John Mayer | The Search for Everything - Waves 1 & 2 (2017)

Semana passado assisti à Nação Zumbi no Cultura Livre (recomendadíssimo). Entre músicas e perguntas, Jorge du Peixe comentou sobre a diminuição da vida útil dos discos, sendo esse o motivo pelo qual as bandas estão lançando álbuns mais curtos e guardando material para um próximo. Uma breve pesquisa nos lançamentos do Spotify corrobora a hipótese: é muito EP, muito single e pouco álbum completo (menos ainda com mais de 12 músicas). A tendência me parece razoável: em um mundo de streaming e compra individual de música, o formato “disco” não é mais necessário; colocar músicas dentro de um álbum serve muito mais para delimitar um projeto do que para motivar uma venda casada.

Nessa onda, John Mayer está lançando seu The Search for Everything aos poucos. Foram quatro músicas lançadas em janeiro (wave 1) e quatro músicas em fevereiro (wave 2). A ideia é lançar o projeto por partes durante o ano de 2017. Parabéns pela iniciativa.

Meu romance com o John Mayer começou com o Where the Light Is (2008). O voz+violão da música de abertura, Neon, conquista qualquer um. Tenho que admitir: o cara é bom. Já conhecia os singles e não dava muita atenção, mas o formato ao vivo divido em três blocos (acústico, trio e banda completa) favoreceu o Johnny. Escutei muito o Where the Light Is; muito mesmo.

Com as expectativas lá em cima, escutei o Battle Studies (2009) logo na semana de lançamento. Aí o romance terminou. Achei o som desinteressante… As melodias cada vez menos ousadas; os gritos cada vez mais substituídos por falsetes; as letras mais simples. Não sei se tinha passado minha fase John Mayer, ou se o formato estúdio não me agradara (talvez um pouco dos dois), mas comecei a achar difícil escutar John Mayer até o fim. Até o amado Where the Light Is, passei a achar sem sal. Born and Raised (2012) e Paradise Valley (2013) não mudaram minha percepção.

Li uma crítica dizendo que as duas primeiras waves do The Search for Everything, recém lançadas, traziam o melhor do John Mayer. Escutei as duas de cabeça aberta, sem preconceitos.

Mas a paixão terminou. Moving on and Getting Over, do wave one, dá o tom, que não muda muito. Na mesma, música mais ou menos, sem surpresas. “You’re gonna live forever in me” é boa e mais temperada, mas não salva.

Acho que estou em outra. Resta uma simpatia, uma saudade, um “desejo o melhor”… Ficarei de ouvidos abertos para as próximas waves, mas temo que o romance não tenha volta.

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