Trabalho tem a ver com propósito de vida?

Eu venho pensando em começar a escrever já a algum tempo. E como é normal para qualquer pessoa que quer pensar em um tema, eu me questionei, sobre o que escrever. De que maneira, qual a mensagem eu gostaria de transmitir?

Eu fiquei matutando esses questionamentos por um tempo na minha cabeça, e cheguei à conclusão, que o primeiro texto, se elucidasse todas essas questões, seria um divisor de águas na minha vida, porque, pare para pensar: essas questões, não são questões que sempre nos questionamos em vários momentos de nossas vidas?

Sim, questionamentos cotidianos, mas que no fundo, no cerne, quando nos damos conta de não sabermos a resposta, nos leva a um sentimento de angústia interior. Se você parar para pensar na relação entre elas e enxergar do meu ponto de vista, tudo isso está ligado a propósito de vida. Existencial neh? Sim, bastante.

Chegou um ponto da minha vida que eu estava extremamente insatisfeita com a minha carreira, e infelizmente isso estava transparecendo na minha vida profissional e inclusive na minha saúde. Então eu resolvi procurar ajuda, mas para a minha surpresa, hoje eu enxergo, os grandes insights que eu tive que me elucidaram essas questões, vieram de ações pequenas, ações pontuais, pequenos gestos ou palavras, de pessoas com as quais eu não era muito relacionada, ou nem ao menos conhecia.

Meu primeiro insight veio ao participar de uma edição da Startup Weekend, eu sempre me interessei por startups, mas nunca havia tido a iniciativa de procurar saber mais sobre, e uma pessoa do meu trabalho, me convidou para fazer parte do evento e disse que achava que eu iria gostar de participar.

De que maneira esse gesto marcou a minha carreira? Pela primeira vez eu enxerguei realmente como meu trabalho era importante na criação e desenvolvimento de uma empresa, não só no estágio inicial, mas em todos os estágios, abriram meu olhos que Design também era estratégico.

Mas então se meu trabalho era tão importante para a empresa que eu fazia parte, porque eu ainda estava insatisfeita, e mais, sentia que era apenas mais um funcionário que passava despercebido? Investigando, eu cheguei à conclusão que eu não estava mostrando a devida importância do meu trabalho, então comecei a me expor mais, propor mais, debater mais, e as vezes até bater de frente, quando necessário. Mas mesmo assim, as coisas não andavam. Decidi ir mais a eventos, ver como as coisas aconteciam em outras empresas, o que eu estava fazendo errado? O que me incomodava realmente?

Então eu fui ao evento Web.br 2016 e fiz uma programação dos talks/palestras/workshops que eu queria assistir. Um deles, o que eu estava mais interessada, foi um workshop sobre Design Thinking, promovido pelo Coletivo Mola. Eu assisti, achei legal, confesso que a dinâmica que participamos não era novidade para mim, mas no fim do evento, fomos presenteados com livros, que foram sorteados, e para minha sorte, eu trouxe um deles para casa.

O livro era sobre inovação, seu nome era: Evolução, prepare sua empresa para inovar sempre, o autor, Ricardo Cavallini. O livro ficou na minha mesa uns dias até eu decidi lê-lo. Li em apenas um dia se não me engano. E fiquei passada. Parecia que o autor vivia a realidade da empresa da qual eu fazia parte. As mesmas falhas de processo, as mesmas situações, os mesmos comportamentos que deveriam ser alterados e dos quais eu me sentia inconformada. Eu queria inovar, mudar processos, aplicar novas metodologias, trabalhar mais colaborativamente, e a empresa não era aberta para isso. O que fazer? Cheguei a conclusão que eu precisava procurar um novo lugar para trabalhar.

O evento eram de dois dias, e, por um mero acaso, eu estava indo assistir outra palestra, quando a palavra design contínuo me chamou a atenção. Eu parei e me deparei com uma palestrante chamada Tássia Spinelli. Ela propunha uma metodologia fluida de design, enfatizava a colaboração e mindset de Design Thinking. Naquele momento eu pensei, eu preciso trocar algumas palavras com essa garota. No fim da sua talk lá fui eu, e mais uma vez, para a minha surpresa, a Tássia foi completamente aberta, simpática e me deu um cartão de contato. Mais tarde eu descobri que ela trabalhava com coaching para mulheres que queriam mudar de carreira, e achei que ela era a pessoa perfeita nessa minha transição.

Mas a partir desses três eventos, qual a mensagem que eu quero realmente passar para você?

O primeiro gesto foi apenas um convite, o segundo, um presente de um livro e o terceiro, a disponibilidade de uma pessoa. Tudo isso fez eu perceber que eu tinha um perfil empreendedor, porque eu queria mais do que tudo mudar o que estava errado, e quando não conseguia fazer isso, me enchia de indignação, eu acreditava que para o sucesso não é preciso competição mas colaboração, eu queria ser importante através do meu trabalho, passar uma mensagem, inspirar pessoas, então eu pensei, como fazer isso?

E me dei conta que várias pessoas já tinham feito isso por mim, como eu acabei de dizer: um livro, uma palavra, uma disponibilidade para conversar. Para você ajudar uma pessoa não é necessário você dar um sermão, fazer algo pomposo, promover. Se você realmente tiver uma mensagem clara na sua mente, todas as suas ações irão inspirar outras pessoas de maneiras diferentes.

Então fica meu recado para você: qual sua mensagem, em que você acredita? Pelo que você acorda todos os dias? De que maneira você passa pela vida das pessoas à sua volta? Você tem a noção do impacto que qualquer gesto seu pode causar na vida de pessoas, que não necessariamente são relacionadas a você, mas que estão a sua volta, ou passam brevemente pela sua vida?

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