Boogarins | Lá Vem a Morte (2017)

Boogarins | Lá Vem a Morte (2017)

De Nescau a Brahma Extra, não faltam exemplos de produtos que mudaram a fórmula e não agradaram ao meu paladar. O mesmo pode ser dito do álbum da Boogarins lançado neste mês.

A Boogarins é mais um daqueles casos peculiares da indústria musical contemporânea. Com formação em Goiânia em 2012, gravaram o primeiro EP, chamaram a atenção, e já assinaram com gravadora gringa. Gravaram o primeiro álbum em 2013, e daí já saíram em turnê mundial - tocando inclusive no South by Southwest.

Com a atuação internacional, o culto à Boogarins se intensificou no Brasil. E com razão - pouca gente fazia o som deles: um rock psicodélico ao extremo, sem deixar de ser agradável aos ouvidos.

Escutei muito os os dois primeiros discos: As Plantas Que Curam (2013) e Manual (2015). A “fórmula” parecia a mesma: um riff de guitarra repetido infinitamente à medida que as vozes e os outros instrumentos entravam, com menos destaque.

Parece que toda a obra é uma só música. Uma monotonia das melhores: uma só vibe (bela) durante mais de uma hora entre os dois primeiros discos. Com certeza, uma das bandas que mais escutei nesses últimos anos.

Daí veio o disco novo, Lá Vem a Morte (2017), gravado nos EUA e com lançamento surpresa.

A fórmula mudou. Está mais dançante, menos monótono, mais quebrado, com mais instrumentos, menos guitarra, com mais samplers, recorte/cola…Continua psicodélico, talvez mais do que nunca, mas mais difícil de digerir.

A exemplo do que ocorreu com a Brahma Extra, é possível que com o tempo eu passe a apreciar a nova fórmula; mas por enquanto meu paladar segue preferindo a antiga.

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