O valor do corredor

A grande lição que carreguei para casa após o #abrates16

Participei do meu primeiro congresso da indústria da tradução em 2013, e hoje, ao final do VII Congresso Internacional de Tradução e Interpretação da ABRATES, me senti diferente, não mais deslumbrada (uma sensação comum entre a galera iniciante), mas satisfeita com o meu amadurecimento, ciente e serena em relação aos desafios que passarei a enfrentar a partir de agora. E essa revelação não desceu dos céus em nenhuma palestra específica.

Abertura: entrevista com a Cora Rónai

Eu sempre fui muito certinha com a programação dos eventos, preenchia todo o meu horário assistindo palestras, não me permitia uma folguinha sequer. Como já não sou mais tão iniciante, algumas sessões não me interessaram tanto. Isso me incomodou um pouco, até me julguei relapsa, mas não entrei na espiral da autodepreciação porque descobri o valor do corredor.

A área comum do evento não serve apenas para o coffee break. Ela é o ponto central onde todos se encontram, participantes, palestrantes, patrocinadores, figurões e figurinhas do mundo tradutório. Batizei esse espaço de “corredor” e logo aprendi a apreciar sua horizontalidade. Nele você esbarra com aquele colega que curte todo os seus posts nas redes sociais, você conhece gente nova, revê amigos e, quem sabe, até aquela persona non grata (quem nunca?). Volta e meia estava eu a circular por lá, sozinha ou acompanhada, com ou sem rumo. E foi no corredor que eu bati os melhores papos, me diverti, tive ideias, flertei com novas possibilidades de parceria, além de reforçar outras.

Fica aqui a minha recomendação: aproveitem o corredor do próximo evento da categoria, vocês não vão se arrepender.


#abrates16: o que teve?

Mastermind na Tradução

Não vou tecer comentários sobre a palestra que dei, é claro — Alô, galera! A cobertura coletiva está aí para isso! — , mas quero repetir o quanto sou grata por participar desse grupo. A serenidade que mencionei no início deste artigo só se tornou mais possível e frequente dentro de mim também por causa do apoio de Márcia, Sheila, Thiago e Rafael. Os avanços que fiz na minha carreira e na minha cachola profissional são evidentes e inegáveis. Até quem não é da área percebe a minha mudança de atitude. Praticar mastermind me ajudou a introjetar uma verdade: tradução é um negócio, portanto, devo tratá-la e conduzi-la como tal. Muito obrigada, queridos. Que sigamos refletindo sobre nossas carreiras e negócios juntos, para, assim, pensar a profissão com outros colegas.

Born to tagarelar. Foto: Maria Thereza Moss

Saí do armário: sou intérprete

Pouca gente sabe que também sou formada em interpretação de conferências (há seis anos!). Minha carreira como tradutora avançou muito mais rápido do que a de intérprete por diversas razões. É verdade que eu obtive a certificação com pouca idade, pouca experiência de vida e de trabalho, mas não posso mais continuar me escondendo atrás dessa desculpa. Já comecei a tomar as providências necessárias para parar de me sabotar e enfrentar os desafios para entrar em um mercado muito complexo.

Born to tagarelar [2] Foto: Luciana Frias
Dentro do aquário. Foto: Luciana Frias

Agora é hora de digerir todas as informações absorvidas em três dias de congresso e colocar a mão na massa. Aproveito para relembrar que o blog está aberto para outros colegas darem seu parecer sobre as palestras que assistiram. Basta entrar em contato comigo pela inbox da fanpage para a gente combinar tudo!