Vanguart | Beijo Estranho (2017)

Não teria como a Vanguart ter escolhido um nome mais adequado para o álbum lançado mês passado. Beijo Estranho, canção de abertura que dá nome ao disco, resume a primeira impressão de qualquer um que o ouça.

Nunca acompanhei de perto a carreira da Vanguart. Conhecia algumas músicas perdidas, escutava parcerias do Hélio Flanders (destaque para Lobo do Mar, com a Dingo Bells), mas nunca tinha escutado ativamente um álbum dali.

Uma coisa é colocar um disco para tocar enquanto se trabalha, apenas como trilha sonora para outra atividade. Outra coisa é escutar ativamente. Ter “escutar o disco” como atividade principal é mais intenso. Normalmente requer fones de ouvido e uma hora de dedicação. Se vc estiver em algum lugar em que é possível caminhar no parque sem correr risco de vida, ajuda bastante.

Alguns álbuns são bons para escuta passiva e outros para escuta ativa. O álbum novo do Criolo é bom para escuta passiva (principalmente se a atividade principal envolver carvão, costela, cerveja, isopor e gelo). Escutá-lo ativamente, conforme explicado aqui, é árduo. Fazer uma análise música a música, como o Mallmann fez aqui, pode ser uma atividade desagradável (aliás, conhecendo o álbum analisado, acredito que tenha sido muito desagradável, ainda mais para um sábado).

Beijo Estranho foi o primeiro álbum da Vanguart que escutei ativamente por inteiro. 11 músicas e 38 minutos foram fáceis. É muito bom. Não é que tenha passado rápido, pois o álbum é denso, mas foi agradável. O quarto álbum da banda com 15 anos de carreira é uma bela obra (uma das melhores do ano no rock brasileiro). Em meio aos sopros frequentes do rock alternativo contemporâneo (mais uma influência Los Hermanos que chegou com delay?), o que dá o tom do Beijo Estranho são as cordas. A combinação violino + rock bem feita, e não a bagaceira dos anos 2000, deixa o som muito mais emocional. A agonia fica mais agoniante (vide abertura de “Beijo Estranho”), a esperança fica mais esperançosa (vide o último acorde de “Beijo Estranho”), a doçura mais doce (vide “E o Meu Peito Mais Aberto Que o Mar da Bahia”).

Gosto de bandas que têm dois compositores/lead singers. Embora eu simpatize mais com a melancolia poética de Flanders, o lado pop e a voz familiar de Lincoln dão uma quebrada boa num álbum que de outra forma seria muito estranho para pouco beijo.

Já virou top listened aqui. Recomendadíssimo.

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