Desmistificando o Design Thinking e repensando a atuação do designer

Muito se fala sobre Design Thinking, e muitas empresas procuram pessoas com títulos de Consultores de Design Thinking ou profissionais com metodologias que envolvam Design Thinking, mas você já parou para se perguntar se o termo Design Thinking não está virando apenas uma buzzword?

Antes de tudo, se você não é do meio de marketing, você sabe o que é uma buzzword?

Buzzword, é um BUZZ em torno de um novo termo, ou seja, um grande alarido, que tem como base o aparecimento de uma palavra até então desconhecida.

O que notei de alguns anos para cá no mundo corporativo é que as empresas estão procurando o Design Thinking como se fosse a tábua de salvação ou o futuro das companhias, com a ideia que a utilização do mesmo vai provocar a criação do produto mais disruptivo, dentro do que existe de maior tendência provocando inovações disruptivas ou mais: que vai mudar toda a visão que o consumidor tem de uma companhia.

Todos queremos ser o próximo Steve Jobs, mas não é bem assim que funciona. A inovação pode ser dar por diversos meios. O termo inovação se entende por algo novo, em qualquer aspecto, de qualquer tamanho e pode ser conseguida de diversas maneiras, algo que o brasileiro é conhecido e se destaca, pode até ser o novo sabor de tapioca que vende em frente ao seu trabalho.

Quando eu começo a falar em Design Thinking, eu sempre inicio falando sobre a história do Design, especialmente o core do design: o projeto. A origem da palavra design vem do latim designare que significa desenvolver, conceber e do inglês to design, que por sua vez significa projetar, esquematizar, planificar.

Quando estudamos o que concerne os limites de um projeto de design, o mesmo envolve três aspectos: desejo, lógica e viabilidade. Eu sempre ressalto esse aspecto, porque apesar de a profissão ser amplamente difundida as pessoas ainda associam o designer como apenas uma pessoa preocupada com a estética, ou acham que o designer visual se preocupa apenas com a estética enquanto outras especializações abrangem esses três aspectos. Qualquer área do design leva em consideração esses três norteadores para desenvolver entregáveis, seja em qualquer especialidade.

Agora falando de Design Thinking, novamente, há um consenso difundido que apenas o User Experience Designer, ou designers que atuam com inovação utilizam o Design Thinking em seu dia a dia. Também outra percepção que precisa e deve ser desmistificada.

O UX tem uma correlação muito grande com Design Thinking na medida que uma das suas principais funções é disseminar a importância das pessoas que estão envolvidas no projeto e que não atuam como designers se colocarem no lugar do usuário, trabalharem em conjunto, co-criando.

Por isso, o UX geralmente em comparação com outras especializações na área de design, atua nos três pilares do Design Thinking: empatia, colaboração e experimentação, mas se destaca por difundir a cultura por meio do seu trabalho.

Porém, desde o começo do design, o designer já atua nesses três pilares, mas sem utilizar ferramentas específicas ou métodos. Todo designer precisa se colocar não apenas no lugar do seu usuário, fazendo um paralelo com cliente, todo designer precisa contar com a colaboração de outras áreas, todo designer passa pelo processo de experimentação ao propor/pensar sobre a viabilização de seu trabalho. O problema é que esse exercício no que concerne outras especializações não é esquematizado, documentado e difundido como acontece com as ferramentas e metodologias de UX.

Assim, nós como designers, também temos que nos desvencilhar do pensamento restritivo de usar apenas o ponto de vista do usuário, como proposto em UX, e propor novas formas, metodologias e ferramentas que proporcionem não apenas designers de outras especializações aprimorarem e enriquecerem seu trabalho, mas envolver pessoas que não são designers.

Sob a minha perspectiva, o Design Thinking vem para consolidar o trabalho do designer e disseminar o entendimento sobre a profissão na sociedade, e isso só será possível, se todo designer se comprometer a pensar em formas de utilizá-lo no seu dia a dia e conscientizar a camada corporativa.

Eu vejo o momento atual como propício para uma estruturação de uma área que apesar de bem conhecida, precisa se fortalecer cada vez mais e está se tornando cada vez mais fragmentária, com várias especializações em que as atuações se misturam cada vez mais.

Estamos correndo o risco de perder a especialização do conhecimento de áreas que já estão consolidadas como design gráfico e de produto em detrimento de áreas ligadas à tecnologia, como design de interface e experiência do usuário.

É necessário uma revisão e atualização de conceitos, assim como envolver a comunidade e os segmentos corporativos e educacionais, para uma real mudança e valorização da profissão.