Traducoworkers #11 — Paula Ribeiro

Entrevista com uma tradutora coworker de primeira viagem

Para começar, conte um pouquinho sobre você e a sua trajetória no mundo da tradução.

Realizei o meu primeiro projeto de tradução em 1997 e descobri, nesse momento, que esta era a carreira que pretendia abraçar. Em 2006, concluí uma licenciatura em Tradução e Interpretação, tendo o inglês e francês como línguas de trabalho. Mais tarde, frequentei e concluí um curso de língua espanhola como terceiro idioma de trabalho, e uma pós-graduação em Tradução Assistida por Computador. Em 2010, decidi dedicar-me apenas à tradução em regime freelancer, mantendo sempre a minha formação na área como interesse principal. Nasce aqui a minha “marca” — Crossingwords!

A Crossingwords é a Paula Ribeiro freelancer, embora neste momento e por motivos puramente fiscais, se esteja a transformar num pequeno atelier de serviços linguísticos que oferece uma ampla gama de serviços de tradução e de interpretação a nível internacional com o apoio de uma equipa de linguistas certificados e especialistas nas áreas em que atua ou pretende atuar.

Por que você decidiu trabalhar em um cowork? É a sua primeira vez em um espaço desses?

Trabalho desde 1997 em tradução e interpretação e desde 2010 que sou freelancer a tempo inteiro. Trabalhar em casa é muito solitário e, embora já tenha experimentado alugar um escritório fora de casa, o problema persistiu, dado que na nossa profissão os clientes não nos “batem à porta”! Cheguei no meu limite e sinto necessidade do burburinho do dia-a-dia do escritório. A opção de cowork parece-me ser a que melhor se adequa às minhas necessidades — trabalho como freelancer (ou pequeno atelier mesmo), mas num ambiente multiprofissional e movimentado! O espaço que selecionei agrega 18 profissionais das mais variadas áreas — engenharia, web designers, fotógrafos, programadores, desenhadores, etc — portugueses e estrangeiros radicados no Porto! Serei a primeira tradutora!

Para você, o que não pode faltar em um espaço de cowork?

Além do café, que não pode faltar em lado nenhum J, é importante uma área de espaços de utilização comum (copa, zona lounge, áreas comuns e pátios e jardins exteriores). Estas áreas são propícias para uma interação mais informal e descontraída entre os coworkers, desenvolvimento de relações e até de novas oportunidades de negócio.

Você acha que essa modalidade de trabalho é muito popular em Portugal e na Europa?

Em Portugal, acho que está crescendo o interesse por este tipo de modalidade de trabalho. Na Europa, acredito que já esteja bem mais implementada.

Quais são suas expectativas para esse novo capítulo da sua vida profissional?

Espero reencontrar algum do “ruído” que perdi na minha vida profissional diária! Sair do buraco e voltar a ter um ritmo e horário de trabalho mais normal — em casa a gente perde a noção mais facilmente.


Paula Ribeiro é tradutora e intérprete com mais de 20 anos de experiência no mercado. Muito ativa na comunidade tradutória internacional, é presidente e fundadora da Associação Portuguesa de Tradutores e Intérpretes (APTRAD).