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Arquitetura da Informação: “esquecida” mas indispensável

Recentemente, fui contemplado pela comunidade PretUX com uma bolsa de estudos na Mergo User Experience e tive a oportunidade de participar do Curso de Arquitetura da Informação ministrado pelo professor Edu Agni, que demonstra muito conhecimento, experiência e paixão pelo tema.

O curso é bem completo e busca apresentar as melhores técnicas e metodologias para organizar e estruturar os conteúdos, otimizar os sistemas de busca, definir a rotulação e a categorização ideal, facilitar a navegação através das páginas e planejar todo o design da informação.

Mas afinal o que é AI?

Nos anos 2000, a Arquitetura de Informação foi uma profissão muito glamourosa no meio da tecnologia, sendo uma das disciplinas mais básicas do Design Digital e considerada por muitos a precursora do que hoje conhecemos como UX Design.

“Metodologias ágeis, times interdisciplinares e ciclos curtos de desenvolvimento reduziram a grande necessidade de documentações, uma das principais responsabilidades da AI.” (Edu Agni)

O termo foi cunhado por Richard Saul Wurman em 1976 em sua palestra “The Architecture of Information” apresentada na Conferência do Instituto Americano de Arquitetos e posteriormente em seu livro “Ansiedade da Informação”. O termo tem como base a organização das informações dentro de um espaço visual e apresenta uma reação a uma sociedade que diariamente cria enorme quantidades de informação, mas com pouco cuidado ou ordem. Segundo ele “Arquitetura da Informação é tornar o complexo claro”.

Posteriormente, no famoso Livro do Urso, Louis Rosenfeld e Peter Morville definiram Arquitetura da Informação como “a combinação de organização, rotulação e esquemas de navegação dentro de um sistema de informações”.

Nesse âmbito, o profissional de Arquitetura de Informação se preocupa com o design estrutural do espaço da informação, visando facilitar ou permitir o consumo de uma informação por um usuário em um determinado contexto, ocupando-se da tríade ‘usuário, contexto e informação’.

Edu Agni apresenta no curso que esse profissional tem, como atribuições, “categorizar e rotular as informações de acordo com a audiência, definir as ferramentas para a busca dessas informações, os critérios adotados na indexação do conteúdo e projetar wireframes e mapas de navegação.”

De forma mais abrangente, podemos dizer que o estudo dessa disciplina também pressupõe que a informação deve ser acessível e de fácil encontrabilidade em ambientes digitais como websites e aplicativos, sempre pensando no contexto do usuário, ou seja, adaptando o vocabulário e até a posição das informações.

A tríade da Arquitetura da Informação

Porque Arquitetura da Informação é importante?

A realidade é que a Arquitetura da Informação (IA) não está apenas no mundo digital — se trata de uma área um pouco mais difícil de definir que as outras. Podemos notar a sua influência não apenas nos sites e aplicativos que usamos, como também em materiais impressos e até na cozinha de nossas mães com os rótulos nas vasilhas de açúcar e café, pois a Arquitetura da Informação nos ajuda a entender o que nos rodeia, e a encontrar o que procuramos.

“Observa-se, portanto, a importância de organizarmos as informações de um website de modo que os usuários possam encontrar o que querem e atingir os seus objetivos com facilidade” (AGNER, 2006, p. 25).

Voltando ao ambiente digital, ao projetarmos a arquitetura de um website ou produto seguindo os princípios de Arquitetura da Informação, aumentamos as chances de entendermos, como usuários, onde estamos e onde a informação que queremos está.

A Arquitetura da Informação ajuda no desenvolvimento de taxonomias, hierarquias, categorizações, navegação e metadados.

Esses são alguns pontos que sempre devemos avaliar quando projetamos um website:

  • Como é o fluxo de usuários no nosso site?
  • Como o sistema ajuda o usuário a catalogar suas informações?
  • Como essas informações são apresentadas de volta para o usuário?
  • Essas informações ajudam o usuário a tomar decisões relevantes?

Como citado, o Arquiteto da Informação se preocupa com uma tríade entre usuário, contexto e conteúdo. Dessa forma, para responder às perguntas acima, devemos levar em consideração justamente o contexto, isto é, avaliar como a situação se enquadra em seu público alvo, nas tecnologias que o website pode fornecer além dos dados que serão mostrados no website.

No livro Information Architecture for the World Wide Web Louis Rosenfeld e Peter Morville listaram os principais componentes da Arquitetura da Informação que são:

  • Organização Esquemática e Estruturas: Como classificar e estruturar informação — são as categorias em que colocamos informações, tais como nomes de autor e títulos ou tamanho de sapato, tecido e cor;
  • Sistemas de Rotulagem: Como representar informação — por exemplo, os artigos devem usar ambos os termos “optometrista” e “oftalmologista”, ou apenas “oftalmologista” é o mais apropriado?;
  • Sistemas de Navegação: Como os usuários navegam — como nos movemos de um segmento de informação para outro quando essa informação nos é apresentada;
  • Sistemas de Pesquisa: Como os usuários pesquisam informação — por exemplo, numa caixa de pesquisa você pode digitar várias palavras para restringir os resultados e aproximar-se dos tópicos que deseja.

Arquiteto da Informação ou UX Designer?

Você certamente já entrou em um site ou e-commerce e não encontrou o produto que queria. Notou que os menus eram confusos, haviam títulos ausentes, redundantes ou mesmo não suficientemente descritivos e acabou desistindo da compra ou foi direto no campo de busca procurar o produto que deseja.

Para definir qual a melhor forma de organizar a informação no site, temos que ter um conhecimento básico sobre o usuário e o tema para simplificar e otimizar o potencial de ação de usuários, pensando na sequência da interação e o acesso aos objetos e operações que devem ser compatíveis ao modo pelo qual o usuário realiza suas tarefas.

Na busca por entender esse contexto temos, dentro dos entregáveis do arquiteto da informação, desde road map, benchmark, personas e blueprint até protótipos navegáveis e teste de usabilidade.

A descrição soa familiar a um profissional de UX Design, né? Sim, como citado no início do artigo, a Arquitetura da Informação é precursora de muitas profissões que temos hoje. Porém, mesmo que atualmente tenhamos muitos nomes para as mesmas funções, no final das contas o papel desse profissional é pensar sempre pelo lado usuário, sem esquecer do contexto em que ele está inserido.

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Thiago Huszar
Thiago Huszar

Written by Thiago Huszar

Product Manager apaixonado por design, comunicação e tecnologia.

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