Sobre visibilidade profissional

O blog completa três anos de vida. Trago verdades para comemorar a data.

Criei o blog em outubro de 2013 para extravasar minhas impressões e descobertas sobre tradução conforme experimentava esse universo profissionalmente. Fui (e ainda sou) leitora assídua de outros canais informativos sobre a área desde que comecei a trabalhar em casa, e ter um espaço meu para escrever trouxe seriedade à minha recém-assumida faceta autônoma.

Ao se comprometer a escrever sobre um assunto, você assume a responsabilidade de se tornar referência para algumas pessoas. Isso é muito bacana, sabe? Adoro receber mensagens e comentários de leitores com sugestões e dúvidas, pois é gratificante perceber que estou ajudando os outros e contribuindo para a comunidade de tradutores profissionais do meu jeito preferido: escrevendo.

Além desse lado filantropo-paz-amor-ciranda-vamos-nos-amar, há também o afago de ego em servir de parâmetro e ser reconhecida por uma galera. Não sejamos hipócritas: quem não curte um holofotezinho de leve por algo que você se esforça e faz com carinho? É ótimo! E visibilidade rende bons contatos, novas oportunidades de trabalho… É o famoso colocar a cara no sol, ver e ser visto, mas… Há closes certos e há closes erradíssimos, gente. Sabe por quê?

Porque fazer alguma coisa meramente para aparecer é mesquinho em qualquer situação, e se o contexto é profissional, as máscaras caem rapidinho, porque…

A visibilidade que busca melhores condições para a categoria, reflete, no mínimo, boas intenções e esforço, mas, por mais útil e estratégica que seja, ela também é muito ambígua na nossa cabeça, pregando peças na nossa leitura da realidade. Algumas pegadinhas da visibilidade:

  • associá-la com “boa qualidade”: uma coisa não garante a outra;
  • o perigo do pedestal, tanto para quem é colocado nas alturas quanto para quem endeusa: o estabaco sempre dói quando a gente percebe que #SomosTodosErradinhos;
  • entendê-la como o novo sinônimo de riqueza: não vejo nenhum tradutor ou intérprete sendo fotografado na Ilha de Caras (ainda bem, convenhamos, CARAS?!), mas vocês entenderam. Fora que o conceito de “riqueza” é muito relativo: para mim, ser rica é ter saúde e paz de espírito, pagar minhas contas e sobrar um dinheirinho para tomar uma cerveja, quem sabe uma viagem pequena…

É inegável que ter visibilidade abre muitas portas. Depois de três anos tocando o blog, não posso reclamar de tudo o que já conquistei profissionalmente a partir do Pronoia. Mas, para mim, não basta ficar só nisso.

Enfim, deixo vocês com esta reflexão.

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