Prometo que esse vai ser curto

Passos de Gigante | Dia #8

Evandro Voltolini
Sep 3, 2018 · 8 min read

Recentemente, mostrei meu bloguinho para um amigo, que tirou sarro do tanto de introdução que eu faço nos meus textos. Meu chefe me deu parabéns por ter incluído um resumo em um e-mail que eu enviei, já que ler o conteúdo inteiro seria demais.

Tudo bem que os meus textos nunca marcam mais do que “8 minutos de leitura” aqui no Medium e isso é meio que o normal dos textos que eu vejo aqui… Mas já que tá todo mundo dizendo que eu tenho que resumir meus textos, é o que eu vou fazer. Prometo!

Para mostrar como eu to mudado, já vou direto para a lição de hoje. Sem mais delongas, vamos ver o que o Tony Robbins tem pra gente:

Devemos nos comprometer a aprender com os nossos erros, em vez de lamentá-los. Caso contrário, estaremos destinados a repeti-los no futuro. Quando você se sentir temporariamente por baixo, lembre-se de que não existem fracassos na vida. Só existem resultados. O sucesso resulta do bom julgamento, o bom julgamento resulta da experiência e, frequentemente, a experiência resultado do mau julgamento.

O que você já aprendeu com um erro do passado e pode usar para melhorar a sua vida hoje?

Bom, com essa deixa do Tony, acho que eu consigo começar esse texto exatamente onde eu terminei o meu último. Um dos assuntos dele era as minhas bebedeiras recentes. Elas, definitivamente, são um erro. Mais do que simplesmente repassar um erro do passado com o qual eu já tenha aprendido, eu vou tentar aprender com um erro novo. Afinal, erro na minha vida é o que não falta pra eu fazer essa lição.

Eu na vida

Foi o que eu fiz na minha sessão de psicanálise, quinta-feira passada, com a Simone. Sim, a sessão foi na quinta, mas eu só tomei vergonha na cara de terminar esse texto hoje.

Dá pra tirar algo de bom disso?

A ideia de conversar na terapia sobre esse erro de beber demais é que, conversando, eu consigo descobrir o que me motiva a fazer isso. E descobrindo o que me motiva a fazer isso, eu consigo parar.

Então, comecei contando para os causos, em si, para a Simone. Eu ri o tempo todo, mas de nervoso. Ainda mais que, logo antes de entrar no atendimento, eu fiquei sabendo de mais uma coisa que eu não lembrava.

Eu, ouvindo meus amigos contarem o que eu fiz na noite anterior

Logo, a Simone me perguntou o que eu estava tentando esquecer. O que eu queria fazer, mas não queria me lembrar depois? Para ela, eu estava bebendo tanto de propósito. Eu tinha a intenção de fazer as coisas e não lembrar delas depois.

Isso, para mim, não fez muito sentido. Afinal, eu estava me sentindo mal por não ter memórias dos rolês. Pelo contrário, eu queria lembrar.

Mesmo que a teoria não fizesse sentido, essa pergunta me levou a refletir: então, qual efeito eu estava esperando do álcool? A resposta veio logo em seguida: euforia.

Eu consigo me divertir quando eu estou sóbrio? Claro! Eu acho um saco quando as pessoas julgam quem não bebe no rolê, como se você precisasse encher a cara para se divertir, impreterivelmente. É super possível se divertir sem beber. Eu só prefiro me divertir bebendo. Até aí tudo bem. Muita gente pensa assim.

Iupiiiiiiiiiiii!

Mas “euforia” não é uma resposta suficientemente boa para a questão de por que eu to bebendo tanto. Então, a Simone me fez falar mais sobre esse negócio de euforia.

Tentando achar uma explicação decente pros meus micão

Vamos lá. Eu realmente sinto que me divirto mais quando eu bebo. Fico mais solto. Isso faz com que mais coisas aconteçam na minha noite. Eu gosto das coisas que acontecem quando eu fico bêbado.

Calma lá! Que coisas?

  • Eu fico mais sociável

Ops!

Então, talvez, só talvez, existe uma chance de que, no fundo, eu goste desse negócio de pegar geral na balada. Por mais que, quando eu to sóbrio, eu me julgue por isso, meu inconsciente quer o contrário.

Que que tá acontecendo?

Freud explica

As pessoas costumam colocar a culpa na bebida quando elas fazem algo vergonhoso bêbadas. “Ah, eu tava bêbado kkkkk”.

Tava sim, campeão. Mas a bebida não faz ninguém mudar de personalidade, como um espírito que possui o corpo. A única coisa que a bebida faz, nas palavras da Simone, é baixar a consciência.

Nossa personalidade tem três “partes”, digamos: o id, o ego e o superego. O id é movido pelos desejos: se depender dele, a gente faz tudo que quiser, sem limites. O superego é o contrário: é o senso crítico que manda segurar a onda, agir de acordo com as regras da sociedade. O ego é o que faz a mediação entre os dois e é a parte que a gente mostra pro mundo.

Entendido? Então tá. O que o álcool faz é botar o superego pra dormir. Aí o id manda.

Em resumo, dizer que o álcool dissolve o superego é só uma explicação mais chique para aquele famoso ditado: “a bebida entra e a verdade sai”. Mas, na próxima vez que algum amigo usar a carta “eu tava bêbado”, você truca e manda essa do Freud.

Não tinha gif de truco no Giphy

Voltando ao meu caso, está claro que meu id não tá concordando com meu pensamento consciente de ter mais critério.

Se entendam aí, caras.

Então, quer dizer que meu id me manda beijar até o pilar na balada. Quem escreveu meu último texto foi meu superego, então?

Tá. Agora eu preciso fazer esses dois caras se entenderem.

Primeiro, eu sei que não faz sentido nenhum querer beijar pessoas aleatórias, sem critério, sem conversa, só por enfiar a língua em outra boca. Que tipo de raciocínio me leva a querer isso, bêbado?

Eu tenho um clique que me remete a outra coisa que eu tava refletindo essa semana: o tipo de crush que eu sou quando to flertando com alguém.

Assim, o raciocínio todo é bem doentio. Quando eu me dei conta disso, eu fiquei com vergonha de mim mesmo. Mas é a realidade dessa minha cabecinha cheia de desgraçamento. É a partir do momento que eu entendo e assumo, para mim mesmo, que eu penso dessa forma, que eu tenho poder de parar com essa patacoada.

Que crush sou eu?

Bom, eu já falei várias vezes que eu não costumava me achar um cara bonito (isso tá mudando, ultimamente, mas sempre foi assim, até pouco tempo). Naturalmente, sentia inveja de caras que se encaixavam nos padrões de beleza e eram reconhecidos por isso. De fato, a vida é mais fácil para quem tem beleza óbvia: dentre várias vantagens, uma das maiores é que você não precisa conversar muito para conquistar alguém. As pessoas que se esforçam para conquistar você.

Já que eu me considerava fora desses padrões, eu me sentia no dever de compensar de outras formas: sendo engraçado, inteligente, tendo bom papo. E como lidar com a inveja que a gente sente de quem não precisa disso? Bom, o meio mais comum de lidar com inveja é fazer pouco caso da pessoa que é objeto dela. “Ah, esse cara é bonito, mas é chato. Eu sou feio, mas sou legal”.

(Não to dizendo que todo mundo que faz pouco caso de gente bonita, faz isso por inveja. Na verdade, eu sei que tem muita gente consegue ser evoluída o suficiente para não ligar para beleza, mas eu ainda não cheguei lá. Então, só to dizendo que é isso que acontecia comigo).

É feio admitir isso? É. Mas é bem comum seguir esse roteiro.

O meu problema, nesse sentido, começa quando eu percebo que eu não faço nada do que eu digo. Muitas vezes, quando eu to dando em cima de alguém, eu não sou o cara engraçado, inteligente, que tem bom papo. Eu sou o babaca que acha que só porque é bonito, não precisa falar muita coisa.

Não faz sentido, né? Não. Mas é o que acontece comigo. Eu já reparei que, com alguns contatinhos que tive, meu único assunto era dar em cima deles. Com cantadinha boba, que até faz a pessoa rir. Mas que não varia muito de assunto. Não demonstra nenhuma das qualidades que eu digo ter para compensar a feiúra que eu digo ter.

Isso acontece, principalmente, quando eu to dando em cima de alguma pessoa que se encaixa mais nos padrões de beleza. Coincidência? Acho que não.

Eu invejo o fato de que pessoas bonitas não precisam se esforçar muito para conseguir ficar com alguém. E o que eu faço quando eu beijo alguém bêbado, na balada, sem mal perguntar o nome da pessoa?

Exatamente.

Id, cara… você tá muito errado!

Sim, eu fiquei embasbacado comigo mesmo quando eu cheguei a essa conclusão.

Eu bebo tanto e beijo várias bocas, porque eu gosto de sentir que eu tenho esse poder de “conquistar” alguém sem esforço, como se eu fosse, por um momento, um dos caras bonitos que eu invejo.

Eu não precisei pensar por dois segundos para ter certeza absoluta de que esse raciocínio não faz nenhum sentido. Beijar gente bêbado, sem critério, não significa que você conquistou qualquer pessoa. Não significa nada, for god’s sake!

Mas era isso que meu inconsciente tava processando, quando o álcool começava a entrar. Recapitulando: eu precisei dizer isso para mim mesmo, para entender como é estapafúrdio. Agora que eu entendi o absurdo, eu posso parar de dar esse vexame.

Ficar bêbado e beijar gente aleatória não vai fazer com que eu me sinta mais bonito e desejado. Agora posso parar de fazer isso. Inclusive, sexta-feira eu saí e me controlei muito mais (fiquei bêbado, mas não perdi a memória e tive critério nas minhas atitudes).

Pronto, Tony. Aprendi com um erro. Lição cumprida!

Mas o texto não foi curto.

Essa lição é mais difícil.

Projeto Verão Dois Mil e Quando

O verão de 2017 já era, mas pro próximo a gente fica sarado. Ou não. Esse não é um blog fitness.

Evandro Voltolini

Written by

Projeto Verão Dois Mil e Quando

O verão de 2017 já era, mas pro próximo a gente fica sarado. Ou não. Esse não é um blog fitness.

Welcome to a place where words matter. On Medium, smart voices and original ideas take center stage - with no ads in sight. Watch
Follow all the topics you care about, and we’ll deliver the best stories for you to your homepage and inbox. Explore
Get unlimited access to the best stories on Medium — and support writers while you’re at it. Just $5/month. Upgrade