B.D.S.M.

Eu volto como espírito espirituoso
Zelando teus três nomes
Como um traça faminta por tecido
Gorando-lhe peles saltadas e mortas
Os três pontos e cruzes em teus lábios
Sepultando uma verdade icnográfica
Abraça-me, abençoe-me, perdoa-me
Já que sou feito do feitio dos três diabos
Atravessando corpos
Bebendo das vísceras
Em pulso de anjo turvo
Trovado em gesso e cuspe
O injustiçado dança de um lado ao outro
Tentando invocar algum sinônimo de Fausto
Nem que seja uma carcaça de Mefistófeles
Alguém que encha seus dedos de pólvora
A tua vingança arde ainda em caput
O seu idioma arrasta-se com maestria
Manipulável como cruzadas e reações
A tônica dada: Uma era de desforra de Adônis
Enfermo e exposto, toma-me os sentidos
Sangrando e pungente, teça os desejos
Pálpebras pesadas, assombre um sonho etéreo
Tremores involuntários, dance como meus dedos para longe
A textura de minha língua era testada
Contra outra carne que se punha acima de minha face
Meu corpo testado e queimando como oferenda ao sol
Meu corpo crucificado ao prazer doentio da total devoção
A ferrugem da lança é uma visita indesejável
Eu que há pouco vim, não quero despedir-me
Poupa-me pai e da-me o conforto da morte
Súbita e inesperada, que esta atinja-me com desamparo…


