Como você e seu filho podem aprender música juntos

Rafael Borges
Jul 13, 2020 · 32 min read

Você senta no chão frente a frente com seu filho.

Olhares fixos um no outro.

Não trocam palavras.

O amor, carinho e cumplicidade são visíveis para quem observa de fora.

A criança aguarda ansiosa o seu sinal.

Você abre os lábios e surge uma singela melodia.

Logo ela começa a cantar junto.

Suas mãozinhas marcam o ritmo batendo no peito, nas pernas, estalando os dedos.

Sons graves e agudos. Longos e curtos. Fracos e fortes.

Os sons se combinam de tal maneira que é como se estivessem falando uma língua que só vocês conhecem.

Essa língua não precisa de palavras. Também não tem o sentido concreto que estamos acostumados com a comunicação do dia a dia.

Nela não existe uma combinação de sons que signifique “água“ ou “mãe“. Porém quem escuta essa língua sendo “falada“, mesmo sem compreendê-la, frequentemente diz coisas como:

“Que lindo!“

“Que paz.“

“Que triste…“

A complexa combinação de sons da linguagem que chamamos Música é utilizada para acalmar, excitar, se exercitar e até curar.

E ela pode ser aprendida em sua casa. Você e seu filho podem desfrutar destes momentos de unidade descritos algumas linhas acima.

Mas quem sou eu pra afirmar que você pode musicalizar seu filho em casa?

Meu nome é Rafael Borges, sou professor de música há 25 anos e já ensinei literalmente milhares de pessoas a tocarem um instrumento e compreenderem melhor a Música.

Mas não é só isso. Eu e minha esposa Patrícia temos 4 filhos: Davi (10), Josué (7), Timóteo (4) e Abigail (2) e praticamos Educação Domiciliar.

E vocês sabem quem de nós dois musicalizou nossos filhos? A resposta óbvia seria: “Eu“. Mas não foi.

Quem fez toda a iniciação musical dos nossos filhos foi minha esposa, que não é musicista. A minha parte nesta jornada foi orientá-la em como funciona a música, quais materiais buscar, como fazer.

Minha linda esposa e meu primogênito — Jan/2010

E esta é justamente a minha proposta com este texto.

Eu vou mostrar pra você como a Música funciona, quais são seus elementos e como você e seu filho podem aprendê-la juntos.

Agora você deve estar se perguntando: “Mas como eu vou fazer isso se eu não sei nada de Música?“

Estou aqui justamente para mostrá-lo que é possível.

Da mesma forma que minha esposa iniciou a musicalização de nossos filhos sem experiência musical anterior, você também pode!

É claro que não será em um passe de mágica e sem nenhum esforço.

Você vai precisar estudar.

Mas se esse for o seu desejo, você está lugar certo.

“Não existe mais que uma meta, única e clara, na educação musical, e consiste em que a criança ame a música. Quanto mais a compreenda, mais perto estará dela e mais a amará. Só terá o direito de chamar-se “educação“ musical um ensino que seja capaz de contemplar as necessidades inerentes ao desenvolvimento da personalidade infantil e que se proponha a cultivar o corpo, a mente e o espírito da criança através da música.“ Violeta de Gainza — La iniciación musical del ninho

O objetivo final deste artigo é que você e seu filho aprendam a desfrutar da música, seja apreciando, criando ou improvisando.

Mas para atingirmos esse objetivo será essencial que você esteja alguns passos à frente de seu filho, afinal você irá guiá-lo nessa viagem.

Por isso, o texto está dividido em duas grandes partes.

Primeiro você vai receber um treinamento relâmpago de como funciona a música.

A segunda parte será com dicas práticas de como você pode aplicar o que aprendeu junto com seu filho.

Vamos lá?

Parte 1 — TREINAMENTO RELÂMPAGO PARA PAIS

O que é Música e do que ela é feita?

A maneira que eu gosto de explicar o que é Música é comparando-a com outras artes.

Vamos pensar nas Artes Plásticas por exemplo. Qual o nome genérico que damos para uma obra como esta?

Pietà (Michelangelo) Fonte: Wikipedia

Chamamos de OBRA DE ARTE, certo? Ou seja, é uma obra que foi feita com as ferramentas e elementos das Artes Plásticas.

Mas, e quando ouvimos a obra abaixo, qual nome damos?

The Swan (C. Sain Saëns) Fonte: YouTube

Claro, chamamos de música. Mas na verdade deveríamos chamar de obra musical. Por quê? Porque foi uma obra composta com as ferramentas e elementos da arte que se chama Música. Compreende?

Não estou querendo reinventar a roda e mudar o nome daquilo que as pessoas chamam de música. Não! Eu também chamo uma obra musical de música.

O que eu quero aqui é chamar a atenção para quais elementos constroem uma obra musical. Quais são essas ferramentas e elementos que constroem esses edifícios musicais?

Ouça essa pequena coletânea de musica:

O que essas músicas têm em comum?

TODAS elas foram compostas utilizando os elementos que falaremos aqui.

E quais são esses elementos?

Talvez você ja tenha ouvido falar de alguns dos elementos da linguagem musical como MELODIA, HARMONIA, RITMO, TEXTURA, FORMA e EXPRESSÃO.

Cada um desses elementos manipula alguma ou algumas característica(s) do som para torná-lo música.

Explicarei cada um destes elementos com uma linguagem bem acessível para que não fiquem dúvidas sobre estes conceitos.

Mas antes precisamos retroceder um pouco e entender quais são essas características que existem no SOM.

Então, vamos entender quais são as PROPRIEDADES FÍSICAS DO SOM:

TIMBRE

ALTURA

INTENSIDADE e

DURAÇÃO

(Não é o meu objetivo ser acadêmico demais e falar de termos chatos e enfadonhos. Vou explicar os conceitos de uma maneira bem simples para que possam entendê-los e colocar em prática)

TIMBRE

Colocando de uma maneira simples, é a característica do som que faz com que percebamos a diferença entre um saxofone e um violão, um clarinete de um violoncelo, uma voz feminina de uma voz masculina.

Escute o exemplo abaixo:

Quando usamos adjetivos para o som como: Estridente, aveludado, brilhante, escuro, etc. estamos falando de timbre também.

Um mesmo instrumento pode reproduzir timbres diferentes. Escute esses exemplos no violão:

Faça também esse exercício para identificar a diferença de timbre na própria voz:

Observe como o timbre da voz muda conforme alteramos as vogais mesmo sem alterar a nota que estamos cantando. Experimente!

ALTURA

A altura é a propriedade do som que lida com as frequências.

(Mas não vamos ser chatos desse jeito.)

É a propriedade que indica quais sons são graves ou agudos.

Aqui cabe uma pergunta. Você sabe o que é Grave e Agudo? Pode parecer uma pergunta besta, mas tem muita gente que não sabe.

Para sons graves, pense no mugido do boi ou no som do trovão.

Para sons agudos, imagine o som dos passarinhos ou da chaleira de apito chiando.

Exemplo de instrumentos com sons graves, médios e agudos (Fonte: YouTube)

Outra coisa interessante de apontar é que, em música, quando dizemos que um som esta alto é porque ele é um som agudo e quando dizemos que um som esta baixo, estamos falando de um som grave.

Isto difere da nossa fala popular onde nos referimos a sons fortes como altos e sons fracos como baixos.

Isto nos leva ao nosso próximo item.

INTENSIDADE

Esta é a propriedade dos sons fracos e fortes. Direto e reto.

Para você ter certeza se entende o conceito, se faca as seguintes perguntas:

Uma explosão é um som forte ou um som fraco?

Um alfinete caindo no chão é um som fraco ou um som forte?

Acho que não preciso responder e nem falar mais nada, não é?

Então lembre-se: Quando um som estiver muito forte, não diga que ele está alto.

DURAÇÃO

Sons longos e curtos é o que estamos tratando quando falamos de duração.

Imagine um mosquito zumbindo em seu ouvido em um dia de verão. Som longo ou curto?

Agora imagine uma torneira pingando. Longo ou curto?

Para terminar os exemplos imagine os dois ao mesmo tempo, o mosquito e a torneira. Parece o pior pesadelo, não? Mas em relação às durações é exatamente desta maneira que as músicas são construídas. Sons longos se combinando e sobrepondo a sons curtos ou vice-versa.

“Tá, entendi tudo isso. E daí?”

E daí que você precisa entender que um único som que você escuta tem em si todas estas propriedades.

Se você escutar, por exemplo, uma flauta tocando uma nota qualquer, este som terá:

  • um timbre característico que faz com que reconheçamos ser uma flauta tocando;
  • uma altura, que é a própria nota executada;
  • uma intensidade (o som vai ser fraco, médio ou forte) e;
  • uma duração (será um som longo ou curto).

Tudo isso em uma única notinha.

A menor unidade de uma música, que é uma nota soando sozinha (que nem música é ainda), já possui todas essas propriedades.

Muito bem. Agora que entendemos o que tem em um som, vamos ver o que um artista da Música faz com isso.

Alguém que vá fazer uma composição, por exemplo, irá se utilizar dessas propriedades para criar melodias, harmonias, ritmos, texturas, etc.

Mas o que são esses termos?

São os elementos que fazem parte da construção de uma obra musical.

Cada item que vamos falar aqui abaixo corresponde a um tipo de organização sonora e se utiliza de uma ou mais das propriedades citadas acima.

Alguns termos talvez você já tenha ouvido falar, mas outros podem ser novidades. São eles: MELODIA — HARMONIA — RITMO — TEXTURA — FORMA — EXPRESSÃO.

Entendendo isso você vai entender mais do que muito músico por aí. 🙄

MELODIA

Melodia é a organização horizontal das alturas. É enfileirar as notas uma após a outra para construir a parte cantável de uma música.

Exemplo de melodia

Como identificar o que é uma melodia em uma música?

Escute a canção abaixo.

(Fonte: YouTube)

Se você fosse contar para alguém assim: “Ouvi uma música linda! Ela era mais ou menos assim”. E cantarola com lá-lá-lá ou assobia a canção.

Isso que você mostrou pra pessoa é a MELODIA.

Simples assim.

HARMONIA

A harmonia é a organização vertical das alturas. São notas que soam umas sobre as outras e dão suporte à melodia.

Villa-Lobos dizia que a harmonia é a roupa da música. E isso faz muito sentido pois de acordo com a harmonia que está sustentando uma melodia, esta soa completamente diferente como se estivesse “com outra roupa”.

No exemplo abaixo temos a mesma melodia utilizada acima para exemplificar o que é uma melodia, porém agora temos um violão fazendo a HARMONIA:

Com este exemplo podemos perceber que a harmonia consiste de um grupo de notas que soam em conjunto e “vestem“ a melodia. Ela não está mais soando sozinha.

Tente memorizar a melodia e depois cante junto com o acompanhamento do violão fazendo a harmonia (o clarinete dá o começo da melodia para você):

Agora vamos ouvir uma outra versão com uma harmonia diferente. Perceba como a sensação muda completamente. É como se a música “trocasse de roupa“! Ouça:

Escute a primeira versão (Melodia+Harmonia)e depois esta para sentir a diferença.

Pode parecer que não, mas nos dois exemplos a melodia é EXATAMENTE igual. Por termos uma Harmonia diferente temos a sensação que inclusive a Melodia mudou.

RITMO

É a organização das notas ao longo do tempo.

Para entendermos esse conceito antes precisamos entender o que é a PULSAÇÃO.

Pulsação ou Pulso é a marcação de tempos regulares. Imagine um exército marchando ou o ponteiro de segundos de um relógio. Ou o pulsar do coração. Todos esses são exemplos de pulsação.

Exemplos de Pulsação

Em quase todas as canções podemos perceber um pulso. Sabe quando a gente escuta uma música e começa a bater o pézinho? É isso!

Um exemplo simples para compreendermos o conceito é o “Parabéns pra você”. As palmas que batemos nessa clássica canção dos aniversários nada mais é do que a pulsação da música.

Entendido?

Voltando ao ritmo. Repetindo: o ritmo é a organização das notas ao longo do tempo. E o tempo marcamos com pulsações.

Então, se pegarmos a melodia que estamos usando como exemplo e marcarmos a sua pulsação, teremos esse resultado:

Percebam que esta melodia está distribuída ao longo das pulsações. Essa distribuição das notas ao longo das pulsações forma o ritmo da melodia.

Complexo?

No exemplo abaixo temos a melodia com o pulso mas também vou bater palmas quando ocorrer cada nova nota da melodia. As minhas palmas indicam a divisão rítmica da melodia.

O ritmo está presente em todos os eventos de uma obra musical. A melodia tem seu ritmo, a harmonia tem seu ritmo e existem seções de instrumentos em orquestras, conjuntos e bandas que são exclusivamente rítmicas.

Estas seções rítmicas de instrumentos — que podem ser uma bateria ou um conjunto de instrumentos de percussão — deixam o ritmo geral de uma obra musical bem marcado. Aí, quando ouvimos uma música Pop e falamos sobre o ritmo da música, geralmente estamos querendo nos referir ao ritmo marcado desta seção específica de instrumentos.

E não tem problema nenhum, o que eu apenas quero destacar aqui é que o RITMO está presente em todos os instrumentos de uma música. Por exemplo, imagine uma banda que tenha voz, violão, guitarra, teclado, baixo e bateria. Cada um desses instrumentos terá o seu ritmo específico da parte em que está tocando.

O que os une é o pulso.

Sobrevivendo até agora? O objetivo aqui é ser o mais completo possível. Que esse material seja em uma linguagem acessível e que você possa retornar a ele quantas vezes forem necessárias para consultá-lo.

Continue firme!

Seguindo! Vamos falar agora sobre os outros três elementos que fazem parte do fazer musical: TEXTURA, FORMA e EXPRESSÃO.

TEXTURA

São as camadas de uma obra musical.

Se pararmos pra prestar atenção nas músicas que ouvimos, perceberemos que elas são formadas por diversas camadas.

Vamos abordar aqui os três tipos de textura que são mais utilizados:

Monofonia: é quando a obra musical tem somente uma voz solo (sem acompanhamento):

Fonte YouTube
Fonte YouTube

ou várias vozes/instrumentos executando uma mesma melodia (quando isso ocorre, dizemos que as vozes/instrumentos estão em uníssono):

Fonte YouTube

Homofonia: explicando de forma bem simples é quando uma melodia tem um acompanhamento harmônico, seja por instrumento ou por vozes.

Vamos utilizar o mesmo exemplo da canção da Adele, agora com acompanhamento. Esta combinação de melodia + acompanhamento é o que caracteriza a textura homofônica:

Fonte YouTube
Fonte YouTube

No exemplo acima, as quatro vozes cantam todas na mesma divisão rítmica porém cada uma em uma altura (nota) diferente, formando assim uma harmonia que dá sustentação à melodia. Isto também caracteriza uma textura Homofônica.

Polifonia: é quando temos diversas melodias simultâneas que são independentes mas se combinam entre si. Tente perceber a quantidade de melodias independentes temos na obra abaixo (se utilizar o fone de ouvido será mais perceptível ainda):

Fonte YouTube

Neste próximo vídeo vamos poder escutar os três tipos de textura sendo utilizadas em uma única obra (apesar de estar em inglês é fácil de entender pois as texturas estão representadas por cores):

Fonte YouTube

FORMA

Também pode ser chamada de Estrutura. Da mesma maneira que um filme tem seu roteiro, suas partes, a Forma é o elemento que trata da construção de uma obra ao longo do tempo, as divisões de suas partes. Quando uma ideia se encerra e inicia outra em uma mesma música.

Tente lembrar daquela sua canção preferida. Percebe que ela tem partes diferentes? Geralmente ela tem uma Estrofe e um Refrão. O refrão é aquela parte que sempre repete igual de tempos em tempos em uma música. A estrofe muitas vezes pode ter letras diferentes.

Outras músicas podem ter três, quatro ou mais partes. Ou uma só.

Geralmente as partes são indicadas por letras maiúsculas (A, B, C, D…)

Abaixo um exemplo de como identificar as partes e a forma de uma música:

Fonte YouTube

Procure essa música para ouvir até o final e tentar perceber as mudanças entre as partes.

Abaixo, uma análise do Choro “Um a Zero“ de Pixinguinha:

O nome dessa forma é Rondó. Perceba que sempre há um retorno à parte A entre partes diferentes: A-B-A-C-A…Essa é uma forma muito comum no Choro.

Vamos ouvir mais um exemplo com um diagrama já desenhado das partes. O sinal ||: significa repetição da parte. Acompanhe a seta do mouse que dará para entender:

Tente também identificar as partes em outras músicas.

EXPRESSÃO

É o elemento que manipula os outros elementos para torná-los, como o próprio nome ja diz, mais expressivos. A Expressão é subdividida em 3 áreas — DINÂMICA, AGÓGICA e ARTICULAÇÃO ,cada uma atua em uma propriedade ou elemento diferente do som.

A DINÂMICA é o elemento que lida com a intensidade do som, com as transições dos sons fracos para os sons fortes ou vice-versa. Abaixo uma pequena peça com a descrição do que está acontecendo em termos de dinâmica.

Escute também o Bolero de Ravel prestando atenção na dinâmica. Perceba que inicia quase inaudível e termina em um fortissimo:

A AGÓGICA é uma palavra que tem sua origem no grego (Agoge) e significa movimento da música. É ela que manipula o tempo, suas velocidades, acelerar e retardar. Tanto os andamentos das músicas (aqueles nomes italianos: Adágio, Allegro, Andante) quanto as mudanças internas de tempo — como accelerando ou rallentando (termo italiano que significa desacelerando) — fazem parte da organização agógica de uma obra musical.

Abaixo, exemplos de andamentos e depois uma pequena música com accelerandos e rallentandos (a música vai ficando mais rápida e depois vai ficando mais lenta):

Por último temos a ARTICULAÇÃO que cuida da maneira como as notas serão executadas. Elas podem ser tocadas ou cantadas todas mais grudadinhas umas nas outras, ou mais separadas umas das outras, ou diversas variações dentro disso. Um exemplo vai ilustrar melhor do que palavras. No vídeo abaixo temos exemplos de diferentes articulações tocadas ao saxofone (veja a partir de 1m):

Fonte YouTube

Se você sobreviveu até aqui. PARABÉNS!

Passamos de maneira “a jato“ em todos os aspectos que envolvem o fazer musical. Neste ponto é interessante você começar a praticar isso nas músicas que você costuma ouvir.

Vamos passar agora para a segunda parte onde exlpicarei como você pode junto com seu filho colocar muitos desses conceitos em prática através de atividades, jogos e brincadeiras.

Parte 2 — MÃO NA MASSA! APRENDENDO MÚSICA JUNTO COM SEU FILHO

Agora chegou a sua vez!

A partir daqui vou guiar você e seu filho a explorarem o mundo da música de diversas maneiras.

A ideia é experimentarmos as propriedades do som e os elementos da música com muitas atividades e de formas variadas: somente ouvindo, com movimentos, com algum instrumento.

Nos pontos a seguir você terá orientações de como fazer uma série de atividades que proporcionarão a você e seu filho desfrutarem da música e dos seus elementos de forma prazerosa, estreitando o laço entre vocês.

Você, pai/mãe, será o guia do seu filho. Ao mesmo tempo em que também estará experimentando, você será o professor do seu filho. A criança é um ser emotivo: aprende se sente-se seguro do carinho daqueles a quem ama. Aprende se é ensinada com amor.

Os pais têm a vantagem que eles não só conhecem a realidade que a criança esta inserida como também fazem parte dela!

A criança é um ser fisicamente ativo, espiritualmente inquieto, que ama o movimento e a atividade. A abstração e o intelectualismo não são, de nenhum modo, qualidades infantis. Portanto, as atividades devem envolver movimento, corpo e pouca abstração.

Não tenho a intenção de formar músicos nem de esgotar o assunto com este guia. Muitas outras abordagens poderiam ser descritas e outros exercícios poderiam ser inclusos.

Qual o nosso objetivo aqui então? Que você e seu(s) filho(s) aprendam a apreciar e se relacionar com a Música de uma forma muito mais rica.

Vamos juntos vislumbrar um caminho possível para que sua familia tenha um conhecimento musical suficiente para uma boa compreensão musical e, se quiserem, aprender a tocar um instrumento musical no futuro.

Prontos?

Para entender qual o processo de musicalização que vamos desenvolver aqui, observe a imagem abaixo:

Todo e qualquer aprendizado musical pode ser desenvolvido com base na ilustração acima.

Primeiro somos Alimentados com música através da audição (1), das nossas percepções. Absorvemos o resultado de todos os pontos que discutimos na primeira parte deste artigo transformados em música, que por algum motivo nos toca, emociona, anima, entristece…

Quando esse “alimento“ é Interiorizado (2) inicia o processo de apreciação e de compreensão.

O que recebemos e interiorizamos é depois projetado através da Expressão (3). E essa expressão musical pode ser consciente ou inconsciente, afinal todos cantarolamos mais ou menos afinados, por exemplo, baseados naquilo que já ouvimos e interiorizamos na vida.

Usamos as escalas, cantamos dentro de uma tonalidade mesmo sem saber disso.

É como o desenvolvimento da língua materna. (Guarde isso, é importante!)

Quando um bebê começa a falar, ele faz isso porque ouviu muitas conversas e interiorizou muitos sons.

Então ele abre a boca e solta: Mamã.

O bebê não tem noção que ele está falando uma palavra, que essa palavra é formada por sons, que fazem parte de um alfabeto fonético. Não. Ele simplesmente fala!

E com música muitas vezes é assim. Muitos de nós cantarolamos, assobiamos, as vezes até arranhamos no violão, mas não necessariamente compreendemos o que estamos fazendo musicalmente.

Parte da prática musical de uma criança DEVE ser assim. Ela precisa ser alimentada com muita música. Muito desse “alimento“ ela vai interiorizar e depois vai se expressar com a sua voz, com o seu corpo, com algum instrumento, baseada naquilo que ela interiorizou.

Todo esse processo pode ser executado sem “dar nome aos bois“. Não há a necessidade de ficar explicando todas as coisas para a criança: “Agora estamos Apreciando“, “agora vamos nos expressar“. Não, não faça isso!

A música para as crianças é como se fosse uma “língua divertida“, não vamos matar isso nelas ensinando coisas chatas.

O que DEVE ser feito são atividades planejadas para que a criança experimente os conceitos musicais e, com o tempo ela vá tomando consciência sobre como funciona a música.

Para que isso aconteça, a minha sugestão é que você separe um tempo com seu filho para vocês desfrutarem de um Momento Musical. Isto pode ocorrer de uma a duas vezes na semana (se quiserem mais, não há problema).

Uma breve explicação acerca do descobrimento e conhecimento de novas músicas

Antes de prosseguirmos, gostaria de falar um pouco sobre a importância de um repertório rico de obras musicais e canções.

Quanto mais variado for o repertório que vocês explorarem, mais rico será a aquisição do “idioma musical“ de vocês.

Eu sempre destaco dois tipos de música que eu considero essencial para a formação musical de qualquer pessoa:

  • o repertório formado pela música folclórica e;
  • o repertório da música clássica.

Cada um desses dois tipos de repertório é importante por diversas maneiras.

O grande compositor húngaro Bela Bartók disse certa vez:

“De acordo com o que sinto, uma verdadeira melodia camponesa de nossa terra é um exemplo musical de uma arte perfeita. Considero isso uma obra-prima em miniatura, da mesma forma que uma fuga de Bach ou um movimento da sonata de Mozart é uma obra-prima em forma maior. Uma melodia desse tipo é um exemplo clássico da expressão de um pensamento musical em sua forma mais concisa, evitando tudo o que é supérfluo.”

As obras clássicas são necessárias pois são o que de melhor o homem produziu em termos de música e vão formar a base da compreensão musical de vocês.

Já a música folclórica, com sua singeleza, expressa em sua essência todos os conhecimentos que tratamos anteriormente, porém, como disse Bartók, “em miniatura“.

É fundamental vocês aprenderem canções curtas que serão utilizadas depois em atividades musicais. Que serão base para improvisações também.

Abaixo deixo algumas sugestões.

Para iniciar no mundo da música clássica, penso que é interessante buscar ouvir obras curtas, pois como estamos acostumados com músicas comerciais que não passam de três minutos de duração, se formos ouvir uma sonata de 20 minutos certamente nossa experiência será frustrante.

Abaixo coloco uma playlist selecionada pela Deutsche Grammophon para crianças (disponível no Spotify, Apple Music e YouTube — Links abaixo):

Este disco tem somente obras curtas para piano e é interessante também:

Quanto à música folclórica, apesar de haver um manancial de músicas infantis em todas as plataformas, penso que cabe uma observação em relação aos timbres dos instrumentos utilizados.

A esmagadora maioria das músicas que ouvimos por aí hoje em dia são gravadas com instrumentos artificiais produzidos por teclados. Isso faz com que as crianças não tenham acesso ao som real dos instrumentos.

Por isso que quando ouvimos uma música infantil geralmente temos uma sensação de algo artificial, vocês já perceberam?

Por esse motivo, em termos de canções infantis eu sempre indico os discos do MPBaby (que agora se chama Bia & Nino), pois eles tem uma instrumentação simples (só violão e voz) mas pelo menos é um violão de verdade. E a cantora é muito boa e não faz uso desses maneirismos que os cantores costumam fazer atualmente.

Recomendo as seguintes músicas deles:

Sempre importante destacar que estou recomendando as músicas, não os videoclipes.

É importante conhecermos as canções da nossa terra. Porém hoje em dia, com as possibilidades tecnológicas temos acesso a canções do mundo todo.

Isso é muito interessante pois possibilita percebermos as semelhanças e diferenças entre nossa música com o resto do mundo.

Há um projeto muito interessante de um grupo alemão com canções folclóricas e canções de ninar de todo o mundo. Pode ser legal conhecer músicas de outros países também. Confira!

Por fim, recomendo muitíssimo também os discos da educadora argentina Judith Akoschky, Ruidos y Ruiditos (Vols. 1, 2, 3 e 4):

Selecionem algumas canções, aquelas que vocês mais gostarem, e façam com que elas sejam suas por algum tempo. Repitam, repitam e repitam. Aprendam sua melodia, sua letra.

É sempre bom lembrar: a criança gosta e precisa de repetição.

Momento Musical

Vltemos agora para a estrutura deste Momento Musical que você terá com o seu filho.

Essa estrutura será baseada em atividades musicais que desenvolvam os três pontos citados naquela figura lá do início desta Segunda Parte: ALIMENTAÇÃO-INTERIORIZAÇÃO-EXPRESSÃO.

Vamos agora discutir os pormenores desse momento musical.

Dividindo em faixas etárias, em relação ao tempo e à frequência vamos estipular o seguinte:

  • Bebês recém-nascidos até por volta dos seis meses*: 10min está de bom tamanho/um pouquinho por dia
  • 7 meses até 2 anos*: de 10 a 15 min./um pouquinho por dia
  • 2 a 4 anos: 20 a 30 min./1 ou 2 vezes por semana
  • 4 a 7 anos: 30 a 45 min./ 1 ou 2 vezes por semana
  • 7 em diante: 1h/ 1 ou 2 vezes por semana

*Por ser a questão mais delicada, irei tratar a parte dos bebês separadamente ao final do texto.

Por que 1 OU 2 vezes por semana? Uma vez é o mínimo. Duas vezes é o ideal.

O que deve ter nesses momentos musicais?

  1. Tempo para Escutar, Apreciar e Compreender e
  2. Tempo para Expressar-se e comunicar-se através da linguagem musical.

1.Tempo para Escutar, Apreciar e Compreender.

Mediante a audição musical se cumpre o processo de alimentação que conduz a interiorização de elementos e materiais sonoros e musicais.

Quando pensamos nesses termos temos a impressão de algo passivo, estático, mas não é desta maneira que vamos trabalhar aqui.

Para chegar à aquisição dos conhecimentos musicais será necessário ainda a manipulação vocal, corporal e instrumental desses elementos e materiais através das distintas formas de expressão musical.

As atividades de Escuta, Apreciação e Compreensão serão trabalhadas utilizando os seguintes aspectos:

  • Sensório-motor: através da percepção dos elementos musicais escutados vocês darão uma resposta sensorial, utilizando diferentes movimentos ou partes do corpo. Por exemplo, para diferentes partes de uma música, movimentos diferentes do corpo, conforme exemplo no vídeo abaixo:
Meus filhos se movimentando ao som de Mussorgsky
  • Afetivo: trata da parte mais subjetiva da música. Através da escuta descobrir novos sons e diferenciá-los em termos de sentimentos (alegre, triste) e de adjetivos (feio-bonito)
  • Mental: É onde os conceitos musicais são formados. É o nível da Categorização e Generalização de certos aspectos inerentes às estruturas musicais: semelhança-diferença; complementação-simplificação; coleção-seleção; classificação-ordenamento; associar-dividir; análise-verificação; correção-crítica; transferência; discussão -hipótese, etc.

Neste momento de Escuta deve-se buscar variar a maneira em que se vai escutar as obras musicais. Experimente escutar uma obra musical desta forma:

Sempre que forem escutar uma música pela primeira vez, escutem ela três vezes em uma mesma atividade — lembrando que a repetição é algo extremamente importante na prática musical. Na primeira vez pode ser uma escuta silenciosa, sentados ou deitados. Vocês podem fechar os olhos, isto ajuda na concentração. Na segunda, levantem-se e movimentem-se conforme a música. Na terceira vez podem fazer um desenho dos instrumentos percebidos na obra, algo mais abstrato de acordo com o sentimento despertado, uma ilustração que represente o ritmo da música.

Todas essas são ideias que podem ser exploradas. Veremos mais recursos mais adiante.

2. Tempo para Expressar-se e Comunicar-se através da linguagem musical.

Quando uma pessoa se expressa musicalmente o faz de duas maneiras: 1) com as ideias ou materiais musicais de outro ou outros (reproduz). 2) Com suas próprias ideias e materiais musicais (inventa). No primeiro caso imita, copia, e tende a interpretação musical. No segundo caso inventa, improvisa, e tende a criação musical. Tanto a expressão musical como a audição supõe o contato com o manejo ou a produção de materiais musicais, isto é, de um repertório musical.

Essa prática acontece através da voz, do corpo ou do uso de algum instrumento.

Tanto será trabalhada a Reprodução — através da imitação — dos modelos escutados, como também a Improvisação.

A educação musical é um processo específico de desenvolvimento individual que parte da experiência musical (atividades). Como consequência de uma experiência musical se obtém conhecimentos (conteúdos) relativos às distintas áreas (elementos da música), ou também de caráter global.

Ainda falando sobre o expressar-se, gostaria de dar alguns exemplos do que podemos fazer somente com a Voz.

Em diversos momentos você verá que eu recomendo utilizar algum instrumento de percussão. Se você não tiver nenhum instrumento em casa isto não deve ser motivo para você desistir.

Inclusive uma atividade que você e seu filho certamente curtirão é a construção de instrumentos com materiais do dia a dia. Na Internet existem diversos canais que dão dicas de construção desses instrumentos.

Eles podem ser excelentes recursos pedagógicos não só de instrumentos de percussão mas também para a construção de instrumentos melódicos.

Gostaria de recomendar dois sites que ajudarão quem se interessar por esse tipo de construção.

O primeiro é um site em espanhol: https://www.seispinguinos.com/reciclinstrumentos.html

Apesar de ser em outra língua é fácil de entender as regras de construção (se tiverem alguma dúvida usem o Google Tradutor).

Minha outra recomendação é um canal do YouTube: https://www.youtube.com/c/violaotambor

Também há muitas ideias interessantes aí. Façam bom proveito com essas recomendações. Aqui em casa nós gostamos muito!

Em breve acrescentarei aqui uma parte que trate da construção de instrumentos com materiais do dia a dia.

Aproveitando que falamos de instrumentos de percussão, vamos ver a quantidade de elementos expressivos que podemos tirar de um simples tambor.

O Tambor:

Vamos partir agora para exemplos práticos de atividades que podem fazer parte desse momento musical.

Observe que muitas atividades envolvem o desenvolvimento de habilidades corporais.

No geral, todas as atividades propostas aqui podem ser executadas por crianças a partir de três anos (Até menos, com algumas adaptações). Procure sempre fazer as adaptações que achar necessárias de acordo com a idade de seu filho.

Atividades Práticas

Colocarei as atividades com título em negrito+itálico e depois uma breve descrição da atividade.

Escuta e Interiorização

Audição tranquila, em repouso ou em posição de dormir:

Após a audição as crianças explicam logo o “que aconteceu“ dentro da música, ou descrevem suas sensações em relação ao trecho escutado.

Quando a música parar:

O pai ou a mãe tocando algum instrumento (pode ser um tambor caseiro). Todos movendo-se livremente ou marcando passo junto com a pulsação da música (usar caminhar/correr/saltar/galopar). Quando a música é interrompida, podem (você dá o comando):

  • Deitar no chão;
  • Correr até o centro em um local predeterminado;
  • Correr para os cantos;
  • Brincar de estátua. O pai pode dar comandos: estatua alta, estatua baixa, algum animal, pássaros, etc. atividades e trabalhos como pintor, músico, bailarina…

Acompanhando a textura e a forma da música através de desenhos gráficos:

Atividade de coordenação motora. Acompanhe os vídeos abaixo para Entender como funciona o exercício. Se achar difícil demais para a criança, experimente separar somente um trecho da obra.

Clique aqui e baixe os PDFs com os desenhos para essas duas músicas.

Você encontra essas músicas nas faixas 7 e 8 da playlist Classical Music for Children da Deutsche Gramophon (disponível no Spotify, Apple Music e YouTube — Links abaixo):

Invente representações gráficas para outras músicas também! (Não há certo ou errado em relação aos símbolos que serão utilizados. Tentem escolher algo que represente o que vocês estão ouvindo.)

Apreciação de Conto Musical.

A obra Pedro e o Lobo de S. Prokofiev é um conto em forma de música. Nesta obra musical cada instrumento ou conjunto de instrumentos representa um personagem da história. É um recurso muito interessante para as crianças prestarem atenção no som dos instrumentos. Existem muitas versões em vídeo desta música, mas eu sugiro que se utilize uma versão somente em áudio, pois a dramatização em vídeo da história acaba transformando a obra musical em mera trilha sonora. Existe uma versão em português da narração feita pelo Roberto Carlos (o único defeito é que ele chama oboé de óboe 🙂):

Apple Music: https://music.apple.com/br/album/pedro-e-o-lobo-op-67/584878918?i=584879093

Spotify: https://open.spotify.com/track/1Rt9Nl1OxnmoQ0Sl0te2JH?si=OTcNkEmOTG6jFb0Al0Oi0Q

YouTube: https://youtu.be/Uhjp_qPpFAE

(Também existe uma versão com a Rita Lee narrando, porém eu não gosto muito)

Jogo dos Elevadores (trabalhar graves e agudos):

as crianças sobem ou descem de acordo com as variações que você produz ao executar escalas em um piano ou outro instrumento. Para os sons graves podem caminhar abaixados e ir subindo até ficar com os braços pra cima. Primeiro subir nota por nota at´o agudo e voltar para as crianças entenderem a proposta, depois começar a variar. Eles devem prestar atenção para reconhecer variações bruscas no som e também os sons repetidos (o “elevador“ está maluco ou não funciona). Invertam os papéis: as crianças executam sons graves e agudos e você executa os movimentos de acordo. Se você não possui nenhum instrumento baixe o seguinte aplicativo, com ele voce poderá executar escalas em sinos musicais: https://prodigiesmusic.com/bellapp/

Ou procure algum aplicativo com som de piano.

Sirenes (graves/agudos e dinâmica):

produzir o efeito de sirene com assobios ou com a voz. As crianças descrevem com os braços o subir e descer do som (grave e agudo). Quando já estiverem dominando o exercício, acrescente também algum movimento que represente a dinâmica.

Por exemplo: todos abaixados quando o som estiver piano (fraco) e vão se levantando pouco a pouco conforme o som vai ficando mais forte.

Fazer desenhos livres baseados nas melodias das músicas. Não há certo errado, é apenas uma atividade de expressão.

Forte-piano (forte e fraco).

A dinâmica da linguagem e da música pode dar motivo a múltiplas associações de caráter passageiro para relacionar com estes conceitos, a saber:

Personagens: Gigantes-Anões.

Movimentos: caminhar apoiando com força a planta do pé contra o chão — caminhar na ponta dos pés.

Comparações: perto e longe.

Crescendo e Diminuendo.

As variações progressivas de intensidade podem explicar-se e interpretar-se dizendo que:

Algo que se aproxima e se distancia (invente um exemplo).

“Algo“ (que pode ser a música mesmo) que se enfurece e se tranquiliza.

Quem/O que é?(Exercício de timbre).

Diferenciação em forma de “adivinhação“, de diversos sons pelo seu timbre (sempre de costas ou de olhos fechados):

  • Vozes: esse exercício dá para ser feito com três ou mais pessoas. Uma pessoa fica virada de costas para o grupo e tenta descobrir qual é o companheiro que o chama, guiando-se pelo timbre da voz. Uma variação da brincadeira pode ser com os componentes do grupo alterando o timbre da própria voz, falando com o nariz tampado ou outra alteração.
  • Objetos: deixar cair sobre uma mesa ou no chão. Podem ser de materiais diferentes (pregos, lápis, livro, etc.) ou semelhantes (somente objetos de madeira ou de metal, etc. de tamanhos diferentes ou qualidade)
  • Ações: quebrar um pau, escovar a mesa, rasgar e amassar um papel, arranhar um cartão, raspar um pente, etc.
  • Instrumentos de percussão diferentes.

Orientação espacial pelo som.

Consiste em localizar a procedência de ruídos e sons:

  • Jogo da “cabra cega“: uma criança com os olhos vendados assinala o lugar da casa onde o companheiro fez ouvir a sua voz ou produziu um som com um instrumento de percussão.
  • Ainda de olhos vendados seguir o pai ou a mãe que caminha dando fortes passos ou tocando uma instrumento, orientando-se de acordo com a direção em que se deslocam o som.

Jogo do silêncio:

quem escuta mais sons diferentes se ficarmos em silêncio? Procurar fazer esse jogo em lugares diferentes da casa, na rua, em um parque… (Esta é uma ótima atividade para iniciarmos o momento musical pois estimula a concentração)

“Esconder“ a canção.

Para desenvolver a audição interior de melodias. Vocês começam a cantar e quando você der um sinal interrompem o canto mas continuam ouvindo-o internamente. Após um novo sinal retomam a cantoria no local correspondente. (Utilizem alguma das canções sugeridas anteriormente)

Representação do silêncio musical:

Se introduzem alguns silêncios em lugares bem evidentes dentro da frase musical. As crianças devem indicar sua presença e demonstrá-lo. Isto pode ser feito de diversas maneiras:

  • Se estão sendo realizados movimentos com a música, nos lugares correspondentes aos silêncios, as crianças devem permanecer imóveis, ou podem “indicar“ o silêncio através de uma batida de palma ou um movimento diferente e preestabelecido.
  • Se estão acompanhando a música com instrumentos de percussão, as crianças fazem um movimento de “tocar no ar“, para que o instrumento não soe.

Expressão

Os exercícios aqui propostos estimulam a expressão musical e a criação.

Seu nome é musical!

Falar seu nome. Bater palma no ritmo do nome. Depois marca o ritmo com outras partes do corpo. Finalmente, usando este ritmo, se realizam movimentos com partes diferentes do corpo.

O que você diz também é musical!

Cada criança inventa uma frase curta com o seu nome e uma ação. bater palmas de acordo com o ritmo das palavras. Marca com outros sons corporais. Transforma o ritmo sonoro em movimento ritmo. Pôde-se inventar uma melodia para acompanhar as palavras.

Recitar rimas e parlendas ou canções aplicando crescendos e diminuendos com fins expressivos e accelerandos e rallentandos (atrasando) como uma brincadeira.

Mas faixas abaixo, recitei a parlenda “Um, dois, feijão com arroz“ como exemplo:

Experimente fazer o contrário também (do Forte para o Piano).

Jogo do eco.

Cantar um fragmento melódico ou rítmico e o outro precisa reproduzir. Pode repetir igual e com a prática pode repetir como um eco mesmo, onde a dinâmica do “eco“ é mais fraco (piano) que o som original.

  • Uma variação deste jogo pode acrescentar a audição interna. Canta-se ou toca um fragmento melódico ou rítmico, faz-se silêncio para imaginar o som que foi feito, depois repete-se o fragmento como um “eco“.

Conversas cantadas (por telefone, entre pessoas, animais).

Inventar um diálogo para “falarem cantando“. Pode começar com uma nota apenas, depois aumentar para duas notas, depois com uma escala pentatônica.

Improvisações melódicas livres:

  • “perguntas e respostas“. O papai ou a mamãe começam a cantar e logo depois pede que o filho termine a melodia “porque se esqueceu“ ou “porque está cansado“
  • Sobre uma palavra ou frase a criança improvisa indefinidamente. Você pode pedir, por exemplo, que ela cante sobre sua “mão“. Ela pode incluir “mãozinha“ e outras palavras espontâneas.

Execução espontânea de ritmos. Marcando alguma pulsação, começar a improvisar ritmos. Vocês podem produzir texturas com instrumentos ou partes do corpo diferente para cada pessoa que participar da atividade.

Reconhecimento e execução empírica de:

Pulso

Acento

Ritmo

Esquemas rítmicos simples

Variações na velocidade do movimento enquanto toca ritmos:

Rápido-Lento-Moderado: ao caminhar, remar, balançar-se, etc.

Criação de ritmos ao acompanhar uma canção. Pode ser feito com instrumentos de percussão ou com sons corporais.

Atividades Musicais para bebês

Coloco esta parte em separado por entender se tratar da parte mais delicada.

O que precisamos sempre ter em mente quando falamos em bebês, é que a maior necessidade deles (além do leite e do sono) é o carinho e o aconchego da mãe. Ponto.

Então, quando falamos de música para bebês devemos ser extremamente cuidadosos para não “superestimular“ o bebê.

As atividades devem ser direcionadas mais para a interação mãe(pai)/bebê com algumas leves pitadas de ludicidade e estímulos a movimentos.

Gostaria de iniciar comentando sobre o embalo.

O colinho com embalo, além de ser muito importante para a relação mãe(pai) e filho, é uma experiência muito importante musicalmente, pois traz embutida a sensação rítmica.

Quando aliado com o canto é uma experiência musical completa. Tem a melodia cantada pela voz preferida do bebê (mamãe), tem o ritmo produzido pelo embalo e como toda melodia carrega sensações harmônicas, até a harmonia está implícita.

(Não se preocupe, você não precisa saber se está fazendo todas estas coisas. Elas já estão ali.)

Assim, já fica a primeira dica: embale seu bebê e cante pra ele.

Canções para cantar na hora do embalo:

Aprenda algumas das canções sugeridas nas playlists anteriores.

Cante hinos cristãos.

Aproveite o momento também para experimentar. Inventar melodias é sempre uma ótima atividade.

Eu lembro que pegava nossos versículos de memorização e ficava cantando com melodias improvisadas para meus bebês.

Atividades Musicais

No que se refere à criação de um Momento Musical entre vocês, repetimos a orientação já dada anteriormente: Bebês até por volta dos 7 meses não necessitam mais do que 10 ou 15 minutos de atividades musicais por dia.

Nesse Momento você pode dividir o tempo em duas ou três partes diferentes conforme a duração das atividades.

Abaixo algumas sugestões de atividades para incluir em cada parte:

1º PARTE: Apreciação

Este momento é subdividido geralmente em três etapas.

Na primeira somente ouvimos uma música curta ou trecho de música com o bebê no seu colo ou deitado. Alguns movimentos espontâneos podem ocorrer (balançar o corpo, percussão de pés e mãos)

Depois desta primeira audição, vamos para a segunda etapa. Entregamos para o bebê algum material para ele explorar (pode ser um chocalho, uma boneca com algum guizo, uma mola de plástico, etc.) e repetimos a audição. Se tiverem os materiais duplicados é interessante mãe e filho utilizarem. Este é um tempo para o bebê explorar o material.

Não espere que ele faça aquilo que você imagina. Deixe o bebê explorar o material livremente.

Nessa etapa da Apreciação, se o bebê estiver deitado ou sentado sozinho, conforme ele for adquirindo mobilidade, tentará se virar para descobrir de onde vem aqueles sons que ele está escutando. Isso estimulará também as suas funções motoras

Na terceira etapa pegamos o bebê no colo e dançamos com ele ao som da música. Procure variar o movimento conforme as partes da música vão ficando diferente.

Sugestões de música para essa parte (você pode escolher outras):

Colocarei o link do SoundCloud pois possibilita ouvir direto por aqui. Se você quiser pode procurar as músicas No seu app preferido.

Dança de las Horas — A. Ponchielli

Romance (II Mov. da Pequena Serenata Noturna) — W. A. Mozart

Como a música é grande, você pode escutar somente um trecho da música.

Tengo una muñeca

IMPORTANTE: Não varie muito as músicas. Lembre que crianças gostam e precisam de repetição. Então, escolha uma música e fique algumas semanas com ela.

2ª PARTE: Canções e corpo

Sentada no chão, cante uma canção com seu filho no seu colo.

Enquanto você canta, utilizem (você e o bebê) o acompanhamento de algum instrumento de percussão ou algum brinquedo que faça som.

Você tem diversas opções de Canções para escolher nas playlists sugeridas.

Você também pode fazer algum instrumento simples de percussão. Procure nas sugestões de sites para construção de instrumentos. (SOMENTE TOME CUIDADO PARA O INSTRUMENTO NÃO CONTER PARTES PEQUENAS QUE PODEM SER ENGOLIDAS OU PARTES QUE POSSAM MACHUCÁ-LA)

3ª PARTE: Sensorial:

Escutando música sobre uma bola. Assista ao primeiro vídeo deste artigo novamente (aquele com a minha esposa e meu filho). Essa atividade é extremamente relaxante para os bebês. Eles amam! Observe como são feitos movimentos diferentes para partes diferentes da música.

Qual repertório usar nessa parte? Ainda que eu estimule muito a audição de instrumentos reais, somente para esse tipo de atividade acho que cai bem alguma música daquelas “for babies“, com sonzinho de caixinha de música. Acho que soa mais relaxante.

Balançando na rede. Outra atividade que pode ser feita é o papai e a mamãe pegarem cada um em duas pontas de uma toalha e fazer uma redinha para o bebê. Balancem ele enquanto escutam alguma música tranquila. (Balancem a redinha em cima da cama para evitar acidentes!)

Espelho, espelho meu. Conforme os bebês vão conseguindo pegar coisas, outra atividade muito sensorial para eles é dar um espelinho (de brinquedo!) para ele explorar e ficar se olhando enquanto escuta uma canção.

Dança das Lanternas. Quando o bebê já for maiorzinho essa pode ser uma atividade muito especial, de explorar luz e sombras, claro e escuro. Escureça um pouco o cômodo em que vocês estão e com uma lanterna faça movimentos conforme a música que vocês estão ouvindo.

Coloquei aqui algumas atividades que acredito que enriquecerão muito o seu dia-adia com seu bebê. Muito mais ainda poderia ser falado, mas ficaria algo extenso demais.

Se você se interessa por esse tema (Música para bebês), recomendo fortemente o trabalho da Dra. Kelly Stifft. Nele ela relata seu trabalho com um grupo de bebês. Dá pra aprender muitas coisas através do seu relato. No link abaixo você consegue acessá-lo:

Conclusão

Um professor de música japonês chamado Schinichi Suzuki, descobriu algo impressionante: “As crianças japonesas falam japonês!“

Essa frase, que parece tola se olharmos superficialmente, nos revela algo fantástico: se as crianças aprendem a falar a sua língua materna, que é algo extremamente complexo, elas não tem dificuldade de aprendizagem. Ela somente não está sendo ensinada da maneira correta.

Pensemos em como se dá esse aprendizado da língua materna. Um bebê nasce e passa a escutar todos os dias seus pais, irmãos, parentes reproduzirem aqueles sons e aos poucos vai percebendo que pode se comunicar da mesma forma que eles. Este conhecimento vai sendo construído no bebê, não nasceu com ele.

Pois bem, Suzuki ao descobrir isso desenvolveu toda uma metodologia que ele chamou de Educação do Talento (significando que o Talento é ensinável) e aplicou-a para o ensino do violino.

Por que estou falando disso nesse espaço se o objetivo não é ensinar nenhum instrumento?

Porque em sua metodologia ele viu que o papel dos pais é fundamental! Na concepção de sua ideia ele propunha que a mãe fizesse aula de música por cerca de três meses antes do filho. Por quê?

Porque as crianças se espelham nos pais. A mãe estará “falando a língua“ musical e a criança será estimulada a aprendê-la também!

Pense nisso! Se aprofunde no mundo da música e seu filho irá junto com você!

*

Você acabou de ler o guia mais completo sobre ensino de música de pai para filho da Internet.

Eu pesquisei.

Tenho dados e não tenho dúvidas sobre esta afirmação.

Agora é com você! Pegue o que foi ensinado aqui e coloque em prática com o seu filho!

Ainda Precisa de Ajuda?

Se você ainda não se sente capaz de dar conta da tarefa, eu tenho uma oferta especial para você.

Baseado na minha experiência de mais de 25 anos ensinando música para crianças e adolescentes, e nas ideias de educadores como Suzuki, Dalcroze e Kodaly, adaptando-as à realidade das famílias, desenvolvi o curso FORMANDO FILHOS MUSICAIS.

Vou pegar na tua mão e te treinar para que você consiga fazer o mesmo com seu filho.

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ProfRafaelBorges

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