luana acabamos indo para a praia no dia 24 de Janeiro. Eu nem estava preocupado e nem pensando em pedido, fui para curtir sem nenhum peso ou responsabilidade.

Era uma época em que marcava recorde de calor e com o horário de verão, era comum as pessoas ficarem na praia até 19 horas. Lembro até hoje que para dormir era quase insuportável, mosquito picando (estou reclamando igual a Luana agora).
No sábado eram 19h40 e o sol estava lindo e falei para a Luana se ela queria dar um último pulo no mar.
Foi uma sensação diferente e única. Só existia eu e a Luana no mar e mais ninguém. Aquele pôr do sol maravilhoso beirando as montanhas fez o clima ficar especial . Nuvens escuras e nuvens claras juntas, é difícil descrever mas eu estava tão feliz de estar ali com a Luana que caiu minha ficha:
É o momento certo.
Respirei bem fundo, olhei para os olhos dela e falei — Prometo que no momento certo e na hora certo compro uma aliança linda, quer casar comigo? — E ela disse “sim”. Achei que ela ia chorar mas a água do mar, salgada, não deixou.

O mais fácil eu fiz e não tinha ideia do que viria pela frente. Algo que eu achei tão difícil foi tranquilo, natural, diferente, único, romântico e original. Talvez se ficasse planejando este momento estaria até agora na mesma.
Eu já sabia que ela iria falar o “sim” mas eu sabia também que ela queria algo especial. Algo bonito e que pudesse se orgulhar para contar para as suas amigas. Talvez não foi o maior e mais bonito pedido de casamento, mas foi o mais sincero e puro.
Me arrependo um pouco (calma, não estou desistindo do casamento), me arrependo só de não ter ‘planejado um pouco’ e ter filmado este momento, mesmo que de longe. Seria legal colocar na retrospectiva ou mural, painel, álbum ou qualquer coisa que eu pudesse olhar a foto e lembrar “eu fiz isto”. Mas do meu jeito atrapalhado as coisas fluíram e deu tudo certo.
Estava Noivo e era isso que importava.