Pode tesão?

Eu poderia estar roubando, matando, me prostituindo ou até mesmo falando de coisas que Product Managers falam. Mas sério, quem aqui ainda tem saco para falar de Excel, PowerPoint, Reuniões, Sinergia, Alinhamento, Planejamento, Priorização, Levar Crédito pelo Trabalho dos Outros ou outra coisa dessa laia?

Então eu vim falar de outra coisa muito importante para construir coisas incríveis.

Tesão!

Estava eu um dia vendo TED Talks enquanto lavava louça, quando vi uma apresentação de Brené Brown que falava de várias coisas, entre as quais “paixão”. E falava precisamente do contrário de paixão, que ao contrário do que eu achava, não é raiva.

É apatia.

Essa apatia é também traduzida por cinismo, ironia, indiferença… E no momento que eu ouvi essa definição, mais do que pensar na minha vida pessoal, curiosamente eu acabei pensando em situações estúpidas que acontecem no trabalho.

Situação-exemplo: lá vem Joãozinho que, coitado, traz uma ideia um pouco inocente, mas de toda forma bem intencionada e começa a se empolgar para aquilo se tornar verdade.

Agora pausa o vídeo e me responde rápida: qual sua reação natural?

Exatamente agora, é fácil pensar que você só teria pensamentos bons para Joãozinho, você que é tipo o bom samaritano do ano. Mas e se você estivesse cercado de cínicos? É pornograficamente sedutor se deixar levar pelos outros, sendo tão irônico e cético e cínico e desapegado quanto possível.

Afinal, Joãozinho e sua ideia estúpida vão encontrar problemas pela frente. E quando isso acontecer, upa lelê, aí vai tudo arder numa gigantesca bola de fogo, merda e sonhos despedaçados.

Se você não trabalha com conhecimento, se seu trabalho não requer criatividade, se sua vida é vazia a ponto de você não ser afetado por qualquer variação no nível de tesão, então pode abraçar esse cinismo. A questão é que, como o gráfico abaixo nos mostra, empresas de tecnologia como o VivaReal, que querem mudar o mundo e tem toda a chance de fazer isso, são movidas na base do tesão.

Fiz esse gráfico no Excel porque esse é o tipo de Product Manager que eu sou.

É o tesão que nos dá vontade de ir adiante para fazer algo diferente, que certamente traz um risco considerável de simplesmente estar errado. É o tesão que nos permite sair da zona de conforto e tentar algo diferente.

Existe uma passagem de Theodore Roosevelt que diz bastante sobre esse tão necessário tesão:

“It is not the critic who counts; not the man who points out how the strong man stumbles, or where the doer of deeds could have done them better. The credit belongs to the man who is actually in the arena, whose face is marred by dust and sweat and blood; who strives valiantly; who errs, who comes short again and again, because there is no effort without error and shortcoming; but who does actually strive to do the deeds; who knows great enthusiasms, the great devotions; who spends himself in a worthy cause; who at the best knows in the end the triumph of high achievement, and who at the worst, if he fails, at least fails while daring greatly, so that his place shall never be with those cold and timid souls who neither know victory nor defeat.”

Uma coisa que eu fui notando é que, pelo menos para mim, eu ficava cada vez mais cínico conforme eu não queria me envolver com algo. Toda vez que eu me ficava empolgado e me ferrava, a vontade de ser 100% cínico vinha com força. É um mecanismo de proteção. Um mecanismo de merda, mas que oferecia proteção mesmo assim.

E algo que eu cheguei a entender de todas as empresas/projetos/empreitadas das quais já participei, é que existe um ponto crítico na taxa geral de cinismo — quase um tipping point depois do qual já era. Quando o cinismo se torna endêmico, todo tesão some. E aí, rapaz, ferrou.

E o ponto todo que eu percebi é que há uma escolha a ser feita. É preciso que o tesão seja deliberadamente protegido do mesmo modo em que você policia seu cinismo. Quando alguém for cínico com qualquer tentativa bem intencionada, resista a vontade de ser cínico da mesma forma.

Da próxima vez que você pedir para o Anakin olhar todos os fucks que você não dá, pense melhor.

Dê pelo menos um.

Esse texto foi escrito originalmente em Tech @ VivaReal :-)

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