Traducoworkers #10 — Melissa Harkin

Coworking como solução para mamães autônomas e empreendedoras

Minha experiência com espaços de coworking não aconteceu por um mero acaso e nem surgiu de uma ideia durante um café ou do conceito de trabalhar de forma colaborativa com profissionais de outras áreas. Minha batida à porta do coworking foi um estado de necessidade!

Eu sou casada com um americano e, em 2015, decidimos voltar para os EUA. Eu passei anos indo e vindo dos EUA e já havia morado aqui sem ter tido qualquer problema de adaptação. Mas, desta vez, o buraco foi mais embaixo.

Temos um filho lindo e maravilhoso (mãe coruja!) que acabou de fazer dois aninhos. Isso é o máximo e mudou a minha vida muito além do que eu podia imaginar (e ainda está mudando, rs). Fomos morar na Flórida em março de 2015, onde eu não conhecia ninguém e, de repente, tinha meus horários completamente regulados pelas necessidades do meu pequeno (que, à época, tinha cinco meses). Eu trabalhava totalmente sozinha em casa e dormia pouco. Meu marido saía para trabalhar, eu levava nosso filho para a creche e ficava sozinha, naquele calor infernal, sem ninguém nem mesmo para tomar um cafezinho. Era horrível.

Digo “era” porque, depois de nove meses, eu dei um ultimato no maridão e falei que por lá não ficava mais. Decidimos vir morar no Missouri — estado onde meu marido cresceu e onde temos família e amigos, e tudo melhorou muito. Moramos em St. Charles, uma cidade linda e histórica, ao lado de St. Louis, e foi justamente no bairro histórico da cidade — o meu preferido — que eu encontrei a luz no fim do túnel.

Em um prédio onde, antigamente, funcionava o correio central do Condado de St. Charles, hoje está o OPO Startups, um espaço de coworking que oferece muito além do óbvio. Há eventos sociais organizados pela direção e treinamentos gratuitos ou de custo superamigável realizados em parceria com a Câmara de Comércio da região. O espaço reúne profissionais que trabalham no prédio e em empresas locais. É um ambiente propício para crescer a sua empresa ou atuação, pois todos trabalham de forma conectada e colaborativa.

OPO Startups (St. Charles, EUA) ontem e hoje

Foi ali que eu achei a minha “turma do café”, fiz amigos, networking, participei de excelentes eventos e aprendi ainda mais sobre negócios. Eu finalmente tinha um lugar para ir durante o dia que não fosse a minha sala ou o escritório da minha casa, e isso levantou o meu astral. O coworking foi o meu antidepressivo!

O mais sensacional foi fazer parte daquela diversidade de pessoas, profissões e conhecimentos sem que houvesse aquele “climão” de escritório que geralmente se instala quando você é funcionário, ou seja, aquela competição, direta ou indireta. Quando tiramos esse componente da jogada, temos quem realmente somos, isto é, a gente não precisa vestir aquele personagem de funcionário. Vamos para o coworking como a gente é, usando as roupas que gostamos e trabalhando no horário que queremos (no meu caso, o horário que meu filho me permite trabalhar, rs), e ninguém te julga por isso. É claro que é preciso ter um pouco de noção e não chegar lá de bermuda, regata e chinelos, mas com um estilo casual, tipo jeans e camiseta, e sendo cortês e amigável com todos, pode-se ir longe!

Uma coisa bacana que encontrei por lá foi a cultura de trabalho colaborativo, ou seja, de ajudar uns aos outros, e há muitas oportunidades para isso. Eu aprendi bastante sobre marketing, redes sociais, gestão, plano de negócios e networking. O OPO Startups é uma verdadeira comunidade.

O coworking também ajudou muito meu planejamento e produtividade. De repente, eu não tinha mais aquela distração com a TV e as tarefas de casa. Eu podia focar no meu trabalho e isso fez com que eu produzisse muito mais em menos tempo. Logo, passei a aproveitar melhor meu tempo em casa, ao final do dia. Quando você mora e trabalha no mesmo lugar, isso pode fazer com que você passe a odiar a sua casa. Pode acreditar em mim!

Infelizmente, eu acabei ficando apenas alguns meses no OPO Startups. Decidimos comprar uma casa e, com isso, tivemos que cortar despesas e economizar. No entanto, esses poucos meses foram marcantes e me ajudaram imensamente.

Eu planejo voltar no próximo ano, mas, por enquanto, sigo trabalhando daqui e dali — da sala, do café da esquina, do escritório de casa, da biblioteca do bairro, etc. Aliás, devo dizer que trabalhar em bibliotecas nos EUA também é uma experiência proveitosa, pois elas são bem equipadas, têm mesas comuns e sofás aconchegantes ao lado de lareiras (lembre-se que aqui neva!), cubículos, salinhas, cafés, salas de reunião e videoconferência, e uma grade diversificada de cursos baratinhos ou até mesmo gratuitos, que vão desde plano de negócios até fotografia, passando por idiomas, costura e dança.


Melissa Harkin: esposa, mãe, tradutora e ambientalista.

Tradutora brasileira residente nos Estados Unidos, Melissa Harkin é bacharel em Direito e possui MBA em Gestão Estratégica pela FMU, sendo especializada em traduções técnicas, especialmente de conteúdos legais e ambientais. Melissa já teve o prazer de trabalhar com alguns clientes muito bacanas, como o Banco Mundial, IFC e BID através da JGP Brasil, o David Rockefeller Center de Estudos Latino-Americanos (Harvard), a Fundação Nieman para o Jornalismo (Harvard), WRI EUA e Brasil, Greenpeace Brasil, Oxfam International, SEMEIA, WWF Brasil, IPAM, entre outros.