Projeto TAO lab
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Ptolomeu

Ptolomeu é um pernilongo.

Um daqueles que atormentam a mente mais equilibrada, colocando o desejo de incendiar qualquer coisa até mesmo em um zen budista. Certa vez um desses malditos pernilongos fez um monge se atirar de um daqueles belos penhascos que eles usam para meditar. Dá para imaginar?

Ele fica lá, zumbindo e zumbindo, passando sempre muito próximo da cabeça das pessoas, perturbando suas ideias e mostrando que a distração é a receita principal para o fracasso.

Talvez resistir à distração do pernilongo seja o que Jesus quis dizer com “porta estreita”, porque viu, é uma baita estreiteza essa porta!

E não adianta tentar acertar o maldito! Ele tem a habilidade especial de saltar por entre dimensões. Quando a mão da vítima está a um segundo de se tornar a mão do algoz, ele faz a sua mágica e salta de dimensão, para no segundo seguinte aparecer novamente, mas com uma perturbação toda nova e diferente.

Isso ocorre porque o tempo para o pernilongo passa diferente. Quando ele salta de dimensão ele volta 100 anos mais sábio, mais ardilosamente astuto na arte de pentelhar o mais sensato dos humanos.

E muito pior que isso: Todos os pernilongos são conectados por uma espécie de Deus Pernilongo, uma mítica criatura que funciona como uma gigantesca internet privada para esse tipinho, um lugar onde todos os pernilongos estão compartilhando seus novos truques, seguindo as novas tendências e essas coisas que estão na moda.

Deve ter uma categoria entre eles que se auto intitula “influencer”.

Mas, sem devaneios, eu estou aqui falando que quando um pernilongo salta de realidade ele volta 100 anos mais sábio, replicando essa sabedoria para TODOS os outros pernilongos conectados naquela rede.

Já parou para pensar na gravidade disso?

Se um único pernilongo aprender como se imunizar do seu inseticida, ele vai lá na rede social dele, pública o bafo e todos os malditos estão imunes… E se um deles aprender a ser racional? Aprender a entrar pela orelha das pessoas e se apossar do cérebro humano?

Eles poderiam tomar o controle de toda a máquina humana, mudando a ordem dos fatores.

Acredito que essa deve ser aquela ideia que falam de sermos todos um, todos conectados e essas coisas, mesmo que para o ser humano não funcione tão bem assim.

Talvez seja pela teimosia, ou mesmo pelo orgulho de aceitar algo que vem de uma pessoa de fora da “panelinha dos eleitos”.

Imagina para um ateu aceitar que um monge de não sei onde está certo e ele errado? Ou um evangélico fervoroso dar o braço a torcer para um preto velho?

Deve doer como um parto, ou mesmo um chute no saco, que ouvi dizer que dói 100 vezes mais…

Particularmente eu acho que é por burrice mesmo, mas quem sou eu para falar dessa suposta sapiência e da ideia de estar conectado?

Amigos mesmo, eu conto na mão… Em uma única, para deixar bem claro! E olha que nem preciso usar todos os dedos… Pode até mesmo ser a mão daquele presidente com apelido de bicho marinho e que paga de santinho.

O que é isso companheiro? Não estou reclamando não. Era bem melhor na época dele, mas agora já passou. Todo produto vencido deve ser descartado.

Olha lá o maldito! Ptolomeu já voltou da outra dimensão para me atormentar de novo.

Dessa vez não vou tentar matar ele de novo não, vou tentar fazer aquilo lá, dar a outra face, certo?

Quem sabe a minha meditação me leva a entender um pouco o que eles falam nessa deep web. Espero não ter de ceder o meu cérebro para o domínio deles.

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Literatura, filosofia, meditação e espiritualidade

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Hygor Zorak

Hygor Zorak

engenheiro de software • psiconauta • escritor